segunda-feira, 10 de agosto de 2026

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Jesus em Êxodo 18: Maravilhoso Conselheiro

Enquanto os próprios israelitas estavam murmurando, apesar de toda a bondade de Deus para com eles, aqui vemos um midianita que se alegrava pelas obras de Deus. Esta não foi a única vez em que a fé dos gentios envergonhou a incredulidade dos israelitas (Mateus 8.10).  Jetro, um gentio, se alegra com tudo o que o Senhor havia feito. Ele reconhece a grandeza de Deus, bendiz o Seu nome e confessa o Senhor. Essa cena é marcante, porque mostra algo que se repetiria muitas vezes na história bíblica: gentios (não judeus) reconhecendo a ação de Deus com mais sensibilidade do que o próprio povo da aliança. Isso antecipa o caminho do Evangelho, no qual Jesus seria recebido por muitos de fora, enquanto era rejeitado pelo seu próprio povo.


A próxima cena é muito curiosa aos leitores do Novo Testamento: um gentio depois de reconhecer e confessar o nome do Senhor, senta-se à mesa com os israelitas na presença de Deus. Eles tinham comunhão entre si, porque tinham em comum um banquete e um mesmo sacrifício (v.12). Eles se unem em um banquete de alegria, um banquete sobre o sacrifício. Um gentio é aceito na comunhão com Moisés e os anciãos de Israel. Ele também era filho de Abraão. É interessante que foi Jetro que ofereceu holocaustos para Deus, pois era um sacerdote em Midiã, e o sacerdócio ainda não tinha sido instituído em Israel. 

Eles comeram pão. Este pão, podemos supor, era o maná, Jetro devia ver e provar este pão do céu e, embora fosse gentio, era tão bem vindo a ele como qualquer israelita. 

Assim é a mesa do Senhor Jesus: Todo gentio que de todo coração confessar o Nome do Senhor Jesus (Romanos 10:9-13) pode se assentar a mesa da comunhão com o povo de Deus, e pode oferecer adoração a Deus, pois está unido ao povo de Deus por meio do mesmo sacrifício do Calvário. Os gentios continuam sendo bem-vindos a mesa do Senhor, e convidados a se alimentar de Cristo que é o pão que desceu do céu:


“E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus” (Mateus 8:10,11)


Jetro orienta Moisés a organizar o governo de Israel por meio da delegação. Moisés permanece como único mediador diante de Deus, função que ninguém poderia assumir, enquanto homens capacitados passam a julgar as questões cotidianas. Esse modelo revela que liderança não é acumular tarefas, mas delegar responsabilidades. Moisés continua como cabeça, e os demais cooperam como membros do corpo. De modo semelhante, Cristo é o cabeça da Igreja e o único mediador diante de Deus, mas delega autoridade e responsabilidade com os que lhe pertencem. Assim, Êxodo 18 já antecipa o Reino: um Rei soberano no centro e um governo compartilhado com os fiéis.

Imagine que Moisés estivesse atendendo na praça principal da sua cidade e você pudesse tirar dúvidas, buscar aconselhamento sobre seu casamento com ele, ou pedir dicas para a educar seus filhos no caminho do Senhor, ou talvez compreender melhor algum mandamento que não ficou tão claro… Seria incrível, né? Por mais incrível que possa parecer, esse texto nos mostra que o velho Moisés era bastante limitado. Talvez você daria sorte de encontrar com Moisés num dia bom e ele seria um professor dedicado, mas talvez você acabasse encontrando ele depois de um dia cansativo de trabalho, e ele já estivesse esgotado, e você teria uma resposta não tão dedicada assim. Além do que, dependendo do tema que você perguntasse a Ele, talvez ele não teria uma resposta para dar, por causa da sua própria limitação humana. Se ainda sim parece incrível buscar um conselho com Moisés, espere para conhecer um conselheiro ainda melhor: Jesus Cristo. O profeta Isaías disse que o Cristo seria um “Maravilhoso conselheiro” (Isaías 9:6). E de fato Ele é. Ele não se cansa, nem se fatiga. Você não precisa pegar uma imensa fila pra falar com ele alguns poucos minutos. Você não pega fila. Não tem intermediários. Pode passar o tempo que quiser com Ele. Diferente de Moisés, Jesus não está limitado ao espaço nem ao tempo. Você não depende de estar no “lugar certo” ou no “dia certo” para encontrá-lo. Ele está sempre acessível, sempre atento, sempre disposto a ouvir. Não há perguntas inconvenientes, não há horários de atendimento, não há cansaço do outro lado.

Além disso, Jesus não apenas aconselha, Ele conhece profundamente o coração humano. Moisés podia julgar causas externas; Cristo discerne intenções, medos, dores e pecados que nem sempre conseguimos expressar em palavras. Ele não responde apenas ao que dizemos, mas ao que realmente precisamos ouvir.

E há algo ainda mais extraordinário: Jesus não nos orienta de fora, como alguém que apenas observa. Ele caminha conosco. Ele habita em nós pelo Espírito Santo. O conselho de Cristo não é pontual, é contínuo. Não é uma conversa ocasional na praça; é uma presença constante no caminho.

Por isso, quando buscamos direção para o casamento, para a criação dos filhos, para decisões difíceis ou para compreender a vontade de Deus, não estamos recorrendo a um líder cansado ao fim do dia, mas ao Filho eterno, cheio de graça e verdade. Nele não há limitação, não há esgotamento, não há incerteza.

O maravilhoso conselheiro não apenas aponta o caminho, Ele é o próprio Caminho.

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Jesus em Êxodo 17: A Rocha ferida

Mais uma vez o povo de Israel se queixa contra Moisés, dessa vez porque não havia água para beber. Sua maldade contra Moisés chegou a tal nível, que estavam quase prontos a apedrejá-lo (v.4). 1500 anos se passariam e os filhos de Israel novamente estavam prestes a apedrejar o novo Libertador: “Os judeus mais uma vez pegaram pedras com a intenção de apedrejá-lo. Mas Jesus lhes disse: Tenho mostrado a vocês muitas obras boas da parte do Pai. Por qual delas querem me apedrejar?” (João 10:31,32). Israel, Israel que desde sempre ‘mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados’ (Mateus 23:37).

O povo reclamou contra Moisés e, ao fazê-lo, colocava o próprio Deus à prova. Apesar das acusações injustas e do tumulto do povo, Moisés respondeu com mansidão. Assim como Cristo, que "quando foi insultado, não respondeu com insultos. Quando sofreu, não ameaçou, mas pôs a sua esperança em Deus, o justo Juiz” (1 Pedro 2:23). É isso que Moisés fez aqui. Em vez de responder com ira àqueles que o acusavam falsamente, ele buscou o Senhor.

Deus diz que Moisés deve levar consigo a sua vara. A mesma vara com que Deus puniu a rebeldia dos egipcios, a mesma vara que feriu o rio Nilo, agora com ela Deus dará uma resposta para para a rebeldia dos israelenses. Era de se esperar que Deus, com razão, ordenasse alguma praga para castigá-los pela sua falta de confiança e pelas suas reclamações. Mas ao invés de ferir os israelitas, Deus manda Moisés ferir a rocha, e da rocha sai água que sacia a sede do povo.

Desta maneira, Deus nos ensina através do seu exemplo, que se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer. E se tiver sede, como Israel agora, dar-lhe de beber (Romanos 12.20; Mateus 5.44,45). Se o Senhor exige algo de nós, Ele próprio já o fez.

Mas foi 700 anos antes de Jesus nascer, que Isaías profetizou que surgiria um homem que seria ao mesmo tempo uma rocha e uma fonte: "E será aquele homem como um esconderijo contra o vento e um refúgio contra a tempestade, como ribeiros de águas em lugares secos, como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta." (Isaías 32:2).


Em 1 Coríntios 10:3-4, o Apóstolo Paulo nos diz que esse homem era Jesus: "todos comeram do mesmo alimento espiritual; e todos beberam da mesma bebida espiritual; porque bebiam da rocha espiritual que os seguia; e a rocha era Cristo".

Somente os "anciãos de Israel" testemunharam a ferida na rocha. Os anciãos não são apenas os representantes do povo, mas são também as testemunhas da Antiga Aliança. No Novo Testamento não foi diferente, Cristo aparece ressuscitado primeiro a testemunhas escolhidas (At 10:41). O sofrimento de Cristo na cruz (a ferida da rocha) e a vinda do Espírito Santo (a água que sai da Rocha) foram eventos vistos e revelados primeiramente a comunidade dos apóstolos, os líderes espirituais da Igreja. Nós somos assim como o povo de Israel que não viu a rocha sendo ferida, mas bebeu da água. Ecoando Romanos 10:17: “A fé vem pelo ouvir”, eles não precisavam ver o golpe; precisavam confiar no que Deus fez através do seu mediador, pela palavra das testemunhas do Antigo Pacto. Nós também não vimos Cristo sendo ferido e ressuscitado, mas recebemos a água viva do Espírito Santo. A igreja vive dos efeitos da cruz sem ter presenciado o golpe. Em Êxodo, Israel se apoiava no testemunho dos anciãos sobre a rocha ferida. A igreja se apoia no testemunho apostólico da cruz, ressurreição e pentecostes. 


Visualize a cena: Moisés está diante da Rocha. Deus está posicionado sobre a Rocha. O golpe é desferido na Rocha, na presença imediata de Deus, como se o próprio Deus estivesse recebendo o golpe no lugar do povo. Moisés obedeceu, e imediatamente dela saíram águas com grande abundância, que correram pelo campo em correntezas e rios (SI 78.15,16).

Vários profetas associaram a água como um símbolo do Espírito Santo (Isaías 44:3, Ezequiel 36:25–27, Joel 2:28). O manancial do Espírito Santo é jorrado a partir de Cristo, que é a rocha ferida pela lei de Moisés, pois Ele nasceu debaixo da lei. Quem poderia beber da Rocha antes dela ser ferida? Israel poderia contemplar a rocha e continuar com sede. Foi justamente a ferida que trouxe o refrigério das águas. Por isso o Espírito Santo só poderia vir a transformar o deserto em manancial depois que o Cristo fosse ferido. Não seria esta uma das razões pelas quais se diz que o Espírito Santo é "derramado" (Atos 2:18)?

Os prazeres do mundo são poças turvas e contaminadas; mas estas não, estas são águas que brotam da Rocha, puras, limpas, vivificantes. Não são cisternas rotas, mas rios de verdadeiro prazer, que saciam e renovam a alma. São as águas que fluíam de Jesus na cruz quando o soldado romano lhe perfurou o lado: “Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (João 19:34). Nada poderá satisfazer aos desejos mais profundos da alma humana, exceto a água saída desta Rocha.

Em 1 Coríntios 10:4 lemos: “E todos beberam da mesma bebida espiritual”. Repare que Paulo afirma, por símbolo, que todo o povo de Deus recebeu o Espírito Santo. Há quem diga que o recebimento do Espírito Santo (ou batismo no Espirito Santo) seria uma segunda obra da graça, mas isso é um grave equívoco. Assim como todos os filhos de Israel (o povo da aliança) beberam da água que jorrou da rocha ferida, assim também, todos os filhos de Deus se tornam participantes do Espírito Santo, o dom concedido por Cristo: “E, porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos vossos corações, o qual clama: Aba, Pai” (Gálatas 4:6). Não existe cristão verdadeiro que não tenha recebido o Espírito, pois está escrito: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).


O salmista declara: “Ele abriu a rocha, e as águas jorraram; correram pelos lugares secos como um rio. Pois Ele se lembrou da sua santa promessa a Abraão, seu servo” (Salmo 105:41–42). Assim, a provisão da água não foi mero ato de misericórdia momentânea, mas expressão fiel da aliança que Deus estabeleceu com Abraão. Da mesma forma, o Novo Testamento nos mostra que Deus prometeu a vida eterna aos seus eleitos “antes dos tempos eternos” (Tito 1:1–2), fundamento que repousa sobre a “aliança eterna” (Hebreus 13:20). A água da rocha assim como a cruz, apontam para a mesma fidelidade pactual que Deus estabeleceu com seu povo.


Não foi quando Israel estava prostrado em adoração diante do Senhor. Não foi quando eles estavam fazendo algo bom. Foi numa cena infeliz, foi enquanto o povo estava pecando contra Deus e o seu Mediador, que Deus fez a água sair da rocha. Assim foi na cruz, Israel estava pecando contra Deus e o Seu Mediador. Em ambos os casos, foi enquanto o povo pecava que Deus providenciou a salvação por amor da promessa, abençoando aqueles que deveriam ser amaldiçoados.

“Jesus se levantou e disse em voz alta: — Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isso ele disse a respeito do Espírito que os que nele cressem haviam de receber; pois o Espírito até aquele momento não tinha sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado. (João 7:37-39)


Logo após a descida do Espírito Santo, o que aconteceu na igreja? Perseguição. E no caso dos Israelitas no deserto, depois das águas de refidim eles foram atacados pelos amalequitas. Pelo menos duas cenas despertam minha atenção: A primeira é Josué (que em hebraico tem o mesmo nome do Senhor Jesus). Quem é enviado para enfrentar o inimigo e proteger o povo? Josué. E o nome hebraico Yehoshua/Yeshua nos faz enxergar imediatamente a sombra de Cristo. Josué é quem desce para o vale, quem suja as sandálias no pó do combate, quem enfrenta o inimigo corpo a corpo. Isso ecoa o que o próprio Jesus faz por sua igreja: Ele vai à frente, é o primeiro a entrar na batalha, e confronta os poderes espirituais que atacam o povo recém-liberto. Ele pode ser sempre econtrado na parte mais intensa da batalha. O lado mais pesado da cruz está sempre sobre os ombros Dele.
A segunda coisa para notarmos é Moisés no alto do monte. Moisés com as mãos levantadas é uma figura impressionante da intercessão de Cristo levando a vitória da Igreja adiante. Moisés disse: “Eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão” (v.9). A vara do juízo de Deus se levantava contra toda impiedade dos amalequitas, assim como ela já havia trazido juízo sobre os egipcios. Agora era a vez dos amalequitas receberem a punição do Deus vivo. No alto do monte os braços de Moisés são fixados para garantir a vitória do povo de Deus. Na cruz, a vara do juízo de Deus estava nas mãos do Mediador do Novo Pacto, as mãos de Jesus foram fixadas com os pregos. E foram aquelas cansadas mãos estendidas que garantiram a vitória do povo de Deus.
Os amalequitas não tinham feito nada contra Deus, a luta era contra Israel. Mas Deus tomou as dores do seu povo. A luta do seu povo tomou sobre si, por isso o texto diz “O Senhor guerreará contra Amaleque...” (Êx 17:16). O que foi a cruz senão justamente isso? O Deus Eterno tomando para si a batalha do seu povo. Ele foi erguido como uma bandeira na cruz do calvário, com seu braços fixados. Olhamos para cima da montanha e vemos a nossa bandeira, que é o SENHOR, o próprio YHWH. Nada nos garante a vitória senão Cristo hasteado. Jesus é a minha bandeira!

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19:03 - No comments

Jesus em Êxodo 16: Tá chovendo Maná

As mesmas pessoas que foram poupadas das dez pragas do Egito, libertas da escravidão, que alguns dias atrás atravessaram o Mar vermelho, que foram guiadas por uma coluna de nuvem e de fogo… agora estavam murmurando que preferiam ter ficado no Egito e morrer junto às panelas de carne e pão do Egito, onde havia provisões, do que viver dependendo da alimentação dada por Deus.


Deus poderia ter dito: “Farei chover fogo e enxofre sobre estes rebeldes”, e seria justo. Mas, ao contrário, Ele promete uma chuva de pão sobre eles. Quando lemos Números 11, vemos que a carne (codornizes) foi uma concessão posterior, que foi parte do juízo de Deus contra os israelitas. Mas o pão é a verdadeira provisão de Deus para o seu povo.


Sendo o homem natural gerado da terra, o seu Criador lhe ordenou alimento da terra (Salmos 104.14). Mas ao povo de Israel, que representa os que nasceram do alto, representando a igreja dos primogênitos, dos inscritos no céu, estes também do céu recebem seu alimento. Conforme disse Jesus a respeito de si mesmo:


“Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo" (João 6:48-51)


O próprio Cristo é o verdadeiro pão da vida, do qual o Maná do deserto era apenas uma referência. Em Moisés era o trailer, Cristo é o filme completo. Contemple a beleza dos símbolos:


O Maná é suficiente: Havia maná suficiente para todos, suficiente para cada um, e nenhum deles tinha maná em excesso. Também em Cristo, existe suficiência completa, e não existe nada desnecessário ou supérfluo Nele.

O Maná foi desprezado: O maná foi desprezado pelos que não eram do Senhor (Números 11:4–6). Eles o chamaram de maná, manhu. De forma pejorativa significa “Que é isto?” ou “Que coisinha é esta", como desprezando. Sobre Jesus foi dito que “Foi desprezado e rejeitado pelos homens” (Isaias 53:3). Os olhos cegos pelo pecado não veem beleza e pefeição em Cristo, nem sentem sua própria miséria, e por isso nem O buscam nem O desejam.


O Maná não é terreno: O maná não era um produto da terra; não foi fabricado por mãos humanas; tampouco era algo que Israel trouxera consigo do Egito. No Egito não havia maná. Em Canaã não havia maná. Era um presente dos céus. Assim também é Cristo. Jesus é a provisão divina para os escolhidos, aqueles que o Pai “deu ao Filho”.


O Maná é de graça: Nenhum preço foi cobrado. Não era salário a ser ganho, nem prêmio a ser conquistado. Não é uma recompensa para pessoas boas e justas, muito pelo contrário. Era o amor de Deus abençoando quem deveria ser amaldiçoado. O maior super mercado que já existiu neste mundo, mas sem dinheiro e sem preço.


O Maná foi entregue na escuridão: O maná foi dado à noite, foi durante a escuridão, o pão caía do céu. Enquanto Israel dormia, figura da impotência humana, Deus enviava o sustento. Assim também, Cristo veio a nós enquanto estávamos em trevas, “sem força”, incapazes de ajudar a nós mesmos (Romanos 5:6).


Não existe neutralidade: Pelo fato do maná estar ali, espalhado no chão, na porta de cada uma das tendas, os israelitas precisavam decidir o que fazer com ele. Ou o recolhiam, ou o pisoteavam. Semelhantemente é o Evangelho de nosso Senhor Jesus, ou os homens arrependidos dos seus pecados se apropriam de Cristo pela fé, ou se revoltaram contra Ele como cães raivosos. A rebelião pode ter muitas faces, mas é impossível ser neutro ao Evangelho e a Cristo. “Aquele que não está comigo é contra mim” (Mateus 12:30).


O Maná é puro: “Quando o orvalho caía de noite sobre o acampamento, o maná caía sobre ele.” (Números 11:9). O maná caiu sobre o orvalho, não sobre o pó da terra. Mesmo ele descendo ao nível do pó da terra, ele não se mistura com o pó da terra. Ele mantém-se incorruptivel, ele se mantém puro. Do mesmo modo, “O Verbo se fez carne” (João 1:14), mas não compartilhou da nossa natureza decaída. O corpo preparado para Ele (Hebreus 10:5) não procedia do pó amaldiçoado. O maná permanecia branco, sem mancha, sem defeito.


O Maná alimenta os anjos: O maná é chamado de “comida dos anjos”, “O homem comeu o pão dos anjos; enviou-lhes fartura de mantimento.” (Salmo 78:25) Os anjos também se deleitam em Cristo. Cristo é a alegria dos homens e dos anjos. Eles O adoram, O servem e proclamam Seus louvores. O maná celestial sacia não apenas os homens redimidos, mas os seres celestiais.


O Maná é acessível: Nenhum israelita precisava escalar montes ou atravessar o deserto para encontrá-lo; o sustento estava à porta de cada tenda. Assim também é com Cristo.

Não precisamos subir ao céu nem descer ao abismo para alcançá-Lo. Ele veio até nosso encontro, ele desceu do céu até o nosso deserto, à nossa miséria, ao nosso chão, para que sem esforço humano, tivéssemos acesso direto a Ele. Qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo está (no máximo) à uma oração de distância de Jesus.


O maná é doce: era doce ao paladar, como bolos de mel. (Êxodo 16:31). No Cântico dos Cânticos, a Igreja exclama sobre seu noivo: “Sentei-me à sua sombra com grande prazer, e o seu fruto era doce ao meu paladar.” (2:3)


O maná foi moído e assado: “O povo o recolhia, moía em moinhos ou pisava no almofariz, e o cozinhava em panelas.” (Números 11:8). Assim também, o verdadeiro Maná que desceu do céu foi moido e foi provado “no fogo”. Ele foi “Ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades.” (Isaías 53:5). “Ao SENHOR agradou o moê-lo” (Is 53:10). O maná moído, batido e passado pelo fogo é uma figura Daquele que sofreu a punição de Deus no nosso lugar.


O Maná precisava ser comido: é meio óbvio, mas o maná não foi dado para ser apenas admirado, mas para ser comido. Não bastava conhecê-lo intelectualmente, entender o que estava acontecendo teologicamente… Era preciso comer dele. Era necessário se apropriar dele. Assim também é com Cristo: não basta conhecê-Lo de longe, falar sobre Ele ou estudá-Lo como um objeto de fé. É preciso participar Dele, recebê-Lo em nosso interior, fazer Dele o alimento da alma. A vida eterna não é dada a quem admira Cristo, mas a quem se alimenta de Cristo. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” (João 6:51)


O Maná foi preservado no Sábado: “No sábado, o que guardaram não cheirou mal, nem criou bichos.” (Êxodo 16:24). O Maná que era guardado em qualquer dia da semana entrava em decomposição, no sábado isso não acontecia. Semelhante com Jesus, Ele foi guardado na tumba na sexta-feira ao cair da tarde. No sábado seu corpo estava ainda morto, mas não sofreu qualquer decomposição. No domingo de manhã ele ressuscitou.
Cristo foi preservado da decomposição na sua morte. O sábado simboliza o descanso da redenção consumada (leia meu comentário sobre Gênesis 2). Como profetizou Davi sobre Cristo: “O Senhor não permitirá que o Teu Santo sofra decomposição” (Salmo 16:10).


O maná entrou definitivamente no Santo dos Santos: “Disse Moisés a Arão: Toma um vaso e põe nele um ômer cheio de maná, e coloca-o diante do Senhor.” (Êxodo 16:33). O Maná foi colocado de forma definitiva diante da presença de Deus. Foi exatamente isso que aconteceu com Jesus: “Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas... mas no próprio céu, para agora comparecer por nós diante de Deus.” (Hebreus 9:24).

O Maná agora está escondido: “Ao que vencer darei do maná escondido.” (Apocalipse 2:17). Jesus é o verdadeiro maná, e hoje está oculto aos olhos humanos, no céu, até o dia em que será manifesto ao mundo inteiro. Na glória futura, O veremos e d’Ele nos alimentaremos novamente, com entendimento perfeito, saboreando eternamente a doçura de Sua graça e amor redentor. “A comida que permanece para a vida eterna.” (João 6:27).

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Jesus em Êxodo 15: O cântico de Yeshua

 O Cântico de Moisés é a música mais antiga que a humanidade tem registro. Uma canção/poema de mais de 3500 anos. Os antigos rabinos já debatiam porque o cântico começa assim: אָז יָשִׁיר מֹשֶׁה (az yashir Moshe), que literalmente significa “Então cantará Moisés…”. Gramaticalmente, o verbo “yashir” está no futuro (imperfeito), e não no passado, o que já era motivo de comentário entre os rabinos: por que o texto não diz “az shar” (então cantou)? Os rabinos já entendiam que Moisés e Israel voltariam a cantar no futuro após a ressurreição dos mortos, nos dias do Messias. (Talmude Babilônico, Sanhedrin 91b). Por isso, rabinos como Rashi e Ramban explicam que esse cântico é um prenúncio da redenção final: a libertação messiânica.

Outro detalhe interessante, é que em hebraico, nos versiculo 14 a 17, Moisés usa verbos no “perfecto profético”, uma forma verbal em que coisas futuras são descritas como já cumpridas, para expressar a certeza absoluta do que Deus ainda fará. Isso claramente reforça o sentido profético da canção.


Em qualquer versão em português você encontrará:

“O SENHOR é a minha força e o meu cântico, e é a minha salvação. Ele é o meu Deus, e prepararei para ele uma habitação. Deus de meu pai, e eu o exaltarei.

O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome.” (Êxodo 15:2,3)


Neste trecho que Moisés está descrevendo Deus, usando o nome sagrado de Deus (YHWH = O SENHOR), ele o descreve como “Salvador”/“Salvação” e para isso ele usa justamente o nome de Jesus (Yeshua)’: 

יְהוָה עֹזִי וְזִמְרָת יָהּ וַיְהִי־לִי לִישׁוּעָה
YHWH ʿozî vezimrat Yah vayehî-lî liYeshua(h)

Sabendo disso, em hebraico fica assim:
“O SENHOR é a minha força e o meu cântico, Ele é o meu Yeshua (“Ele é o meu Jesus”). Ele é o meu Deus, e eu o louvarei. Deus de meu pai, e eu o exaltarei.

O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome.” (Êxodo 15:2,3)


O trecho seguinte indica que não é apenas uma mera coincidência, Moisés diz “O SENHOR é homem de guerra”. Se não estivesse escrito na Torá, certamente diriam que é uma blasfêmia. Moisés chama DEUS de seu Yeshua, e ainda diz que Deus é homem.


No versiculo 7 há uma idéia de punição com fogo (“consumir como palha”), o que não ocorreu na saída do Egito, mas é exatamente que o Apocalipse descreve a libertação final do povo de Deus. Os inimigos de Deus sendo “lançados nas profundezas” também é uma visão presente no Apocalipse.

No versiculo 8 diz “Com um sopro das tuas narinas as águas amontoaram-se. As correntes ergueram-se como um muro”, foi com o sopro de Deus que os israelitas foram salvos. Assim também é com o sopro de Deus (símbolo do Espírito Santo), o mesmo sopro que deu vida para Adão, é por meio Dele que é aberto o caminho para a salvação do povo liderado por Jesus: “Jesus soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo.’” (João 20:22).
No versiculo 10 Deus sopra outra vez, mas desta vez para trazer destruição sobre os egipcios: “Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo nas águas impetuosas”. Nos profetas, esse mesmo “sopro divino” de punição é atribuído ao próprio Messias: “E ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro de seus lábios matará o ímpio” (Isaías 11:4). E é exatamente assim que Jesus destruirá o anticristo: “O Senhor Jesus aniquilará o ímpio com o sopro de sua boca” (2 Tessalonicenses 2:8).


Mesmo tendo acabado de sair do Egito, Moisés também louva a Deus que levará o povo para o Seu santuário. “Tu os farás entrar e os plantarás no monte da tua herança, no lugar, Senhor, que preparaste para a tua habitação, no santuário, Senhor, que as tuas mãos firmaram.” É evidente que isso não se cumpre no Monte Sinai, porque não foram “plantados” ali. Também não se cumpre no Tabernáculo de Moisés ou no Templo de Salomão, uma vez que foram construidos por mãos humanas e não por Deus. Ecoa a linguagem de Hebreus 8:2, sobre o próprio Cristo “Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem”. Jesus é o Santuário de Deus (João 2:19–21).

“Vi como que um mar de vidro misturado com fogo, e os que tinham vencido a besta, [...] estavam em pé junto ao mar de vidro, tendo as harpas de Deus.

E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo:

‘Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso!’” (Apocalipse 15:2–3)


Um dia cantaremos junto com Moisés:
“Ele é o meu Jesus. Ele é o meu Deus, e eu o louvarei”.


Depois de Israel celebrar ao Senhor, foram para o deserto de Sur. Caminharam por 3 dias e não encontraram água. Quando chegaram a Mara, não puderam beber as águas de Mara porque as águas eram amargas. O povo novamente murmurou contra Moisés. Deus mostra para Moisés um pedaço de madeira. Moisés joga a madeira sobre as águas e elas se tornaram doces. Assim como a madeira mudou a natureza da água, a cruz muda a natureza de nossas dores. O sofrimento, quando tocado pela cruz, deixa de ser veneno e se torna remédio. Cristo crucificado é o doce lenho que transforma o amargor da vida em bênção.
Coloque o madeiro da cruz nas suas aflições, e elas deixarão de ser amargas. As provações se tornam agradáveis quando vistas à luz da cruz.


“Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto das águas” (Êxodo 15:27)


Depois da provação em Mara, eles encontram um oásis no deserto. Mara representa as provas, e Elim mostra o consolo de Deus após as provações.


É curioso e extremamente simbólico os números 12 e 70. No Evangelho (Lucas 9) Jesus primeiro envia 12 apóstolos por toda a casa de Israel, que são os fundamentos da Nova Jerusalém. No capítulo seguinte (Lucas 10) Jesus envia 70 discipulos para outras nações e etnias. Isso vem de Gênesis 10, onde há uma lista de 70 povos descendentes de Noé, que naquele momento eram as “nações do mundo”. Ao enviar os 70, ele diz “Eu dei a vocês autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões” (Lucas 10:19) que são animais do deserto, do contexto que Israel enfrentava na jornada com Moisés.
Semelhantemente, João no Apocalipse vê uma multidão com palmeiras nas mãos no Santuário de Deus, provavelmente celebrando a Festa dos Tabernáculos e Deus promete que eles não terão mais sede, mas serão guiados até as fontes das águas vivas. Deus transforma o deserto em paraíso, e o amargor da cruz em alegria eterna:


“diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro. Eles estavam vestidos de vestes brancas e seguravam folhas de palmeira nas mãos [...] É por isso que eles estão diante do trono de Deus e o adoram dia e noite no seu Santuário. E aquele que está sentado no trono os protegerá com a sua presença. Nunca mais terão fome nem sede; o sol e o calor não os queimarão, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o pastor deles e os guiará até as fontes das águas da vida” (Apocalipse 7:9-17)

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

A BÍBLIA (COMPLETA) MAIS ANTIGA DO MUNDO - Codex Sinaiticus

Essa belezinha é do ano 330 dC (isso é anterior ao surgimento da Igreja Católica) e é uma prova rápida de que a Bíblia não foi adulterada, e que os livros da Bíblia já eram reconhecidos por comunidades cristãs independentes ao redor do mundo já séculos antes da Idade Média.

O Codex Sinaiticus só foi redescoberto em 1859. E quando os estudiosos compararam esse manuscrito do século IV com os manuscritos mais recentes que já possuíam, o resultado foi impressionante: o texto bíblico havia sido preservado de forma extraordinária ao longo de mais de mil anos. Sim, existem variantes textuais, mas a mensagem do texto foi totalmente preservada.

Quer uma prova simples? Entre em praticamente qualquer igreja no Brasil. Você encontrará pessoas lendo Bíblias traduzidas a partir do texto crítico (baseado nos manuscritos mais antigos, como o Codex Sinaiticus e outros manuscritos) e outras pessoas usando traduções baseadas no Textus Receptus (textos mais recentes). Ou ainda a partir de manuscritos em aramaico ao invés do grego… Mas apesar de pequenas diferenças, ao final do culto todos compreenderão a mesma mensagem, e ainda conseguem todos acompanhar a leitura do pastor em uma outra versão. É uma demonstração simples de como Deus preservou Sua Palavra ao longo dos séculos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

13:34 - No comments

Jesus em Êxodo 14: O Nascimento da Igreja Judaica

 


O milagre da abertura do Mar Vermelho ocupa lugar semelhante no Antigo Testamento ao que a morte e ressurreição do Senhor Jesus ocupa no Novo; ele é invocado como padrão de medida tanto na Lei de Moisés como nos livros dos profetas, é o padrão da suprema demonstração do poder de Deus. Sendo assim, precisamos investigar cuidadosamente o que este padrão da ação de Deus nos revela.


De um lado, estava Pi-Hairote, uma cordilheira de rochas escarpadas intransponível. Do outro lado estavam Migdol e Baal-Zefom, que alguns pensam que eram fortes e guarnições nas fronteiras do Egito. Diante deles, o mar. Atrás deles, os egípcios: de modo que não havia caminho para eles, exceto por cima, e dali veio a sua libertação. Israel foi colocado de tal forma que não havia meio humano de escape. Deus coloca seu povo em uma situação impossível, simplesmente para evidenciar o seu poder e evidenciar a incapacidade humana. Isso é uma síntese do Evangelho: 

O homem se encontra cercado, sem saída, sem mérito, sem força própria. À frente, um mar intransponível de juízo e de morte; atrás, o inimigo acusador; aos lados, a impossibilidade humana. Não há fuga, não há recurso terreno. Mas é nesse cenário de desespero que Deus abre o caminho da salvação, não pela força humana, mas pelo Seu braço poderoso. Assim como Israel atravessou o mar em terra seca, também o pecador atravessa da morte para a vida pela obra de Cristo na cruz. O Evangelho é Deus fazendo o impossível, abrindo um caminho onde não havia caminho, para que a glória seja somente d’Ele e a salvação seja unicamente pela fé.


Observe dentro do contexto maior: Deus desceu para libertar o seu povo do Egito (Êxodo 3:7-8). Considere que a Biblia vai tratar o Egito como simbolo de pecado e escravidão (Isaías 30:1-2). Os hebreus viram Deus exercer juizos contra os pecadores egipcios que resistiam à sua palavra. Israel era um povo fraco e pecador, não eram melhores que os egipcios. Deus escolheu esse povo sem que houvesse méritos neles. Este povo foi poupado do juízo de Deus por causa do sangue do Cordeiro, para só então participarem da festa dos pães sem fermento. Se o fermento representa o pecado nas Escrituras (Levítico 2:11/1 Coríntios 5:6-8), os pães sem fermento representam a vida do povo que foi poupado pelo sangue do cordeiro, uma vida livre do pecado e da escravidão. Eles celebram a festa dos pães sem fermento como homens livres, livres do pecado (mas não totalmente, porque ainda estão no Egito). A tensão teológica do “já, mas ainda não”. Libertos do pecado e da escravidão, mas ainda não totalmente. Então na caminhada para a saída do Egito rumo à terra prometida eles se deparam com uma situação de morte. E aquela situação de morte se torna a grande salvação do povo de Deus.

No comentário do capítulo 3 de Êxodo, eu expliquei por que eu entendo que o ‘Anjo do SENHOR’ (maVak YHWH) é o próprio Jesus. E agora é Ele mesmo que se coloca entre os egipcios e os hebreus para proteger seu povo. A coluna de nuvem que acompanhava os israelitas também ficou entre os egipcios e os hebreus. A nuvem era escuridão para os egipcios, mas iluminava o povo de Israel durante a noite. Muitas vezes o agir de Deus têm um aspecto duplo: escuro e obscuro contra o pecado e os pecadores, mas um lado brilhante e agradável para aqueles que desfrutam de sua Graça. Aquilo que é cheiro de vida para alguns, é cheiro de morte para outros. O profeta Isaías disse que Deus é para uns santuário, e para outros pedra de tropeço (Isaías 8:14). Mas havia algo espiritual nessa coluna de nuvem e fogo.


Os filhos de Israel foram batizados em Moisés nessa nuvem (1 Corintios 10.2), que alguns entendem que destilava orvalho sobre eles. Ao entrar embaixo dessa nuvem eles demonstravam a sua submissão à divina orientação e comando através do ministério de Moisés. Essa nuvem era o sinal da proteção de Deus, e assim se tornou o vínculo da lealdade deles. Dessa maneira eles foram iniciados e admitidos sob aquele comando, no momento em que estavam entrando no deserto. Alguns entendem que essa nuvem tipifica o Senhor Jesus Cristo. A nuvem de sua natureza humana era um véu para a luz e o fogo de sua natureza divina. Nós o encontramos (Ap 10.1) vestido com uma nuvem, tendo os pés como colunas de fogo. Cristo é o nosso caminho, a luz do nosso caminho, e aquele que nos guia pelo caminho. A nuvem indicava a orientação e a proteção especiais.


O povo de Israel duvidou e temeu diante do mar, se assemelhando bastante à atitude e ação dos discípulos no barco sacudido pela tempestade, quando despertaram o Mestre e disseram: “Não te importas que pereçamos?”. Em ambos os casos, depois da manifestação do poder de Deus, o povo de Deus comentava entre si “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41).

O Senhor disse a Moisés “diga ao povo que marche”. Eles deviam caminhar sobre as águas pela fé. Moisés deveria erguer sua vara e as águas do mar se abririam. Aquela situação de morte se tornaria vida e libertação definitiva quando o mediador do pacto erguesse o cajado. O profeta Isaías nos diz que o cajado na mão de Moisés era “o braço do SENHOR” (Isaías 51:9–11). O cajado deixava claro para os hebreus que o poder não era de Moisés, mas de Deus. O cajado era a forma pela qual o Pastor (Deus) conduz as suas ovelhas. Era a própria força e autoridade invisível de Deus agindo por trás do cajado. Muitos milagres Deus fez por meio do cajado de Moisés. Mas o cajado era apenas um sinal visível do poder do Deus invisivel. Assim também é Jesus, ele é a demonstração visivel de tudo que podemos conhecer sobre o Deus invisivel, a imagem perfeita do Deus invisivel, a demonstração exata do Seu poder e autoridade. Jesus é o cajado pelo qual Deus Pai governa e conduz as suas ovelhas. E sabe quem disse isso? O próprio profeta Isaías quando começa o capítulo 53 que fala do Messias como servo sofredor e diz “Quem creu em nossa mensagem e a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um broto tenro, e como uma raiz saída de uma terra seca. Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos [...] Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades” (Isaías 53:1-5). Ou seja, Isaías diz que Jesus é o braço de Deus. O cajado no braço de Moisés representa esse braço, que é Cristo. Desde os tempos antigos, foi Cristo, o braço do Senhor que abriu um caminho para salvar o povo do Egito.

Incrivel, né? Mas vai ficar melhor… O profeta Ageu ao mencionar a saída do Egito diz “mais uma vez eu (Deus) farei tremer o céu” (Ag 2:6). O profeta Isaias no capitulo 51 recorda a travessia do mar vermelho, e diz que haverá um novo Êxodo, desta vez não será o mar que se abrirá, mas os céus se abrirão para os remidos. Desta vez os remidos, segundo Isaías, não chegarão ao monte Sinai, mas ao monte Sião. De Sião sairá a Palavra de Deus (Is 51:4 / Is 2:3), de Sião sairá o novo Pacto (Jr 31:33). Eles sobem aos céus, e lá está o Monte Sião. É evidente que texto está se referindo ao Monte Sião celestial, uma Nova Jerusalém. Mas o monte Sião terrreno é o local onde Jesus participou da última ceia com os seus discipulos, e é o local do derramar do Espirito Santo no Pentecostes. É o local de onde saiu a Nova Aliança.


Pelo batismo da nova aliança, somos batizados em Jesus, isto é, na morte e ressurreição de Jesus. O sangue de Cristo é o que nos abre o caminho da salvação. Israel atravessou pelo sangue tipificado no mar vermelho; nós atravessamos pelo sangue real derramado no Gólgota. Israel passou pelo mar e foi salvo, em Cristo passamos pela morte e entramos na vida. Em Moisés eles atravessaram o mar e chegaram no monte Sinai, em Jesus nós atravessamos as águas do batismo e chegamos na Nova Aliança, recebemos do Espírito Santo derramado no Monte Sião. Não é sem motivo que no batismo de Jesus “abriram-se os céus” (Mt 3:16); Na morte de Jesus o véu do templo se rasga, símbolo de acesso ao céu (Lc 23-:45); Na carta aos Hebreus, Cristo entra nos céus como Sumo Sacerdote para nos abrir o “novo e vivo caminho” (Hb 10:19-20). A inevitável morte nada mais pode fazer senão te levar direto para os braços Daquele que é a própria vida. Aquilo que parecia ser o nosso fim, se tornou a nossa salvação. Portanto, marchem!

“Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:2-11)

*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia


domingo, 26 de julho de 2026

15:06 - No comments

O cambista e a sua mulher (Matsys)

   

Está no TOP 3 das minhas pinturas favoritas e foi incrível vê-la pessoalmente no Museu do Louvre.  À primeira vista, parece apenas um cambista contando moedas ao lado de sua esposa. Uma simples cena do cotidiano. O quadro parece falar de dinheiro… mas, na verdade, fala sobre o coração. 

O pintor Quentin Massys viveu boa parte de sua vida em Antuérpia, uma cidade que, no início do século XVI, tornou-se um dos maiores centros comerciais da Europa e uma das cidades mais ricas do continente. Por seus mercados circulavam ouro, prata, especiarias, tecidos... Com esse crescimento, ganharam destaque figuras essenciais para o comércio, como cambistas, banqueiros e mercadores. Foi esse ambiente de intensa prosperidade que Massys observava todos os dias.

A mulher da pintura tem uma Bíblia em suas mãos. Ela estava em seu momento devocional. Por um instante, porém, seu olhar abandona as Escrituras e passa a acompanhar as moedas que o marido pesa. Esse olhar é o centro da obra. O dinheiro se torna o objeto da devoção. Massys não precisou pintar alguém roubando, mentindo ou cometendo um grande pecado. Bastou mostrar uma distração quase imperceptível.

O interessante é que ele não demoniza o comércio. Pelo contrário, o cambista da pintura parece honesto, pesando as moedas cuidadosamente. A crítica é mais profunda: quando a prosperidade começa a competir pela atenção que deveria estar voltada para Deus.

Há um espelho sobre a mesa. Alguns estudiosos afirmam que a função do espelho na obra é colocar você na obra. Assim, a pintura deixaria de falar apenas do casal e passa a questionar também quem a contempla.

No espelho é possível ver um homem indo no sentido oposto ao casal. Ele contempla a janela, que curiosamente forma uma cruz.

Há ainda uma hipótese fascinante: acredita-se que o homem refletido possa ser o próprio Quentin Massys. Se for verdade, o artista não apenas pintou uma advertência para os outros; ele se colocou dentro da própria obra, como alguém igualmente chamado a responder à mesma pergunta.

Afinal, essa pintura nunca foi sobre dinheiro.

Ela sempre foi sobre o coração.

“Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21)