sábado, 14 de fevereiro de 2026

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Jesus em Êxodo 7: O pequeno Apocalipse


Na cultura judaica sempre foi muito forte a questão da representatividade, ainda mais se tratando de aspectos religiosos ou comunitários. Diferente da cultura ocidental, bem mais individualista, nesses contextos orientais é bem comum os líderes comunitários ou religiosos falarem em nome de toda a comunidade, e suas ações podem refletir sobre a comunidade inteira. Imagine que meu pai não pudesse ir a um evento social e ele me enviasse para falar no lugar dele, imagine que enquanto eu ainda falava algumas pessoas começam a me vaiar. Ao final da minha fala, alguém poderia dizer que meu pai foi vaiado. Isso porque eu estava ali representando meu pai, e apenas trouxe a mensagem que meu pai me mandou dizer. Esse conceito não é tão estranho nem mesmo para ocidentais, se o secretário da Casa Branca declarar guerra contra algum país, não considerariamos errado um jornal dizer “Presidente dos EUA declara guerra contra o País X”, porque o secretário representa o presidente diante do povo.

Olha que interessante quando Deus diz para Moisés: “te constituí como Deus (Elohim) sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta”. Quando Moisés fala o que Deus mandou dizer, Moisés representa Deus para Faraó, de modo que alguém poderia repetir o que Moisés disse para Faraó e terminar dizendo “...e foi isso que Deus disse para Faraó”. Moisés foi autorizado a falar e agir como Deus, possuindo poderes sobrenaturais para exigir obediência e punir aqueles que desobedeciam. Ele era comparável a um deus, mas essa condição apenas refletia a imagem do verdadeiro Deus. Naturalmente, Moisés não é Deus. Ele não era um deus, exceto por delegação de autoridade. Moisés representava Deus, mas só para Faraó. No entanto, O Deus vivo e verdadeiro é um só Deus sobre tudo e todos.

Mas se a Torá chama assim Moisés que era apenas um ser humano, porque seria um problema reconhecer que Jesus é Deus, Ele que não foi apenas comissionado, mas é também Deus por natureza? Alguns judeus ortodoxos nos acusam de idolatria por tratar Jesus como Deus. É um erro duplo. Primeiro porque em inúmeros textos vemos que o Messias é divino por natureza, e o profeta Isaías chama ele de “Deus forte” e “Pai da Eternidade” (Isaías 9:6). Mas além de ser divino por natureza, ele também é comissionado como Moisés, não apenas sobre Faraó, mas sobre o mundo inteiro. Ele recebe um comissionamento do Deus Pai. Assim Jesus representa Deus Pai pra nós. Ao adorar Jesus, você está adorando também Aquele que o enviou. Ao rejeitá-lo, você também rejeita Aquele que o enviou. Seja por natureza ou por comissionamento, Jesus é Deus pra nós. Fica evidente em todo o livro de Êxodo que Moisés, sendo o Mediador da primeira aliança, era apenas uma sombra do que seria o Mediador da Nova Aliança.

“E Jesus clamou, dizendo: — Quem crê em mim crê não em mim, mas naquele que me enviou. E quem vê a mim vê aquele que me enviou. [...] eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me ordenou o que dizer e o que anunciar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, as coisas que eu digo, digo exatamente assim como o Pai me falou.” (João 12:44-50)

As coisas pioram antes de melhorar porque Deus quer demonstrar seu poder e se manifestar ao povo. Deus disse a faraó que o seu julgamento viria e foi o que aconteceu. As pragas são um sinal de algo muito pior, o julgamento de Deus está vindo e é um julgamento real.

Mas precisamos notar que as pragas no Egito prenunciam as pragas que antecedem a Segunda vinda de Cristo. A história de Êxodo é um mini Apocalipse. Se foi terrível o juízo de Deus contra o Egito, pense quão pior será o Juízo de Deus contra a Grande Babilônia. E assim como da primeira vez, as pragas anunciam que Deus está sobrepondo o reino dos homens. O Juízo de Deus está chegando sobre aqueles que não se rendem ao Reino de Deus, mas para o povo da Aliança, a chegada deste reino significa a libertação dos seus opressores. “Ele humilha os soberbos, e exalta os humildes” (Lucas 1.51,52). Assim como Moisés e Arão pregam a Palavra de YHWH, em Apocalipse as duas testemunhas que representam a igreja de Jesus composta de judeus e gentios não são ouvidas pelo mundo:

“Estes homens têm poder para fechar o céu, de modo que não chova durante o tempo em que estiverem profetizando, e têm poder para transformar a água em sangue e ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes desejarem.”

Mas como o apóstolo Paulo nos alerta contra os falsos profetas dizendo, de que nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis, os homens seriam presunçosos, arrogantes, blasfemos, tendo aparência que imite a piedade, mas negando o poder do Evangelho. “Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé” (2Tm 2.8). Paulo está alertando que assim como os magos do Egito fizeram sinais para invalidar a mensagem de Moisés e Arão, assim também farão os falsos profetas nos últimos dias, mas com o objetivo de resistir à verdade da Palavra de Deus.

Em Êxodo 4, a vara de Arão se torna uma cobra (“Nachash”). E segundo os tradutores da Septuaginta, no capítulo 7, ao invés de Nachash (cobra/serpente), vemos escrito “Drákon” (dragão ou serpente grande). Curiosamente, tanto Faraó é chamado “dragão do mar” (Isaías 51.9/Ezequeiel 29:3/32.2), quanto o rei da babilônia Nabucodonosor, também é chamado de “dragão”. Em Apocalipse, a antiga serpente do jardim do Éden agora aparece como um grande dragão. “o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9).

No capítulo 13 de Apocalipse, dois terríveis aliados do dragão (Satanás) entram em cena, uma besta a emergir do mar (Anticristo), e a outra besta a emergir da terra (Falso Profeta). O poder de Deus está agindo por sinais e prodigios e das suas testemunhas (igreja), mas enquanto isso satanás está promovendo o engano por meio da falsa religião e a tirania de governantes impios, que visam nada além de suprimir a verdade de Deus.


“mas a vara de Arão tragou as varas deles” (Êx 7.12), esta é a certeza que temos, que assim como aconteceu antes, é segura a vitória divina sobre toda oposição. Embora o diabo possa criar uma falsificação e produzir um enxame de oponentes, a vara levantada por Deus no calvário engolirá todos os seus inimigos. Quando a graça de Deus se apodera de um homem, os mágicos deste mundo podem lançar todas as suas varas no chão, a vara de Jessé as vencerá. Satanás pode jogar todas as suas armadilhas, todas as doces atrações da cruz irão capturar o coração do homem, e aquele que só vivia para o Egito erguerá seus olhos e descobrirá no monte calvário que YHWH salva.


Por fim, vemos a primeira das dez pragas sendo anunciada contra o Egito, e as águas do Egito se tornam em sangue.
Os egipcios tinham manchado o rio com o sangue das crianças dos hebreus, e agora Deus tornara aquele rio completamente sangrento. Assim Ele lhes deu sangue para beber, porque disto eram merecedores. Em Apocalipse 16.6 vemos “Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.”
A famosa frase de Heródoto dizia que “o Egito é uma dádiva do Nilo”. Em um paralelo, poderíamos dizer “Israel é uma dádiva de Cristo”.

E, por fim, a primeira praga que Moisés realizou foi a transformação da água em sangue, um símbolo de morte e julgamento. Mas o primeiro milagre de Jesus foi a transformação da água em vinho, um símbolo de alegria e celebração. Isso ilustra uma transição poderosa:
Se o ministério de Moisés foi glorioso ao apontar a condenação do mundo e trazendo as más notícias do pecado, da justiça e do juízo contra os pecadores, quão maior em glória não é o ministério de Jesus Cristo ao nos anunciar as boas notícias de paz, perdão e transformação. Isto é alegria ao nosso coração: que Deus deixou o bom vinho pro final.


*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia

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