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"Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família. [...] E o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; e todo o ajuntamento da congregação de Israel o matará no crepúsculo da tarde." (v3-6)
O cordeiro deveria ser separado quatro dias antes da Páscoa. Jesus, como o Cordeiro de Deus, entra em Jerusalém exatamente nesse período, se apresentando ao povo para ser examinado antes do sacrifício. Os sacerdotes do Templo o avaliam e não conseguiram acusá-lo mediante a Lei (Mateus 26:59-60), as autoridades do povo também declararam que não foi achada culpa Nele (Lucas 23:13-15).
O cordeiro deveria ser macho, sem defeito, sem impureza, deveria ter um ano (idade com a qual o animal não teria tido ato sexual). Tudo isso aponta para Jesus, que foi puro, não se contaminou com o pecado, homem perfeito e que cumpriu a Lei até nos mínimos detalhes.
Embora na primeira Páscoa milhares de cordeiros foram sacrificados, é muito curioso que o texto trate o cordeiro no singular, quando diz que no dia 14, “todo o ajuntamento da congregação de Israel o imolará no crepúsculo da tarde” (Ex12:6). Mesmo que cada família tivesse o seu cordeiro, a Torá fala como se fosse um só cordeiro por toda a nação, imolado por toda a congregação. Por alguns momentos parece que o texto de Êxodo se encaixa até melhor com a morte de Jesus do que com a morte dos cordeiros e cabritos no Egito.
Imagine a cena: Uma família matando um cordeiro e assando ele para comer. Era uma cena comum, poucos elementos indicavam que era um sacrifício religioso. Havia uma questão espiritual importante acontecendo ali, mas não parecia. Uma das maiores manifestações de Deus estava acontecendo diante dos seus olhos, mas não parecia. O ordinário e o extraodinário, o natural e o solene, se encontraram naquela noite. Quem olhasse a cena, diria que era apenas uma família preparando uma refeição. Mas por trás do que os olhos podem ver, haviam realidades espirituais sendo estabelecidas. Não foi assim na cruz? Parecia apenas mais um crucificado por Roma, mas ali estava o próprio Deus sendo crucificado. Sem perceber o extraordinário, acabaram cumprindo a Lei e os profetas.
Deus havia enviado um decreto de que faria Justiça contra todo pecado do Egito. Mas ao fazer um decreto contra os pecados do Egito, Israel que além de habitar no Egito, também não estava isenta dos mesmos pecados. Conforme vemos no profeta Ezequiel (Ez 20:7-8), Israel também havia se contaminado no Egito. Ou seja, o povo que Deus queria salvar se tornou réu do decreto e da Justiça do próprio Deus. É como se você indignado com a criminalidade clamasse “Deus, faça Justiça na nossa nação”. Imagine se Deus atende essa oração e você mesmo, que orou, não é achado perfeito no Tribunal de Deus. Imagina se Deus desce para executar sua Justiça contra toda a impiedade da nossa nação e ao descer ele observa a sua injustiça com a sua esposa, com seus vizinhos, ou com o seu colega de trabalho. “Quem suportará o dia da sua vinda? Quem poderá permanecer de pé quando ele aparecer?” (Malaquias 3:2)
O profeta Isaías usa o verbo “páscoa” como sinônimo de “proteção”; Deus protegendo seu povo. Ou literalmente “Passando por cima” ou “cobrindo”, assim como um pássaro cobre ou “passa por cima” dos seus filhotes no ninho. Esta praga era um juízo direto de Deus sobre o pecado, e contra a Justiça de Deus não há abrigo seguro senão no próprio Deus. O próprio Deus precisava “cobrir” o seu povo. Portanto é o próprio Deus que precisa dar um meio de Israel ser salvo da punição. E este é o meio: Eles precisavam passar o sangue do cordeiro que foi morto no batente das portas.
O cordeiro deveria ser morto, e assado no fogo (v6-9), o que simbolizava os sofrimentos intensos do Senhor Jesus até a morte. A ira de Deus é como fogo (Dt 4:24, Sl 89:46, Ez 22:31), e Cristo bebeu o cálice amargo da ira de Deus em nosso lugar. “O cordeiro devia ser morto por toda a congregação”, refletindo que todo o povo (e, de modo mais amplo, toda a humanidade) temos responsabilidade na morte de Cristo.
Na primeira Páscoa os judeus revivem o que eles comeram naquela noite. Na última Ceia, a igreja revive o que Cristo e os apóstolos comeram naquela noite.
A lembrança da Páscoa e da Ceia tocam ao mesmo tempo no passado, no presente e no futuro. É como se do ponto de vista litúrgico e cultico você transcendesse em direção à eternidade. Participar da Ceia do Senhor é portanto participar da Páscoa.
O cordeiro pascal não foi sacrificado apenas para ser contemplado, mas para ser consumido. Da mesma maneira, precisamos nos apropriar de Cristo pela fé, assim como fazemos com o alimento que ingerimos. Ele deve ser para nós fonte de força e sustento espiritual, assim como a comida fortalece o corpo. E, mais do que isso, devemos encontrar em Cristo alegria e satisfação, do mesmo modo que sentimos prazer ao comer e beber quando temos fome ou sede. Reafirmamos simbolicamente essa verdade ao participar da Ceia do Senhor, assim como os hebreus reafirmavam a libertação por meio dos símbolos da celebração da Páscoa.
Nenhum incircunciso poderá participar. No verso 48, diz que se um estrangeiro quiser celebrar a Páscoa do Senhor terá que circuncidar-se, e poderá participar como o natural da terra. Há uma só lei aplicada aos judeus e gentios que receberam o sinal do pacto. Na Nova Aliança não é diferente, todo aquele que quiser participar da Mesa do Senhor, deve anter ter passado pela circuncisão do coração (Colossenses 2.11. 2). Antes de tomar um lugar na Ceia do Senhor é necessário que o Espírito Santo tenha operado o novo nascimento, sendo judeu ou gentio a regra é a mesma (v49), o que nos mostra a unidade do corpo de Cristo.
A Páscoa da Antiga Aliança tinha um alcance limitado: recordava a saída do Egito e a conquista de Canaã, uma libertação passageira. Israel voltou a ser escravo novamente. Por outro lado, a morte de Cristo realizou uma libertação muito mais profunda e definitiva: quebrou para sempre o domínio do pecado e abriu para os crentes a esperança de uma pátria muito superior à Canaã terrena. O que permanece agora é a redenção eterna, que será celebrada pelos santos já glorificados na presença de Deus e sem data para acabar.
Deixe-me compartilhar uma ilustração que ouvi do Dr. Don Carson.
Imagine dois judeus, Smith e Brown, conversando na véspera da primeira Páscoa, na terra de Gósen.
Smith diz:
— Eu confesso que estou um pouco nervoso com o que vai acontecer esta noite.
Brown responde:
— Ora, Deus nos disse exatamente o que fazer através de Moisés. Você não precisa ficar ansioso. Você não matou o cordeiro, não passou o sangue nos batentes da porta e não está preparado para comer a refeição pascal com a sua família?
Smith responde:
— Claro que sim! Não sou tolo. Mas ainda assim… é assustador. Pense em tudo o que aconteceu ultimamente: as moscas, o rio transformado em sangue, a escuridão, e agora essa ameaça de morte do primogênito. Você tem três filhos, mas eu só tenho um, e amo meu Charlie. E o Anjo da Morte passará esta noite… Eu sei o que Deus disse, eu coloquei o sangue na porta, mas ainda estou apavorado. Vou ficar aliviado quando essa noite passar.
E Brown retruca:
— Pois que venha esta noite! Eu confio nas promessas de Deus.
Naquela noite, o Anjo da Morte percorreu toda a terra. E a pergunta é: qual dos dois perdeu o filho?
A resposta é óbvia: nenhum deles.
Porque a salvação naquela noite não veio da intensidade da fé de cada um, mas do sangue do cordeiro. O Anjo da Morte não quis saber quantas atitudes boas haviam feito, quão firme era a fé de cada um, ou se sua teologia estava impecável. O que importava era apenas uma coisa: o sangue estava ali?
Eles não foram poupados por méritos pessoais, nem pela grandeza de sua fé, mas pelo sangue do cordeiro. A segurança não estava na fé em si, mas no objeto da fé. Desde sempre a salvação foi por graça e não por obras, nunca foi por mérito. Diante da Justiça do Deus infinitamente Santo eu não tenho outro argumento a não ser o sangue do Cordeiro, me basta que Jesus Cristo morreu, e morreu por mim.
"Eles venceram pelo sangue do Cordeiro" (Apocalipse 12:11). Este é o fundamento de toda segurança humana diante de Deus. Sua fé pode ser pequena como um grão de mostarda, mas se estiver posta no Cordeiro de Deus, você será salvo. O Cordeiro é ofertado hoje, e deve ser recebido hoje, antes que durmamos o sono da morte.
“Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Co 5:7)
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"Os estrangeiros vieram para o Egito [...] eles têm crescido e estão por toda a parte [...] o Nilo se tornou em sangue [...] as casas e as plantações estão em chamas [...] a casa real perdeu todos os seus escravos [...] os mortos estão sendo sepultados pelo rio [...] os pobres escravos estão se tornando os donos de tudo [...] os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente [...] o nosso ouro está no pescoço dos escravos [...] o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival".
Este é um trecho de um achado arqueológico, conhecido como Papiro de Ipuwer, é o relato de uma testemunha ocular egipcia que coincide com o relato biblico das 10 pragas sobre o Egito. Neste relato, menciona que o ouro dos egipcios está no pescoço dos escravos. Algo similar aconteceu com Abraão quando desceu ao Egito por causa da fome. Lá, por causa de Sara, Faraó dá a ele prata, ouro, gado e servos (Gn 12:16). Mas quando Faraó descobre que Sara era esposa de Abraão, ele o expulsa — e Abraão sai do Egito mais rico do que entrou. Com Moisés o dejavu se torna muito maior. E com Jesus se torna muito maior ainda. Em Colossenses 2:15, Paulo escreve:
“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz.”
Jesus, ao morrer e ressuscitar, dá um golpe fatal no império das trevas. Assim como Israel despojou o Egito, Jesus despojou os poderes malignos e libertou os cativos. “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Assim como Israel no Egito, Jesus triunfa através do sofrimento, e não por força militar. No Êxodo, Deus julga o pecado dos egipcios e expõe ao ridículo os deuses do Egito (Êx 12:12). Na cruz, os pecados do mundo são julgados e os planos das forças espirituais do mal são expostos ao ridículo (João 12:31). Em ambos os casos, os que estavam oprimidos saem vitoriosos. Abraão saiu com alguns presentes, Israel com toda riqueza do Egito, e os crentes com os dons do Espírito Santo. Mas não parou aqui. Todos os dias, a igreja de Cristo continua despojando o inferno através do evangelismo (Lc 11:21).
Deus anuncia a condenação do Egito. Os egipcios haviam matado os filhos dos Israelitas, e agora Deus executará sua santa justiça de forma proporcional: matando o filho dos egipcios (Êxodo 4:22-23). É a justiça santa de Deus se manifestando de forma proporcional, solene e irreversível. Aquilo que os egípcios semearam, agora colherão. O que vemos aqui não é apenas uma tragédia histórica, mas um vislumbre antecipado do juízo eterno. Se Deus se vingou assim por matarem os filhos dos israelitas, o que Ele não fará para com aqueles que mataram, rejeitaram e cuspiram no Seu único Filho?
Deus diz que haverá um clamor em toda a terra do Egito à meia-noite. Curisosamente, na parábola das dez virgens, Jesus contou que, à meia noite, ouviu-se um grande clamor. O Noivo havia retornado e aquelas noivas que não estavam preparadas sofreram as consequências do Juizo de Deus. No contexto dos israelitas no Egito, a meia-noite era um ponto de não-retorno, para quem não se preparou não haveria mais tempo de comprar um cordeiro, matar, prepará-lo, conseguir as ervas amargas, passar o sangue do cordeiro nas portas. O comércio estava fechado e o seu vizinho crente certamente não abriria mais a porta por nada neste mundo. A porta da Graça havia se fechado, era o momento do Juízo de Deus.
O coração orgulhoso do rei do Egito não se renderia, nem para salvar todos os primogênitos de seu reino: A humanidade em sua rebelião contra Deus está cega, e nem mesmo o perigo óbvio e iminente lhes fazem temer. Moisés, depois disso, foi levado a uma santa indignação, sendo afligido pela dureza do coração do Faraó. Jesus, o Nosso Libertador, teve o mesmo sentimento de indignação diante da dureza do coração daqueles que governavam o povo de Israel: “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração” (Marcos 3:5). A Escritura previu a incredulidade dos que ouviriam o Evangelho, para que isso não fosse uma surpresa para nós. (João 12.37,38)
Observe que embora o Faraó odiasse Moisés, ele tinha servos que respeitavam o homem de Deus. O mesmo aconteceu na casa de César, e na casa de Nero: ali havia alguns que tinham admiração e respeito pelos apóstolos de Cristo (Filipenses 1.13).
Mas porque o primogênito e não todos os filhos dos egipcios? A primeira resposta é por misericórdia, seria justo se Deus matasse todos os filhos dos egipcios. Até na Justiça de Deus encontramos a Sua Misericórdia. Mas uma segunda razão é a questão da representatividade. Na cultura antiga, especialmente no Egito, o primogênito era o herdeiro principal, símbolo da continuidade, força e bênção da família. Matar o primogênito era um golpe representativo — destruir a “esperança futura” da nação. “Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias do seu vigor” (Sl 78.51). Ao julgar os primogênitos, Deus atingiu diretamente o coração da identidade, orgulho e futuro do Egito, e demonstrou que toda a força humana é vã diante dEle.
O Egito já caiu. O Faraó já foi derrotado. Os deuses do mundo já foram expostos ao desprezo. A porta da graça ainda está aberta, mas à meia-noite ela se fechará. Até lá, a igreja dos primogênitos continuará anunciando o único meio de salvação, proclamando a libertação, despojando o inferno, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão pois pouco tempo resta, e logo mais veremos com os nossos olhos, o Cordeiro que ressuscitou descendo do céus como Leão.
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Enxames de gafanhotos cobrem a terra, devoram toda a plantação e destroem o que restou das colheitas, trazendo ruína total sobre um império arrogante. Embora em Êxodo os gafanhotos sejam literais, em outros textos da Bíblia gafanhotos são uma figura de tropas invasoras inimigas (Naum 3:15-17, Joel 2:2-4). No Apocalipse, na quinta trombeta diz: “Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, e foi-lhes dado poder como o dos escorpiões da terra. E foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a coisa verde alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte” (Apocalipse 9:3-4).
No meu comentário de Gênesis 2, mencionei que na cultura judaica era bem comum fazer comparativos entre pessoas e árvores. Em Apocalipse é feito um paralelo neste sentido, uma nova praga de gafanhotos é anunciada, mas não fala de destruição agrícola, mas simboliza a devastação decorrente da invasão das tropas demoníacas, que corrói as coisas boas e deixa a alma vazia e faminta do verdadeiro alimento. Assim como a terra egípcia ficou assolada, a vida humana sem Deus é invadida por um “exército de demônios” de destruição moral e espiritual.
O profeta Joel anunciou um juízo semelhante com gafanhotos — mas ao mesmo tempo prometendo restauração e esperança ao povo arrependido: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto” (Joel 2:25), isso é dito no mesmo momento que Deus promete o vinho novo (uma nova aliança) e a restauração verdadeira vinda do derramar do Espírito Santo, que foi enviado por Jesus no Pentecostes. Jesus é aquele que restaura o que foi perdido pelo juízo, e o Espírito Santo é o que devolve vida ao que estava destruído, e nos garante uma colheita nova e abundante para aqueles que se voltam para Ele.
Além do paralelo que há entre Êxodo e Apocalipse, há também um paralelo entre esses dois e a cruz de Cristo. O Juízo de Deus em Êxodo é um anúncio profético do que será o Juízo de Deus no Apocalipse, e a cruz é o mesmo Juízo de Deus no Apocalipse antecipado e punido em Jesus. Logo, se você está em Jesus você já passou pelo Juízo Final, ele aconteceu na cruz. Jesus passou pelo Juízo Final no seu lugar.
Uma coisa que houve no Êxodo, foi profetizado no mesmo texto de Joel quanto ao futuro Dia do Senhor, e aconteceu na crucificação e que vai acontecer novamente no Dia do Juízo Final é a praga das densas trevas.
As trevas sobre o Egito (Êxodo 10:21-23), eram parte do juízo de Deus contra o pecado que antecedeu a morte dos primogênitos e a morte substitutiva do cordeiro da páscoa. Enquanto o Egito foi deixado na escuridão sem saída, os filhos de Israel tiveram luz em suas habitações (Êxodo 10:23). Na cruz, Jesus suportou a praga das trevas para que hoje pudéssemos viver na Sua luz (João 8:12). No Antigo e no Novo Testamento, em ambos, Deus providenciou luz para o seu povo.
“Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra [...] E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; tremeu a terra, e fenderam-se as rochas.” (Mateus 27:51)
“No quarto ano da 202ª Olimpíada (ou seja, aproximadamente no ano 31 do nosso calendário), houve o maior eclipse de sol já registrado, e a noite chegou na sexta hora do dia (que é ao meio dia), de modo que as estrelas apareceram no céu. Houve também um grande terremoto na Bitínia que destruiu boa parte de Nicéia” (Flégon, historiador grego do século II)
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O texto sagrado mostra repetidas vezes que o coração de Faraó foi endurecido por Deus, impedindo-o de ouvir as advertências de Moisés e Arão. Muitos se perguntam: “Deus seria injusto ao endurecer o coração de um homem?”
A própria Torá nos mostra que Faraó já era arrogante, idólatra e opressor. Ele já estava inclinado ao mal. O endurecimento promovido por Deus foi, portanto, parte da punição, expondo o pecado já presente nele, e transformando-o em um meio para a revelação do poder divino (Êx 9:16). Deus puniu o pecado de Faraó entregando ele ao seu próprio coração para que ele pecasse ainda mais.
O livro de Provérbios confirma este princípio:
Provérbios 16:4 — “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, até o perverso para o dia do mal.”
Mas o problema óbvio disso é exposto por Davi: “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Salmo 14:3). Ou seja, não existe ninguém merecedor do favor de Deus; o Eterno tem todo o direito de escolher amolecer ou endurecer quem quiser, pois todos somos pecadores por natureza. Deus molda vasos para honra e vasos para juízo, segundo Seus propósitos. É exatamente essa a argumentação de Paulo em Romanos 9:17-21, quando cita Êxodo 9:16. Ele lembra que Deus não age de forma injusta, mas soberana e perfeitamente justa: se endurece, é para revelar Seu poder e justiça; se salva, é para revelar sua misericórdia e amor. Essa visão não fere a justiça divina; ao contrário, a exalta. Pois Deus jamais é injusto ao condenar o que já é pecador.
“Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniquidades” (Salmo 103:10). Se Ele não nos trata como merecemos, é pura graça. Mas se tratar alguém exatamente conforme merece — condenação — também será justiça perfeita.
Portanto: Se Deus endurece o pecador, Ele é justo, porque todos pecaram. Ele não está dando nada além do que a pessoa já merece (Salmo 143:2). Se Ele perdoa, é graça, porque ninguém merece. Logo, Deus é livre para fazer o que Ele quiser, com quem Ele quiser.
“Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18:6)
Para uns Deus dá Justiça, para outros Deus dá graça, mas para ninguém Ele dá injustiça. O que me impressiona não é o fato de Deus endurecer Faraó, mas o de salvar Israel. O povo de Israel também não era justo aos olhos de Deus (Deuteronômio 9:4-6, Ezequiel 20:5-9), mas os hebreus foram alvos da misericórdia do Senhor.
Em Apocalipse, assim como nas pragas do Egito, pode-se observar que entre os juizos de Deus contra a Grande Babilônia, incluem úlceras e chuvas de pedras (granizo):
“Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem sobrevieram úlceras malignas e perniciosas.” (Apocalipse 16:2):
“E sobrevieram do céu sobre os homens grandes pedras de granizo, que pesavam cerca de um talento; e por causa da praga do granizo, blasfemaram os homens de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande.” (Apocalipse 16:21)
No Êxodo, alguém pego em prostituição era condenado por apedrejamento (Deuteronômio 22:22-24), já em Apocalipse vemos o juízo da Grande Babilônia, que o texto chama de ‘a grande meretriz’, sendo atingidas por pedras vindas do céus.
A mensagem do Êxodo não perde sua forma no Novo Testamento: Deus continua salvando Seu povo por meio de juízo. Em Apocalipse, Deus salva o seu povo por meio da condenação do mundo. Mas sobretudo nos Evangelhos, a salvação da escravidão do pecado vem por meio do juízo de Deus caindo sobre Jesus na cruz. O Messias na cruz, para que todo aquele que nele crê seja livre, como Israel foi livre, e não tema as pragas do juízo final.
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Eu tinha certa dificuldade de entender porque Deus disse “Deixe o meu povo ir para que me preste culto” (Êxodo 8:1). Por que Deus insistia tanto nisso? Por que o foco era o culto, e não simplesmente a liberdade? Por um tempo, minha mente de criança tentou buscar explicações. Cheguei a me perguntar se aquilo era apenas uma forma de convencer Faraó, quase como um pretexto para a libertação. Mas logo percebi que essa hipótese não fazia sentido. Deus não mente, e Seus propósitos nunca são enganosos. Naquele tempo, eu conseguia entender que Deus queria libertar Israel porque a escravidão era algo cruel e injusto. Fazia sentido que um Deus bom quisesse acabar com aquilo. Mas havia algo mais... algo que eu ainda não enxergava completamente. No Novo Testamento, que eu comecei a entender o verdadeiro motivo por trás daquela libertação: Deus não apenas liberta o Seu povo da escravidão… Ele os liberta para Si. A liberdade é o meio. A adoração é o fim.
O objetivo da libertação que Cristo promete nunca foi apenas liberdade em si, mas a adoração (Hebreus 9:14). Depois de libertar o povo escolhido da Grande Babilônia, o Apocalipse termina em um culto a Deus (Ap 21:22). Paralelamente, o Êxodo termina com a construção do Tabernáculo para cultuar. A frase “para que me preste culto” não é secundária — ela é o centro. O fim da opressão não é autonomia, mas relacionamento com Deus, centralizado no culto. O fim dessa libertação não é apenas “estar livre”, e sim ser feito adorador em espírito e em verdade (Jo 4:23). A salvação não tem como fim último o alívio pessoal, mas a glória de Deus na comunhão com Seu povo. Você só se torna realmente livre quando está vivendo em plena comunhão com o Criador, caso contrário ainda é escravo do pecado, dos idolos, da culpa, de outros senhores… A adoração não é um detalhe no plano de redenção — é o seu alvo. Se no Êxodo, a libertação do Egito visava a adoração no Monte Sinai (Êx 3:12; 7:16), no Novo Testamento, Jesus liberta para sermos sacerdotes e adoradores diante do Santo Monte de Deus (Ap 5:9-10).
Semelhante às pragas do Apocalipse, em cada uma das pragas do Egito, DEUS está punindo o pecado e desmascarando os falsos idolos daquela sociedade. A praga das rãs descredibiliza a deusa egípcia Heqet, a deusa com cabeça de rã, ela não pode controlar a praga nem proteger os egípcios. DEUS mostrou que só Ele tem domínio absoluto sobre a vida e a criação.
Na praga dos piolhos, a divindade Geb (deus da terra) é atacada por DEUS. A falsa divindade egípcia não pode impedir que o pó da terra se torne em piolhos. Os magos egípcios até este momento reproduziram os milagres (ainda que de forma limitada e estranha), mas neste milagre não conseguiram reproduzir e reconheceram que "Isto é o dedo de Deus". Ao compararmos o Evangelho de Lucas (11:20) e Mateus (12:28), percebemos que Jesus usa essa mesma expressão para se referir ao Espírito Santo. Jesus está conscientemente conectando sua ação ao Deus que agiu no Egito.
É muito curioso que justamente este milagre os magos do egito não conseguiram reproduzir e reconheceram o “dedo de Deus”. Satanás e os demônios podem realizar curas, sinais e prodígios (Ap 13:13–14; 2Ts 2:9), mas há uma obra que nenhum poder das trevas pode imitar: a verdadeira ação do Espírito Santo. Isso nos lembra que, embora o poder das trevas possa simular milagres, ele jamais poderá produzir a obra do Espirito Santo, isto é: arrependimento, fé salvadora em Jesus e regeneração no coração humano (Jo 16:8; 2Co 4:6; Ef 2:1–5). A obra de salvação é exclusiva do Espírito Santo. O milagre dos milagres. Nem homens, nem demonios podem reproduzir. É só o dedo de Deus.
Na praga das Moscas, a divindade Khepri (inseto voador) e Uatchit (deusa mosca ligada a proteção de Faraó), são ironicamente descredibilizados pelos insetos invadindo o cotidiano egípcio e a casa de Faraó. Mas Israel é protegido das moscas. O verdadeiro Deus não apenas controla toda a Terra, mas também protege o seu povo e habita no meio deles.
Até o momento do juízo de Deus, hebreus e egipcios, justos e impios, crentes e descrentes vivem juntos e misturados. Mas no momento das pragas e do Juizo de Deus,então veremos outra vez a diferença entre o justo e o ímpio (Ml 3.18), entre os bodes e as ovelhas (Mt 25.32; Ez 34.17), ainda que agora se misturem.*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia
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