segunda-feira, 27 de julho de 2026

13:34 - No comments

Jesus em Êxodo 14: O Nascimento da Igreja Judaica

 


O milagre da abertura do Mar Vermelho ocupa lugar semelhante no Antigo Testamento ao que a morte e ressurreição do Senhor Jesus ocupa no Novo; ele é invocado como padrão de medida tanto na Lei de Moisés como nos livros dos profetas, é o padrão da suprema demonstração do poder de Deus. Sendo assim, precisamos investigar cuidadosamente o que este padrão da ação de Deus nos revela.


De um lado, estava Pi-Hairote, uma cordilheira de rochas escarpadas intransponível. Do outro lado estavam Migdol e Baal-Zefom, que alguns pensam que eram fortes e guarnições nas fronteiras do Egito. Diante deles, o mar. Atrás deles, os egípcios: de modo que não havia caminho para eles, exceto por cima, e dali veio a sua libertação. Israel foi colocado de tal forma que não havia meio humano de escape. Deus coloca seu povo em uma situação impossível, simplesmente para evidenciar o seu poder e evidenciar a incapacidade humana. Isso é uma síntese do Evangelho: 

O homem se encontra cercado, sem saída, sem mérito, sem força própria. À frente, um mar intransponível de juízo e de morte; atrás, o inimigo acusador; aos lados, a impossibilidade humana. Não há fuga, não há recurso terreno. Mas é nesse cenário de desespero que Deus abre o caminho da salvação, não pela força humana, mas pelo Seu braço poderoso. Assim como Israel atravessou o mar em terra seca, também o pecador atravessa da morte para a vida pela obra de Cristo na cruz. O Evangelho é Deus fazendo o impossível, abrindo um caminho onde não havia caminho, para que a glória seja somente d’Ele e a salvação seja unicamente pela fé.


Observe dentro do contexto maior: Deus desceu para libertar o seu povo do Egito (Êxodo 3:7-8). Considere que a Biblia vai tratar o Egito como simbolo de pecado e escravidão (Isaías 30:1-2). Os hebreus viram Deus exercer juizos contra os pecadores egipcios que resistiam à sua palavra. Israel era um povo fraco e pecador, não eram melhores que os egipcios. Deus escolheu esse povo sem que houvesse méritos neles. Este povo foi poupado do juízo de Deus por causa do sangue do Cordeiro, para só então participarem da festa dos pães sem fermento. Se o fermento representa o pecado nas Escrituras (Levítico 2:11/1 Coríntios 5:6-8), os pães sem fermento representam a vida do povo que foi poupado pelo sangue do cordeiro, uma vida livre do pecado e da escravidão. Eles celebram a festa dos pães sem fermento como homens livres, livres do pecado (mas não totalmente, porque ainda estão no Egito). A tensão teológica do “já, mas ainda não”. Libertos do pecado e da escravidão, mas ainda não totalmente. Então na caminhada para a saída do Egito rumo à terra prometida eles se deparam com uma situação de morte. E aquela situação de morte se torna a grande salvação do povo de Deus.

No comentário do capítulo 3 de Êxodo, eu expliquei por que eu entendo que o ‘Anjo do SENHOR’ (maVak YHWH) é o próprio Jesus. E agora é Ele mesmo que se coloca entre os egipcios e os hebreus para proteger seu povo. A coluna de nuvem que acompanhava os israelitas também ficou entre os egipcios e os hebreus. A nuvem era escuridão para os egipcios, mas iluminava o povo de Israel durante a noite. Muitas vezes o agir de Deus têm um aspecto duplo: escuro e obscuro contra o pecado e os pecadores, mas um lado brilhante e agradável para aqueles que desfrutam de sua Graça. Aquilo que é cheiro de vida para alguns, é cheiro de morte para outros. O profeta Isaías disse que Deus é para uns santuário, e para outros pedra de tropeço (Isaías 8:14). Mas havia algo espiritual nessa coluna de nuvem e fogo.


Os filhos de Israel foram batizados em Moisés nessa nuvem (1 Corintios 10.2), que alguns entendem que destilava orvalho sobre eles. Ao entrar embaixo dessa nuvem eles demonstravam a sua submissão à divina orientação e comando através do ministério de Moisés. Essa nuvem era o sinal da proteção de Deus, e assim se tornou o vínculo da lealdade deles. Dessa maneira eles foram iniciados e admitidos sob aquele comando, no momento em que estavam entrando no deserto. Alguns entendem que essa nuvem tipifica o Senhor Jesus Cristo. A nuvem de sua natureza humana era um véu para a luz e o fogo de sua natureza divina. Nós o encontramos (Ap 10.1) vestido com uma nuvem, tendo os pés como colunas de fogo. Cristo é o nosso caminho, a luz do nosso caminho, e aquele que nos guia pelo caminho. A nuvem indicava a orientação e a proteção especiais.


O povo de Israel duvidou e temeu diante do mar, se assemelhando bastante à atitude e ação dos discípulos no barco sacudido pela tempestade, quando despertaram o Mestre e disseram: “Não te importas que pereçamos?”. Em ambos os casos, depois da manifestação do poder de Deus, o povo de Deus comentava entre si “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41).

O Senhor disse a Moisés “diga ao povo que marche”. Eles deviam caminhar sobre as águas pela fé. Moisés deveria erguer sua vara e as águas do mar se abririam. Aquela situação de morte se tornaria vida e libertação definitiva quando o mediador do pacto erguesse o cajado. O profeta Isaías nos diz que o cajado na mão de Moisés era “o braço do SENHOR” (Isaías 51:9–11). O cajado deixava claro para os hebreus que o poder não era de Moisés, mas de Deus. O cajado era a forma pela qual o Pastor (Deus) conduz as suas ovelhas. Era a própria força e autoridade invisível de Deus agindo por trás do cajado. Muitos milagres Deus fez por meio do cajado de Moisés. Mas o cajado era apenas um sinal visível do poder do Deus invisivel. Assim também é Jesus, ele é a demonstração visivel de tudo que podemos conhecer sobre o Deus invisivel, a imagem perfeita do Deus invisivel, a demonstração exata do Seu poder e autoridade. Jesus é o cajado pelo qual Deus Pai governa e conduz as suas ovelhas. E sabe quem disse isso? O próprio profeta Isaías quando começa o capítulo 53 que fala do Messias como servo sofredor e diz “Quem creu em nossa mensagem e a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um broto tenro, e como uma raiz saída de uma terra seca. Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos [...] Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades” (Isaías 53:1-5). Ou seja, Isaías diz que Jesus é o braço de Deus. O cajado no braço de Moisés representa esse braço, que é Cristo. Desde os tempos antigos, foi Cristo, o braço do Senhor que abriu um caminho para salvar o povo do Egito.

Incrivel, né? Mas vai ficar melhor… O profeta Ageu ao mencionar a saída do Egito diz “mais uma vez eu (Deus) farei tremer o céu” (Ag 2:6). O profeta Isaias no capitulo 51 recorda a travessia do mar vermelho, e diz que haverá um novo Êxodo, desta vez não será o mar que se abrirá, mas os céus se abrirão para os remidos. Desta vez os remidos, segundo Isaías, não chegarão ao monte Sinai, mas ao monte Sião. De Sião sairá a Palavra de Deus (Is 51:4 / Is 2:3), de Sião sairá o novo Pacto (Jr 31:33). Eles sobem aos céus, e lá está o Monte Sião. É evidente que texto está se referindo ao Monte Sião celestial, uma Nova Jerusalém. Mas o monte Sião terrreno é o local onde Jesus participou da última ceia com os seus discipulos, e é o local do derramar do Espirito Santo no Pentecostes. É o local de onde saiu a Nova Aliança.


Pelo batismo da nova aliança, somos batizados em Jesus, isto é, na morte e ressurreição de Jesus. O sangue de Cristo é o que nos abre o caminho da salvação. Israel atravessou pelo sangue tipificado no mar vermelho; nós atravessamos pelo sangue real derramado no Gólgota. Israel passou pelo mar e foi salvo, em Cristo passamos pela morte e entramos na vida. Em Moisés eles atravessaram o mar e chegaram no monte Sinai, em Jesus nós atravessamos as águas do batismo e chegamos na Nova Aliança, recebemos do Espírito Santo derramado no Monte Sião. Não é sem motivo que no batismo de Jesus “abriram-se os céus” (Mt 3:16); Na morte de Jesus o véu do templo se rasga, símbolo de acesso ao céu (Lc 23-:45); Na carta aos Hebreus, Cristo entra nos céus como Sumo Sacerdote para nos abrir o “novo e vivo caminho” (Hb 10:19-20). A inevitável morte nada mais pode fazer senão te levar direto para os braços Daquele que é a própria vida. Aquilo que parecia ser o nosso fim, se tornou a nossa salvação. Portanto, marchem!

“Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:2-11)

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domingo, 26 de julho de 2026

15:06 - No comments

O cambista e a sua mulher (Matsys)

   

Está no TOP 3 das minhas pinturas favoritas e foi incrível vê-la pessoalmente no Museu do Louvre.  À primeira vista, parece apenas um cambista contando moedas ao lado de sua esposa. Uma simples cena do cotidiano. O quadro parece falar de dinheiro… mas, na verdade, fala sobre o coração. 

O pintor Quentin Massys viveu boa parte de sua vida em Antuérpia, uma cidade que, no início do século XVI, tornou-se um dos maiores centros comerciais da Europa e uma das cidades mais ricas do continente. Por seus mercados circulavam ouro, prata, especiarias, tecidos... Com esse crescimento, ganharam destaque figuras essenciais para o comércio, como cambistas, banqueiros e mercadores. Foi esse ambiente de intensa prosperidade que Massys observava todos os dias.

A mulher da pintura tem uma Bíblia em suas mãos. Ela estava em seu momento devocional. Por um instante, porém, seu olhar abandona as Escrituras e passa a acompanhar as moedas que o marido pesa. Esse olhar é o centro da obra. O dinheiro se torna o objeto da devoção. Massys não precisou pintar alguém roubando, mentindo ou cometendo um grande pecado. Bastou mostrar uma distração quase imperceptível.

O interessante é que ele não demoniza o comércio. Pelo contrário, o cambista da pintura parece honesto, pesando as moedas cuidadosamente. A crítica é mais profunda: quando a prosperidade começa a competir pela atenção que deveria estar voltada para Deus.

Há um espelho sobre a mesa. Alguns estudiosos afirmam que a função do espelho na obra é colocar você na obra. Assim, a pintura deixaria de falar apenas do casal e passa a questionar também quem a contempla.

No espelho é possível ver um homem indo no sentido oposto ao casal. Ele contempla a janela, que curiosamente forma uma cruz.

Há ainda uma hipótese fascinante: acredita-se que o homem refletido possa ser o próprio Quentin Massys. Se for verdade, o artista não apenas pintou uma advertência para os outros; ele se colocou dentro da própria obra, como alguém igualmente chamado a responder à mesma pergunta.

Afinal, essa pintura nunca foi sobre dinheiro.

Ela sempre foi sobre o coração.

“Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21) 



14:17 - No comments

Jesus em Êxodo 13: O Jumento e o Pão perfurado


Quem é resgatado pelo Senhor passa a ser propriedade d’Ele. No Novo Testamento, Deus nos lembra: “Vocês não pertencem a si mesmos, pois foram comprados por alto preço” (1 Co 6:19-20). O mesmo princípio já estava presente em Êxodo, quando o Senhor ordenou a Moisés: “Consagre-Me todo primogênito”. Assim, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a redenção traz consigo o chamado para uma vida separada e dedicada ao Redentor. Essa ordem abrangia não apenas os homens de Israel, mas também os animais — cada primeiro nascido deveria ser apresentado diante do Senhor. E é justamente nesse ponto que aparece um detalhe singular: o caso do jumento.

Animais impuros existiam em Israel, mas não eram criados com a mesma intensidade. O jumento foi a grande exceção entre os impuros porque, apesar de não poder ser oferecido em sacrifício, tinha enorme utilidade prática e estava bem presente no dia a dia do povo.
O primogênito do jumento não poderia ser entregue ao SENHOR como os demais animais puros. Ele deveria ser resgatado com o sangue de um cordeiro - caso contrário, teria de ser desnucado, ou seja, morto sem derramamento de sangue (Êx 13:13).

O princípio por trás do resgate do jumento é o mesmo que se aplica aos seres humanos: Somos inapropriados aos olhos do Senhor para o sacrifício, então um cordeiro é entregue em nosso lugar. O jumento representa a nossa condição espiritual diante de Deus: carregados de pecado, trazendo cargas pesadas, incapazes de nos apresentar diante de Deus como minimamente aceitáveis. Assim como o jumento não poderia ser consagrado sem substituição, também nós não poderíamos ter vida sem que o Cordeiro morresse em nosso lugar.

O texto sagrado também determina que aqueles que foram salvos pelo sangue do Cordeiro agora são convocados a participar da festa dos pães sem fermento. A festa dos pães sem fermento (Êx 13:6-10) lembrava o povo de que saíram apressadamente do Egito, sem tempo para fermentar o pão. Mas o fermento também tem uma conotação negativa na Escritura, frequentemente é usado como imagem do pecado e da corrupção (1Co 5:6-8).
Em Levitico, por exemplo, o fermento é visto como algo que não deveria entrar em sacrifícios queimados, porque era símbolo de alteração, decomposição, impureza.

Cristo é o pão sem fermento, sem pecado, que se ofereceu em sacrifício perfeito. Ao celebrar essa festa, Israel estava antecipando. Aquele que seria o verdadeiro pão da vida (Jo 6:35), puro e sem pecado, e alimentando-se da sua vida santa.

O pão ázimo (matzá) usado na Páscoa judaica é feito sem fermento e, para evitar que a massa cresça, ele é perfurado durante o processo de cozimento. Essas perfurações ajudam o calor a penetrar rapidamente e impedem que o pão inche. Na última Ceia, Jesus tomou o pão e disse “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós” (1 Coríntios 11:24). Como não pensar que curiosamente o corpo de Jesus foi perfurado semelhante ao pão da Páscoa, conforme dizia a escrituras: “e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito” (Zacarias 12:10).

Que também nós, tendo sido salvos pelo sangue do Cordeiro, vivamos livres do fermento do pecado e sigamos confiantes por aquele que nos guia em segurança pelo deserto desta vida. Cristo é o nosso Caminho seguro para a Terra prometida, o verdadeiro Pão sem fermento, a nuvem durante o dia e a coluna de fogo que nos protege nas noites escuras. Ele é tudo.

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quarta-feira, 1 de julho de 2026

17:00 - No comments

Tabernáculo Metropolitano de Londres - A igreja de Charles Spurgeon


Sim, nós visitamos a igreja de Charles Spurgeon. Foi nesta igreja, a Metropolitan Tabernacle em Londres, onde ele pregou para milhares de pessoas ao longo de quatro décadas. Spurgeon dizia que uma igreja saudável não é construída sobre métodos inovadores, personalidades carismáticas ou entretenimento, mas sobre a fiel exposição das Escrituras e a proclamação de Cristo crucificado. Simples assim.


Sua igreja também era reconhecida por sua intensa vida de oração. Enquanto Spurgeon pregava, centenas de membros permaneciam reunidos em uma sala abaixo do púlpito, intercedendo para que o Espírito Santo aplicasse a mensagem aos corações. A oração era o motor invisível do ministério e a fonte da verdadeira eficácia da pregação. Em nossa passagem por Londres, nós participamos de um culto nesta igreja, e pra nossa alegria ouvimos a Bíblia sendo pregada com fidelidade. Fomos muito bem recebidos, foram extremamente receptivos e acolhedores. Uma comunidade que nasceu em 1650, e que mesmo depois de tanto tempo permaneceu fiel a mensagem do Evangelho.


Havia um grande letreiro acima do púlpito: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos, até os confins da terra” (Isaías 45:22). Não foi uma escolha aleatória. Esse foi o versículo que Deus usou para converter o jovem Charles Spurgeon. Talvez seja por isso que ele ocupa o lugar de maior destaque na igreja: para lembrar a cada pessoa que entra ali que a mensagem continua a mesma. O centro não é Spurgeon, não é a igreja, nem o pregador. O centro é Jesus, que ainda convida: “Olhai para mim e sereis salvos.”


sábado, 21 de março de 2026

08:19 - No comments

Jesus em Êxodo 12: A Penúltima Ceia


O capítulo começa com Deus estabelecendo o mês da saída do Egito, o mês de Abib, como o primeiro e principal mês do calendário de Israel. É uma mudança importante, porque Abib marca o início da Primavera. A primavera marca o fim do inverno, o fim do período da morte, e neste mês de Abib, a terra começará a ser renovada. Não é atoa que a primavera é um símbolo da chegada do Messias (Cantares 2.11,12).


"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. [...] E o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; e todo o ajuntamento da congregação de Israel o matará no crepúsculo da tarde." (v3-6)


O cordeiro deveria ser separado quatro dias antes da Páscoa. Jesus, como o Cordeiro de Deus, entra em Jerusalém exatamente nesse período, se apresentando ao povo para ser examinado antes do sacrifício. Os sacerdotes do Templo o avaliam e não conseguiram acusá-lo mediante a Lei (Mateus 26:59-60), as autoridades do povo também declararam que não foi achada culpa Nele (Lucas 23:13-15).

O cordeiro deveria ser macho, sem defeito, sem impureza, deveria ter um ano (idade com a qual o animal não teria tido ato sexual). Tudo isso aponta para Jesus, que foi puro, não se contaminou com o pecado, homem perfeito e que cumpriu a Lei até nos mínimos detalhes. 


Embora na primeira Páscoa milhares de cordeiros foram sacrificados, é muito curioso que o texto trate o cordeiro no singular, quando diz que no dia 14, “todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde” (Ex12:6). Mesmo que cada família tivesse o seu cordeiro, a Torá fala como se fosse um só cordeiro por toda a nação, imolado por toda a congregação. Por alguns momentos parece que o texto de Êxodo se encaixa até melhor com a morte de Jesus do que com a morte dos cordeiros e cabritos no Egito.

Imagine a cena: Uma família matando um cordeiro e assando ele para comer. Era uma cena comum, poucos elementos indicavam que era um sacrifício religioso. Havia uma questão espiritual importante acontecendo ali, mas não parecia. Uma das maiores manifestações de Deus estava acontecendo diante dos seus olhos, mas não parecia. O ordinário e o extraodinário, o natural e o solene, se encontraram naquela noite. Quem olhasse a cena, diria que era apenas uma família preparando uma refeição. Mas por trás do que os olhos podem ver, haviam realidades espirituais sendo estabelecidas. Não foi assim na cruz? Parecia apenas mais um crucificado por Roma, mas ali estava o próprio Deus sendo crucificado. Sem perceber o extraordinário, acabaram cumprindo a Lei e os profetas.


Deus havia enviado um decreto de que faria Justiça contra todo pecado do Egito. Mas ao fazer um decreto contra os pecados do Egito, Israel que além de habitar no Egito, também não estava isenta dos mesmos pecados. Conforme vemos no profeta Ezequiel (Ez 20:7-8), Israel também havia se contaminado no Egito. Ou seja, o povo que Deus queria salvar se tornou réu do decreto e da Justiça do próprio Deus. É como se você indignado com a criminalidade clamasse “Deus, faça Justiça na nossa nação”. Imagine se Deus atende essa oração e você mesmo, que orou, não é achado perfeito no Tribunal de Deus. Imagina se Deus desce para executar sua Justiça contra toda a impiedade da nossa nação e ao descer ele observa a sua injustiça com a sua esposa, com seus vizinhos, ou com o seu colega de trabalho. “Quem suportará o dia da sua vinda? Quem poderá permanecer de pé quando ele aparecer?” (Malaquias 3:2)
O profeta Isaías usa o verbo “páscoa” como sinônimo de “proteção”; Deus protegendo seu povo. Ou literalmente “Passando por cima” ou “cobrindo”, assim como um pássaro cobre ou “passa por cima” dos seus filhotes no ninho. Esta praga era um juízo direto de Deus sobre o pecado, e contra a Justiça de Deus não há abrigo seguro senão no próprio Deus. O próprio Deus precisava “cobrir” o seu povo. Portanto é o próprio Deus que precisa dar um meio de Israel ser salvo da punição. E este é o meio: Eles precisavam passar o sangue do cordeiro que foi morto no batente das portas.

O cordeiro deveria ser morto, e assado no fogo (v6-9), o que simbolizava os sofrimentos intensos do Senhor Jesus até a morte. A ira de Deus é como fogo (Dt 4:24, Sl 89:46, Ez 22:31), e Cristo bebeu o cálice amargo da ira de Deus em nosso lugar. “O cordeiro devia ser morto por toda a congregação”, refletindo que todo o povo (e, de modo mais amplo, toda a humanidade) temos responsabilidade na morte de Cristo.


Na primeira Páscoa os judeus revivem o que eles comeram naquela noite. Na última Ceia, a igreja revive o que Cristo e os apóstolos comeram naquela noite.

A lembrança da Páscoa e da Ceia tocam ao mesmo tempo no passado, no presente e no futuro. É como se do ponto de vista litúrgico e cultico você transcendesse em direção à eternidade. Participar da Ceia do Senhor é portanto participar da Páscoa.

O cordeiro pascal não foi sacrificado apenas para ser contemplado, mas para ser consumido. Da mesma maneira, precisamos nos apropriar de Cristo pela fé, assim como fazemos com o alimento que ingerimos. Ele deve ser para nós fonte de força e sustento espiritual, assim como a comida fortalece o corpo. E, mais do que isso, devemos encontrar em Cristo alegria e satisfação, do mesmo modo que sentimos prazer ao comer e beber quando temos fome ou sede. Reafirmamos simbolicamente essa verdade ao participar da Ceia do Senhor, assim como os hebreus reafirmavam a libertação por meio dos símbolos da celebração da Páscoa.


Nenhum incircunciso poderá participar. No verso 48, diz que se um estrangeiro quiser celebrar a Páscoa do Senhor terá que circuncidar-se, e poderá participar como o natural da terra. Há uma só lei aplicada aos judeus e gentios que receberam o sinal do pacto. Na Nova Aliança não é diferente, todo aquele que quiser participar da Mesa do Senhor, deve anter ter passado pela circuncisão do coração (Colossenses 2.11. 2). Antes de tomar um lugar na Ceia do Senhor é necessário que o Espírito Santo tenha operado o novo nascimento, sendo judeu ou gentio a regra é a mesma (v49), o que nos mostra a unidade do corpo de Cristo.

A Páscoa da Antiga Aliança tinha um alcance limitado: recordava a saída do Egito e a conquista de Canaã, uma libertação passageira. Israel voltou a ser escravo novamente. Por outro lado, a morte de Cristo realizou uma libertação muito mais profunda e definitiva: quebrou para sempre o domínio do pecado e abriu para os crentes a esperança de uma pátria muito superior à Canaã terrena. O que permanece agora é a redenção eterna, que será celebrada pelos santos já glorificados na presença de Deus e sem data para acabar.

Deixe-me compartilhar uma ilustração que ouvi do Dr. Don Carson.
Imagine dois judeus, Smith e Brown, conversando na véspera da primeira Páscoa, na terra de Gósen.

Smith diz:
— Eu confesso que estou um pouco nervoso com o que vai acontecer esta noite.

Brown responde:
— Ora, Deus nos disse exatamente o que fazer através de Moisés. Você não precisa ficar ansioso. Você não matou o cordeiro, não passou o sangue nos batentes da porta e não está preparado para comer a refeição pascal com a sua família?

Smith responde:
— Claro que sim! Não sou tolo. Mas ainda assim… é assustador. Pense em tudo o que aconteceu ultimamente: as moscas, o rio transformado em sangue, a escuridão, e agora essa ameaça de morte do primogênito. Você tem três filhos, mas eu só tenho um, e amo meu Charlie. E o Anjo da Morte passará esta noite… Eu sei o que Deus disse, eu coloquei o sangue na porta, mas ainda estou apavorado. Vou ficar aliviado quando essa noite passar.

E Brown retruca:
— Pois que venha esta noite! Eu confio nas promessas de Deus.

Naquela noite, o Anjo da Morte percorreu toda a terra. E a pergunta é: qual dos dois perdeu o filho?

A resposta é óbvia: nenhum deles.

Porque a salvação naquela noite não veio da intensidade da fé de cada um, mas do sangue do cordeiro. O Anjo da Morte não quis saber quantas atitudes boas haviam feito, quão firme era a fé de cada um, ou se sua teologia estava impecável. O que importava era apenas uma coisa: o sangue estava ali?

Eles não foram poupados por méritos pessoais, nem pela grandeza de sua fé, mas pelo sangue do cordeiro. A segurança não estava na fé em si, mas no objeto da fé. Desde sempre a salvação foi por graça e não por obras, nunca foi por mérito. Diante da Justiça do Deus infinitamente Santo eu não tenho outro argumento a não ser o sangue do Cordeiro, me basta que Jesus Cristo morreu, e morreu por mim.

"Eles venceram pelo sangue do Cordeiro" (Apocalipse 12:11). Este é o fundamento de toda segurança humana diante de Deus. Sua fé pode ser pequena como um grão de mostarda, mas se estiver posta no Cordeiro de Deus, você será salvo. O Cordeiro é ofertado hoje, e deve ser recebido hoje, antes que durmamos o sono da morte.

“Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7)

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sábado, 14 de março de 2026

16:56 - No comments

Jesus em Êxodo 11: A igreja dos Primogênitos

 

"Os estrangeiros vieram para o Egito [...] eles têm crescido e estão por toda a parte [...] o Nilo se tornou em sangue [...] as casas e as plantações estão em chamas [...] a casa real perdeu todos os seus escravos [...] os mortos estão sendo sepultados pelo rio [...] os pobres escravos estão se tornando os donos de tudo [...] os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente [...] o nosso ouro está no pescoço dos escravos [...] o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival".


Este é um trecho de um achado arqueológico, conhecido como Papiro de Ipuwer, é o relato de uma testemunha ocular egipcia que coincide com o relato biblico das 10 pragas sobre o Egito. Neste relato, menciona que o ouro dos egipcios está no pescoço dos escravos. Algo similar aconteceu com Abraão quando desceu ao Egito por causa da fome. Lá, por causa de Sara, Faraó dá a ele prata, ouro, gado e servos (Gn 12:16). Mas quando Faraó descobre que Sara era esposa de Abraão, ele o expulsa — e Abraão sai do Egito mais rico do que entrou. Com Moisés o dejavu se torna muito maior. E com Jesus se torna muito maior ainda. Em Colossenses 2:15, Paulo escreve:

“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz.”

Jesus, ao morrer e ressuscitar, dá um golpe fatal no império das trevas. Assim como Israel despojou o Egito, Jesus despojou os poderes malignos e libertou os cativos. “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Assim como Israel no Egito, Jesus triunfa através do sofrimento, e não por força militar. No Êxodo, Deus julga o pecado dos egipcios e expõe ao ridículo os deuses do Egito (Êx 12:12). Na cruz, os pecados do mundo são julgados e os planos das forças espirituais do mal são expostos ao ridículo (João 12:31). Em ambos os casos, os que estavam oprimidos saem vitoriosos. Abraão saiu com alguns presentes, Israel com toda riqueza do Egito, e os crentes com os dons do Espírito Santo. Mas não parou aqui. Todos os dias, a igreja de Cristo continua despojando o inferno através do evangelismo (Lc 11:21).


Deus anuncia a condenação do Egito. Os egipcios haviam matado os filhos dos Israelitas, e agora Deus executará sua santa justiça de forma proporcional: matando o filho dos egipcios (Êxodo 4:22-23). É a justiça santa de Deus se manifestando de forma proporcional, solene e irreversível. Aquilo que os egípcios semearam, agora colherão. O que vemos aqui não é apenas uma tragédia histórica, mas um vislumbre antecipado do juízo eterno. Se Deus se vingou assim por matarem os filhos dos israelitas, o que Ele não fará para com aqueles que mataram, rejeitaram e cuspiram no Seu único Filho?


Deus diz que haverá um clamor em toda a terra do Egito à meia-noite. Curisosamente, na parábola das dez virgens, Jesus contou que, à meia noite, ouviu-se um grande clamor. O Noivo havia retornado e aquelas noivas que não estavam preparadas sofreram as consequências do Juizo de Deus. No contexto dos israelitas no Egito, a meia-noite era um ponto de não-retorno, para quem não se preparou não haveria mais tempo de comprar um cordeiro, matar, prepará-lo, conseguir as ervas amargas, passar o sangue do cordeiro nas portas. O comércio estava fechado e o seu vizinho crente certamente não abriria mais a porta por nada neste mundo. A porta da Graça havia se fechado, era o momento do Juízo de Deus.

O coração orgulhoso do rei do Egito não se renderia, nem para salvar todos os primogênitos de seu reino: A humanidade em sua rebelião contra Deus está cega, e nem mesmo o perigo óbvio e iminente lhes fazem temer. Moisés, depois disso, foi levado a uma santa indignação, sendo afligido pela dureza do coração do Faraó. Jesus, o Nosso Libertador, teve o mesmo sentimento de indignação diante da dureza do coração daqueles que governavam o povo de Israel: “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração” (Marcos 3:5). A Escritura previu a incredulidade dos que ouviriam o Evangelho, para que isso não fosse uma surpresa para nós. (João 12.37,38)


Observe que embora o Faraó odiasse Moisés, ele tinha servos que respeitavam o homem de Deus. O mesmo aconteceu na casa de César, e na casa de Nero: ali havia alguns que tinham admiração e respeito pelos apóstolos de Cristo (Filipenses 1.13).


Mas porque o primogênito e não todos os filhos dos egipcios? A primeira resposta é por misericórdia, seria justo se Deus matasse todos os filhos dos egipcios. Até na Justiça de Deus encontramos a Sua Misericórdia. Mas uma segunda razão é a questão da representatividade. Na cultura antiga, especialmente no Egito, o primogênito era o herdeiro principal, símbolo da continuidade, força e bênção da família. Matar o primogênito era um golpe representativo — destruir a “esperança futura” da nação. “Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias do seu vigor” (Sl 78.51). Ao julgar os primogênitos, Deus atingiu diretamente o coração da identidade, orgulho e futuro do Egito, e demonstrou que toda a força humana é vã diante dEle.


O Deus da Bíblia leva muito a sério essa questão da representatividade. Se os primogênitos egipcios foram condenados por uma representatividade (conforme mostra o Salmo 78.51), qual a representatividade por trás da salvação dos primogênitos de Israel? Qual a representatividade do sangue do cordeiro?
Se formos atentos perceberemos o jeito que o Eterno age em todas as eras: um povo escravizado é liberto por meio do sangue de um cordeiro, triunfa pela fé, despoja os opressores e caminha rumo à terra prometida. Esse povo é chamado em Hebreus 12:23 de “a igreja dos primogênitos arrolados nos céus”. Se você crê em Jesus Cristo, você será como esses primogênitos dos hebreus que foram poupados pelo Sangue do Cordeiro.

O Egito já caiu. O Faraó já foi derrotado. Os deuses do mundo já foram expostos ao desprezo. A porta da graça ainda está aberta, mas à meia-noite ela se fechará. Até lá, a igreja dos primogênitos continuará anunciando o único meio de salvação, proclamando a libertação, despojando o inferno, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão pois pouco tempo resta, e logo mais veremos com os nossos olhos, o Cordeiro que ressuscitou descendo do céus como Leão.

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Jesus em Êxodo 10: Houve trevas sobre toda a terra

Enxames de gafanhotos cobrem a terra, devoram toda a plantação e destroem o que restou das colheitas, trazendo ruína total sobre um império arrogante. Embora em Êxodo os gafanhotos sejam literais, em outros textos da Bíblia gafanhotos são uma figura de tropas invasoras inimigas (Naum 3:15-17, Joel 2:2-4). No Apocalipse, na quinta trombeta diz: “Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, e foi-lhes dado poder como o dos escorpiões da terra. E foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a coisa verde alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte” (Apocalipse 9:3-4).

No meu comentário de Gênesis 2, mencionei que na cultura judaica era bem comum fazer comparativos entre pessoas e árvores. Em Apocalipse é feito um paralelo neste sentido, uma nova praga de gafanhotos é anunciada, mas não fala de destruição agrícola, mas simboliza a devastação decorrente da invasão das tropas demoníacas, que corrói as coisas boas e deixa a alma vazia e faminta do verdadeiro alimento. Assim como a terra egípcia ficou assolada, a vida humana sem Deus é invadida por um “exército de demônios” de destruição moral e espiritual.

O profeta Joel anunciou um juízo semelhante com gafanhotos — mas ao mesmo tempo prometendo restauração e esperança ao povo arrependido: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto” (Joel 2:25), isso é dito no mesmo momento que Deus promete o vinho novo (uma nova aliança) e a restauração verdadeira vinda do derramar do Espírito Santo, que foi enviado por Jesus no Pentecostes. Jesus é aquele que restaura o que foi perdido pelo juízo, e o Espírito Santo é o que devolve vida ao que estava destruído, e nos garante uma colheita nova e abundante para aqueles que se voltam para Ele.


Além do paralelo que há entre Êxodo e Apocalipse, há também um paralelo entre esses dois e a cruz de Cristo. O Juízo de Deus em Êxodo é um anúncio profético do que será o Juízo de Deus no Apocalipse, e a cruz é o mesmo Juízo de Deus no Apocalipse antecipado e punido em Jesus. Logo, se você está em Jesus você já passou pelo Juízo Final, ele aconteceu na cruz. Jesus passou pelo Juízo Final no seu lugar.

Uma coisa que houve no Êxodo, foi profetizado no mesmo texto de Joel quanto ao futuro Dia do Senhor, e aconteceu na crucificação e que vai acontecer novamente no Dia do Juízo Final é a praga das densas trevas.


As trevas sobre o Egito (Êxodo 10:21-23), eram parte do juízo de Deus contra o pecado que antecedeu a morte dos primogênitos e a morte substitutiva do cordeiro da páscoa. Enquanto o Egito foi deixado na escuridão sem saída, os filhos de Israel tiveram luz em suas habitações (Êxodo 10:23). Na cruz, Jesus suportou a praga das trevas para que hoje pudéssemos viver na Sua luz (João 8:12). No Antigo e no Novo Testamento, em ambos, Deus providenciou luz para o seu povo.


“Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra [...] E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; tremeu a terra, e fenderam-se as rochas.” (Mateus 27:51)

“No quarto ano da 202ª Olimpíada (ou seja, aproximadamente no ano 31 do nosso calendário), houve o maior eclipse de sol já registrado, e a noite chegou na sexta hora do dia (que é ao meio dia), de modo que as estrelas apareceram no céu. Houve também um grande terremoto na Bitínia que destruiu boa parte de Nicéia” (Flégon, historiador grego do século II)

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