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Jesus em Êxodo 23: O Anjo que tem o Nome de Deus
Acusações falsas; testemunhas; justiça; pobres; inocentes; inimigos; suborno; julgamento. O justo no tribunal dos injustos. Várias leis demonstram que Deus está estabelecendo uma sociedade justa. E pra que isso aconteça, Israel deve seguir a figura misteriosa de um Anjo.
Deus estabelece os sábados (de dias e de anos) e as 3 festas de peregrinação (para entender o significado de todas as festas, veja o meu comentário de Levitico 23). Mas aqui em Êxodo 23, Deus diz “Ninguém apareça diante de mim de mãos vazias” (v15). Todos devem entrar diante de Deus por meio de sacrificios. E na sequência diz “Não ofereçam o sangue do meu sacrifício com pão fermentado, nem deixem que a gordura da minha festa fique durante a noite até a manhã seguinte”. A gordura (ḥēleb) possui um papel especial no sistema sacrificial. “Toda a gordura será do Senhor” (Levítico 3:16) Portanto, não devemos imaginar a gordura simplesmente como aquilo que hoje chamamos de “gordura” ou algo sem valor. No sistema sacrificial, ela era uma porção especialmente pertencente a Deus. Isso cria um princípio importante: aquilo que pertence ao Senhor não deve ser abandonado como uma sobra qualquer.
E olha que interessante: os judeus pedem que Jesus seja retirado da cruz porque, segundo Deuteronômio 21:22–23, o cadáver daquele que fosse pendurado no madeiro não deveria permanecer ali durante a noite, mas deveria ser sepultado no mesmo dia. Sem perceber, ao cumprirem essa determinação da Lei, eles acabaram reproduzindo também esse princípio que encontramos em Êxodo 23:18: aquilo que está relacionado ao sacrifício não deveria permanecer durante a noite até a manhã. Jesus, o verdadeiro Cordeiro Pascal, morre justamente no contexto da Páscoa e é retirado da cruz antes do início do sábado. Resumindo, na crucificação de Jesus, os judeus ao cumprirem Deuteronômio 21:22–23, eles também estavam, sem querer, cumprindo Êxodo 23:18.
Agora leia com bastante atenção:
“Eis que eu envio um Anjo adiante de vocês, para que os guarde pelo caminho e os leve ao lugar que tenho preparado. Deem atenção a ele e ouçam o que ele diz. Não se rebelem contra ele, porque não perdoará a transgressão de vocês; pois nele está o meu nome. Mas, se vocês ouvirem atentamente o que ele disser e fizerem tudo o que eu ordeno, então serei inimigo dos que são inimigos de vocês e adversário dos que são adversários de vocês. Porque o meu Anjo irá adiante de vocês…” Êxodo 23:20-23
Ué, que anjo é esse que pode escolher perdoar ou não os pecados? Não é apenas Deus que perdoa pecados? É sim, mas quem disse que esse “Anjo” não é o próprio Deus?
O próprio padrão das aparições do “Anjo do Senhor” impede que ele seja reduzido simplesmente a um anjo criado. Há fortes razões para entendê-lo como um ser divino. Em Gênesis 16:7–11, o Anjo do Senhor encontra Agar, ordena que ela volte e fala como o próprio Senhor, prometendo: “eu multiplicarei sobremodo a tua descendência”; em Gênesis 21:17, novamente o Anjo de Deus fala em primeira pessoa e promete: “eu farei dele um grande povo”. Embora Deus e o Anjo sejam apresentados como duas personalidades, é o Anjo quem pronuncia a promessa divina, algo que dá forte apoio à sua natureza divina. São duas pessoas, mas ambos falam como Deus. O mesmo ocorre em Gênesis 22:11–18: o Anjo do Senhor impede Abraão de sacrificar Isaque, fala como aquele a quem Abraão não negou o filho e, logo depois, declara: “Jurei por mim mesmo, diz o Senhor”. Observe que o Anjo não apresenta essas palavras como simples citação de um superior; ele fala como o próprio Deus. Em Gênesis 31:11–13, o Anjo do Senhor aparece a Jacó e identifica-se como “o Deus de Betel”; e em Gênesis 32:24–30, a figura que aparece a Jacó é relacionada simultaneamente a “um homem”, “Deus” e “um anjo” (cf. Os 12:3–4). Portanto, o padrão não é o de um anjo comum, anjo comum não aceita adoração, não fala como Deus, mas como servo de Deus. Já o Anjo do Senhor é uma figura que fala na primeira pessoa divina, faz promessas divinas e recebe uma identificação que ultrapassa a categoria de criatura.
Ele possui autoridade para guiar Israel, exigir obediência e, sobretudo, não perdoar a transgressão, enquanto Deus afirma que “o meu nome” está nele. No versículo seguinte, a obediência ao Anjo é colocada em paralelo com a própria obediência a Deus: “se diligentemente ouvires a sua voz e fizeres tudo o que eu disser...” (Êx 23:22). E, no v. 23, esse Anjo é aquele que vai diante de Israel para conduzi-lo e derrotar seus inimigos. No Êxodo, o Anjo de Deus aparece como aquele que guia e protege Israel (Êxodo 14:19; 23:20,23; 32:34; cf. 33:2) Assim, quando colocamos Gn 16:7–11; 21:17–18; 22:11–18; 31:11–13; 32:24–30; Os 12:3–4 em conjunto com Êx 23:20–23; 32:34; 33:2, surge uma conclusão lógica: o Anjo do Senhor não é apresentado como um mero anjo criado que apenas entrega mensagens de Deus, mas como uma manifestação pessoal (e em alguns casos até humana) da presença divina — distinto de Deus e, ao mesmo tempo, portador do nome, autoridade e prerrogativas de Deus. É justamente essa tensão entre distinção e identidade divina que torna a figura tão importante para a posterior compreensão cristã da revelação de Jesus.
Me surpreende também o fato de que não parece existir nenhum risco de idolatria com esse Anjo. E é curioso que em nenhum momento estava na preocupação de Deus algum tipo de idolatria que poderia acontecer, e não há nenhuma advertência para não reverenciar e adorar este Anjo. Talvez, porque adorar esse Anjo, é adorar a Deus. Uma pessoa diferente do Pai, mas que também é Deus. Já viu isso em algum lugar?
Antigo Testamento: “pois nele habita o meu nome” (Êxodo 23:21)
Novo Testamento: “nele (Jesus) habita corporalmente toda a plenitude de Deus” (Cl 2:9).
Está escrito que os israelitas no deserto tentaram a Cristo (1 Coríntios 10:9). E está mais do que claro que Jesus era o mensageiro de Deus, e o Redentor da igreja do antigo e do novo testamento. Jesus é quem guia o seu povo até a Terra prometida, o lar celestial que Deus
prometeu para Abraão e para todo aquele que crer e seguir a Cristo. Cristo preparou um lugar para os seus seguidores, e irá protegê-los até o fim.
O Anjo está indo para a Terra prometida. Mas nós não podemos ir na frente Dele. Ele vai monstrar o caminho. Então Ele próprio é o seu caminho, basta segui-lo e obedecê-lo. Deus poderia fazer eles dominarem a terra prometida inteira imediatamente, mas Ele o faria gradualmente, com sabedoria e prudência (29,30), não de uma só vez, mas pouco a pouco, dando tempo para que Israel ficasse tão numerosa a ponto de povoar toda a terra. Nós também devemos observar o progresso gradual dos interesses do povo de Deus, e a queda gradual de todos os seus inimigos ao longo da história, assim Deus mantém seu povo protegido e continuamos dependentes de Deus. Nossos corações também gradualmente vão sendo conquistados pelo Espírito Santo, e os nossos pecados vão sendo gradualmente expulsos das nossas vidas.
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Tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento, a ordem de Deus é a mesma:
“Este é o meu amado Filho, em quem me comprazo; escutai-o.” (Mateus 17:5)
*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia





