sábado, 14 de março de 2026

16:56 - No comments

Jesus em Êxodo 11: A igreja dos Primogênitos

 

"Os estrangeiros vieram para o Egito [...] eles têm crescido e estão por toda a parte [...] o Nilo se tornou em sangue [...] as casas e as plantações estão em chamas [...] a casa real perdeu todos os seus escravos [...] os mortos estão sendo sepultados pelo rio [...] os pobres escravos estão se tornando os donos de tudo [...] os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente [...] o nosso ouro está no pescoço dos escravos [...] o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival".


Este é um trecho de um achado arqueológico, conhecido como Papiro de Ipuwer, é o relato de uma testemunha ocular egipcia que coincide com o relato biblico das 10 pragas sobre o Egito. Neste relato, menciona que o ouro dos egipcios está no pescoço dos escravos. Algo similar aconteceu com Abraão quando desceu ao Egito por causa da fome. Lá, por causa de Sara, Faraó dá a ele prata, ouro, gado e servos (Gn 12:16). Mas quando Faraó descobre que Sara era esposa de Abraão, ele o expulsa — e Abraão sai do Egito mais rico do que entrou. Com Moisés o dejavu se torna muito maior. E com Jesus se torna muito maior ainda. Em Colossenses 2:15, Paulo escreve:

“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz.”

Jesus, ao morrer e ressuscitar, dá um golpe fatal no império das trevas. Assim como Israel despojou o Egito, Jesus despojou os poderes malignos e libertou os cativos. “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Assim como Israel no Egito, Jesus triunfa através do sofrimento, e não por força militar. No Êxodo, Deus julga o pecado dos egipcios e expõe ao ridículo os deuses do Egito (Êx 12:12). Na cruz, os pecados do mundo são julgados e os planos das forças espirituais do mal são expostos ao ridículo (João 12:31). Em ambos os casos, os que estavam oprimidos saem vitoriosos. Abraão saiu com alguns presentes, Israel com toda riqueza do Egito, e os crentes com os dons do Espírito Santo. Mas não parou aqui. Todos os dias, a igreja de Cristo continua despojando o inferno através do evangelismo (Lc 11:21).


Deus anuncia a condenação do Egito. Os egipcios haviam matado os filhos dos Israelitas, e agora Deus executará sua santa justiça de forma proporcional: matando o filho dos egipcios (Êxodo 4:22-23). É a justiça santa de Deus se manifestando de forma proporcional, solene e irreversível. Aquilo que os egípcios semearam, agora colherão. O que vemos aqui não é apenas uma tragédia histórica, mas um vislumbre antecipado do juízo eterno. Se Deus se vingou assim por matarem os filhos dos israelitas, o que Ele não fará para com aqueles que mataram, rejeitaram e cuspiram no Seu único Filho?


Deus diz que haverá um clamor em toda a terra do Egito à meia-noite. Curisosamente, na parábola das dez virgens, Jesus contou que, à meia noite, ouviu-se um grande clamor. O Noivo havia retornado e aquelas noivas que não estavam preparadas sofreram as consequências do Juizo de Deus. No contexto dos israelitas no Egito, a meia-noite era um ponto de não-retorno, para quem não se preparou não haveria mais tempo de comprar um cordeiro, matar, prepará-lo, conseguir as ervas amargas, passar o sangue do cordeiro nas portas. O comércio estava fechado e o seu vizinho crente certamente não abriria mais a porta por nada neste mundo. A porta da Graça havia se fechado, era o momento do Juízo de Deus.

O coração orgulhoso do rei do Egito não se renderia, nem para salvar todos os primogênitos de seu reino: A humanidade em sua rebelião contra Deus está cega, e nem mesmo o perigo óbvio e iminente lhes fazem temer. Moisés, depois disso, foi levado a uma santa indignação, sendo afligido pela dureza do coração do Faraó. Jesus, o Nosso Libertador, teve o mesmo sentimento de indignação diante da dureza do coração daqueles que governavam o povo de Israel: “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração” (Marcos 3:5). A Escritura previu a incredulidade dos que ouviriam o Evangelho, para que isso não fosse uma surpresa para nós. (João 12.37,38)


Observe que embora o Faraó odiasse Moisés, ele tinha servos que respeitavam o homem de Deus. O mesmo aconteceu na casa de César, e na casa de Nero: ali havia alguns que tinham admiração e respeito pelos apóstolos de Cristo (Filipenses 1.13).


Mas porque o primogênito e não todos os filhos dos egipcios? A primeira resposta é por misericórdia, seria justo se Deus matasse todos os filhos dos egipcios. Até na Justiça de Deus encontramos a Sua Misericórdia. Mas uma segunda razão é a questão da representatividade. Na cultura antiga, especialmente no Egito, o primogênito era o herdeiro principal, símbolo da continuidade, força e bênção da família. Matar o primogênito era um golpe representativo — destruir a “esperança futura” da nação. “Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias do seu vigor” (Sl 78.51). Ao julgar os primogênitos, Deus atingiu diretamente o coração da identidade, orgulho e futuro do Egito, e demonstrou que toda a força humana é vã diante dEle.


O Deus da Bíblia leva muito a sério essa questão da representatividade. Se os primogênitos egipcios foram condenados por uma representatividade (conforme mostra o Salmo 78.51), qual a representatividade por trás da salvação dos primogênitos de Israel? Qual a representatividade do sangue do cordeiro?
Se formos atentos perceberemos o jeito que o Eterno age em todas as eras: um povo escravizado é liberto por meio do sangue de um cordeiro, triunfa pela fé, despoja os opressores e caminha rumo à terra prometida. Esse povo é chamado em Hebreus 12:23 de “a igreja dos primogênitos arrolados nos céus”. Se você crê em Jesus Cristo, você será como esses primogênitos dos hebreus que foram poupados pelo Sangue do Cordeiro.

O Egito já caiu. O Faraó já foi derrotado. Os deuses do mundo já foram expostos ao desprezo. A porta da graça ainda está aberta, mas à meia-noite ela se fechará. Até lá, a igreja dos primogênitos continuará anunciando o único meio de salvação, proclamando a libertação, despojando o inferno, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão pois pouco tempo resta, e logo mais veremos com os nossos olhos, o Cordeiro que ressuscitou descendo do céus como Leão.

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Jesus em Êxodo 10: Houve trevas sobre toda a terra

Enxames de gafanhotos cobrem a terra, devoram toda a plantação e destroem o que restou das colheitas, trazendo ruína total sobre um império arrogante. Embora em Êxodo os gafanhotos sejam literais, em outros textos da Bíblia gafanhotos são uma figura de tropas invasoras inimigas (Naum 3:15-17, Joel 2:2-4). No Apocalipse, na quinta trombeta diz: “Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, e foi-lhes dado poder como o dos escorpiões da terra. E foi-lhes dito que não causassem dano à erva da terra, nem a coisa verde alguma, nem a árvore alguma, mas somente aos homens que não têm o selo de Deus na fronte” (Apocalipse 9:3-4).

No meu comentário de Gênesis 2, mencionei que na cultura judaica era bem comum fazer comparativos entre pessoas e árvores. Em Apocalipse é feito um paralelo neste sentido, uma nova praga de gafanhotos é anunciada, mas não fala de destruição agrícola, mas simboliza a devastação decorrente da invasão das tropas demoníacas, que corrói as coisas boas e deixa a alma vazia e faminta do verdadeiro alimento. Assim como a terra egípcia ficou assolada, a vida humana sem Deus é invadida por um “exército de demônios” de destruição moral e espiritual.

O profeta Joel anunciou um juízo semelhante com gafanhotos — mas ao mesmo tempo prometendo restauração e esperança ao povo arrependido: “Restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto” (Joel 2:25), isso é dito no mesmo momento que Deus promete o vinho novo (uma nova aliança) e a restauração verdadeira vinda do derramar do Espírito Santo, que foi enviado por Jesus no Pentecostes. Jesus é aquele que restaura o que foi perdido pelo juízo, e o Espírito Santo é o que devolve vida ao que estava destruído, e nos garante uma colheita nova e abundante para aqueles que se voltam para Ele.


Além do paralelo que há entre Êxodo e Apocalipse, há também um paralelo entre esses dois e a cruz de Cristo. O Juízo de Deus em Êxodo é um anúncio profético do que será o Juízo de Deus no Apocalipse, e a cruz é o mesmo Juízo de Deus no Apocalipse antecipado e punido em Jesus. Logo, se você está em Jesus você já passou pelo Juízo Final, ele aconteceu na cruz. Jesus passou pelo Juízo Final no seu lugar.

Uma coisa que houve no Êxodo, foi profetizado no mesmo texto de Joel quanto ao futuro Dia do Senhor, e aconteceu na crucificação e que vai acontecer novamente no Dia do Juízo Final é a praga das densas trevas.


As trevas sobre o Egito (Êxodo 10:21-23), eram parte do juízo de Deus contra o pecado que antecedeu a morte dos primogênitos e a morte substitutiva do cordeiro da páscoa. Enquanto o Egito foi deixado na escuridão sem saída, os filhos de Israel tiveram luz em suas habitações (Êxodo 10:23). Na cruz, Jesus suportou a praga das trevas para que hoje pudéssemos viver na Sua luz (João 8:12). No Antigo e no Novo Testamento, em ambos, Deus providenciou luz para o seu povo.


“Desde a hora sexta até à hora nona, houve trevas sobre toda a terra [...] E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; tremeu a terra, e fenderam-se as rochas.” (Mateus 27:51)

“No quarto ano da 202ª Olimpíada (ou seja, aproximadamente no ano 31 do nosso calendário), houve o maior eclipse de sol já registrado, e a noite chegou na sexta hora do dia (que é ao meio dia), de modo que as estrelas apareceram no céu. Houve também um grande terremoto na Bitínia que destruiu boa parte de Nicéia” (Flégon, historiador grego do século II)

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sábado, 21 de fevereiro de 2026

16:53 - No comments

Jesus em Êxodo 9: Salvação por meio de Juízo

O texto sagrado mostra repetidas vezes que o coração de Faraó foi endurecido por Deus, impedindo-o de ouvir as advertências de Moisés e Arão. Muitos se perguntam: “Deus seria injusto ao endurecer o coração de um homem?”

A própria Torá nos mostra que Faraó já era arrogante, idólatra e opressor. Ele já estava inclinado ao mal. O endurecimento promovido por Deus foi, portanto, parte da punição, expondo o pecado já presente nele, e transformando-o em um meio para a revelação do poder divino (Êx 9:16). Deus puniu o pecado de Faraó entregando ele ao seu próprio coração para que ele pecasse ainda mais.

O livro de Provérbios confirma este princípio:

Provérbios 16:4 — “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, até o perverso para o dia do mal.”

Mas o problema óbvio disso é exposto por Davi: “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Salmo 14:3). Ou seja, não existe ninguém merecedor do favor de Deus; o Eterno tem todo o direito de escolher amolecer ou endurecer quem quiser, pois todos somos pecadores por natureza. Deus molda vasos para honra e vasos para juízo, segundo Seus propósitos. É exatamente essa a argumentação de Paulo em Romanos 9:17-21, quando cita Êxodo 9:16. Ele lembra que Deus não age de forma injusta, mas soberana e perfeitamente justa: se endurece, é para revelar Seu poder e justiça; se salva, é para revelar sua misericórdia e amor. Essa visão não fere a justiça divina; ao contrário, a exalta. Pois Deus jamais é injusto ao condenar o que já é pecador.


“Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniquidades” (Salmo 103:10). Se Ele não nos trata como merecemos, é pura graça. Mas se tratar alguém exatamente conforme merece — condenação — também será justiça perfeita.

Portanto: Se Deus endurece o pecador, Ele é justo, porque todos pecaram. Ele não está dando nada além do que a pessoa já merece (Salmo 143:2). Se Ele perdoa, é graça, porque ninguém merece. Logo, Deus é livre para fazer o que Ele quiser, com quem Ele quiser.


“Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18:6)


Para uns Deus dá Justiça, para outros Deus dá graça, mas para ninguém Ele dá injustiça. O que me impressiona não é o fato de Deus endurecer Faraó, mas o de salvar Israel. O povo de Israel também não era justo aos olhos de Deus (Deuteronômio 9:4-6, Ezequiel 20:5-9), mas os hebreus foram alvos da misericórdia do Senhor.

Em Apocalipse, assim como nas pragas do Egito, pode-se observar que entre os juizos de Deus contra a Grande Babilônia, incluem úlceras e chuvas de pedras (granizo):

“Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem sobrevieram úlceras malignas e perniciosas.” (Apocalipse 16:2):

“E sobrevieram do céu sobre os homens grandes pedras de granizo, que pesavam cerca de um talento; e por causa da praga do granizo, blasfemaram os homens de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande.” (Apocalipse 16:21)


No Êxodo, alguém pego em prostituição era condenado por apedrejamento (Deuteronômio 22:22-24), já em Apocalipse vemos o juízo da Grande Babilônia, que o texto chama de ‘a grande meretriz’, sendo atingidas por pedras vindas do céus.
A mensagem do Êxodo não perde sua forma no Novo Testamento: Deus continua salvando Seu povo por meio de juízo. Em Apocalipse, Deus salva o seu povo por meio da condenação do mundo. Mas sobretudo nos Evangelhos, a salvação da escravidão do pecado vem por meio do juízo de Deus caindo sobre Jesus na cruz. O Messias na cruz, para que todo aquele que nele crê seja livre, como Israel foi livre, e não tema as pragas do juízo final.

Em Êxodo 9, Israel precisou confiar na promessa de Deus e permanecer separado em Gósen, onde as pragas não os atingiram. Hoje, o convite de Jesus é semelhante: confiar nele como nosso refúgio. A Torá nos diz que entre os oficiais de Faraó, alguns temeram a palavra do Senhor (aparentemente foram amolecidos ao invés de endurecidos), e fizeram com que os seus servos e o seu gado se recolhessem às casas. A Graça de Deus já alcançava os gentios livrando-os dos juízos de Deus.

Na cruz, conhecemos o Libertador por meio do qual os pecados e endurecimento de muitos foram julgados, e o poder de Deus e o anúncio do Seu nome se tornaram conhecidos em toda a Terra — exatamente como prometido em Êxodo 9:16.


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15:46 - No comments

Jesus em Êxodo 8: Do Egito ao Emanuel

Eu tinha certa dificuldade de entender porque Deus disse “Deixe o meu povo ir para que me preste culto” (Êxodo 8:1). Por que Deus insistia tanto nisso? Por que o foco era o culto, e não simplesmente a liberdade? Por um tempo, minha mente de criança tentou buscar explicações. Cheguei a me perguntar se aquilo era apenas uma forma de convencer Faraó, quase como um pretexto para a libertação. Mas logo percebi que essa hipótese não fazia sentido. Deus não mente, e Seus propósitos nunca são enganosos. Naquele tempo, eu conseguia entender que Deus queria libertar Israel porque a escravidão era algo cruel e injusto. Fazia sentido que um Deus bom quisesse acabar com aquilo. Mas havia algo mais... algo que eu ainda não enxergava completamente. No Novo Testamento, que eu comecei a entender o verdadeiro motivo por trás daquela libertação: Deus não apenas liberta o Seu povo da escravidão… Ele os liberta para Si. A liberdade é o meio. A adoração é o fim.

O objetivo da libertação que Cristo promete nunca foi apenas liberdade em si, mas a adoração (Hebreus 9:14). Depois de libertar o povo escolhido da Grande Babilônia, o Apocalipse termina em um culto a Deus (Ap 21:22). Paralelamente, o Êxodo termina com a construção do Tabernáculo para cultuar. A frase “para que me preste culto” não é secundária — ela é o centro. O fim da opressão não é autonomia, mas relacionamento com Deus, centralizado no culto. O fim dessa libertação não é apenas “estar livre”, e sim ser feito adorador em espírito e em verdade (Jo 4:23). A salvação não tem como fim último o alívio pessoal, mas a glória de Deus na comunhão com Seu povo. Você só se torna realmente livre quando está vivendo em plena comunhão com o Criador, caso contrário ainda é escravo do pecado, dos idolos, da culpa, de outros senhores… A adoração não é um detalhe no plano de redenção — é o seu alvo. Se no Êxodo, a libertação do Egito visava a adoração no Monte Sinai (Êx 3:12; 7:16), no Novo Testamento, Jesus liberta para sermos sacerdotes e adoradores diante do Santo Monte de Deus (Ap 5:9-10).

Semelhante às pragas do Apocalipse, em cada uma das pragas do Egito, DEUS está punindo o pecado e desmascarando os falsos idolos daquela sociedade. A praga das rãs descredibiliza a deusa egípcia Heqet, a deusa com cabeça de rã, ela não pode controlar a praga nem proteger os egípcios. DEUS mostrou que só Ele tem domínio absoluto sobre a vida e a criação.

Na praga dos piolhos, a divindade Geb (deus da terra) é atacada por DEUS. A falsa divindade egípcia não pode impedir que o pó da terra se torne em piolhos. Os magos egípcios até este momento reproduziram os milagres (ainda que de forma limitada e estranha), mas neste milagre não conseguiram reproduzir e reconheceram que "Isto é o dedo de Deus". Ao compararmos o Evangelho de Lucas (11:20) e Mateus (12:28), percebemos que Jesus usa essa mesma expressão para se referir ao Espírito Santo. Jesus está conscientemente conectando sua ação ao Deus que agiu no Egito.
É muito curioso que justamente este milagre os magos do egito não conseguiram reproduzir e reconheceram o “dedo de Deus”. Satanás e os demônios podem realizar curas, sinais e prodígios (Ap 13:13–14; 2Ts 2:9), mas há uma obra que nenhum poder das trevas pode imitar: a verdadeira ação do Espírito Santo. Isso nos lembra que, embora o poder das trevas possa simular milagres, ele jamais poderá produzir a obra do Espirito Santo, isto é: arrependimento, fé salvadora em Jesus e regeneração no coração humano (Jo 16:8; 2Co 4:6; Ef 2:1–5). A obra de salvação é exclusiva do Espírito Santo. O milagre dos milagres. Nem homens, nem demonios podem reproduzir. É só o dedo de Deus.

Na praga das Moscas, a divindade Khepri (inseto voador) e Uatchit (deusa mosca ligada a proteção de Faraó), são ironicamente descredibilizados pelos insetos invadindo o cotidiano egípcio e a casa de Faraó. Mas Israel é protegido das moscas. O verdadeiro Deus não apenas controla toda a Terra, mas também protege o seu povo e habita no meio deles.

Até o momento do juízo de Deus, hebreus e egipcios, justos e impios, crentes e descrentes vivem juntos e misturados. Mas no momento das pragas e do Juizo de Deus,então veremos outra vez a diferença entre o justo e o ímpio (Ml 3.18), entre os bodes e as ovelhas (Mt 25.32; Ez 34.17), ainda que agora se misturem.

No verso 22, Deus deixa claro que Ele habita junto com o seu povo. Toda essa dinâmica de Deus se fazendo presente “no meio de Israel” e reforçando constantemente isso (seja poupando Gósen, seja no tabernáculo, seja nas pragas) está construindo a expectativa que só atinge o ápice e se cumpre literalmente em Jesus como Emanuel (Deus entre nós).


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sábado, 14 de fevereiro de 2026

06:29 - No comments

Jesus em Êxodo 7: O pequeno Apocalipse


Na cultura judaica sempre foi muito forte a questão da representatividade, ainda mais se tratando de aspectos religiosos ou comunitários. Diferente da cultura ocidental, bem mais individualista, nesses contextos orientais é bem comum os líderes comunitários ou religiosos falarem em nome de toda a comunidade, e suas ações podem refletir sobre a comunidade inteira. Imagine que meu pai não pudesse ir a um evento social e ele me enviasse para falar no lugar dele, imagine que enquanto eu ainda falava algumas pessoas começam a me vaiar. Ao final da minha fala, alguém poderia dizer que meu pai foi vaiado. Isso porque eu estava ali representando meu pai, e apenas trouxe a mensagem que meu pai me mandou dizer. Esse conceito não é tão estranho nem mesmo para ocidentais, se o secretário da Casa Branca declarar guerra contra algum país, não considerariamos errado um jornal dizer “Presidente dos EUA declara guerra contra o País X”, porque o secretário representa o presidente diante do povo.

Olha que interessante quando Deus diz para Moisés: “te constituí como Deus (Elohim) sobre Faraó, e Arão, teu irmão, será teu profeta”. Quando Moisés fala o que Deus mandou dizer, Moisés representa Deus para Faraó, de modo que alguém poderia repetir o que Moisés disse para Faraó e terminar dizendo “...e foi isso que Deus disse para Faraó”. Moisés foi autorizado a falar e agir como Deus, possuindo poderes sobrenaturais para exigir obediência e punir aqueles que desobedeciam. Ele era comparável a um deus, mas essa condição apenas refletia a imagem do verdadeiro Deus. Naturalmente, Moisés não é Deus. Ele não era um deus, exceto por delegação de autoridade. Moisés representava Deus, mas só para Faraó. No entanto, O Deus vivo e verdadeiro é um só Deus sobre tudo e todos.

Mas se a Torá chama assim Moisés que era apenas um ser humano, porque seria um problema reconhecer que Jesus é Deus, Ele que não foi apenas comissionado, mas é também Deus por natureza? Alguns judeus ortodoxos nos acusam de idolatria por tratar Jesus como Deus. É um erro duplo. Primeiro porque em inúmeros textos vemos que o Messias é divino por natureza, e o profeta Isaías chama ele de “Deus forte” e “Pai da Eternidade” (Isaías 9:6). Mas além de ser divino por natureza, ele também é comissionado como Moisés, não apenas sobre Faraó, mas sobre o mundo inteiro. Ele recebe um comissionamento do Deus Pai. Assim Jesus representa Deus Pai pra nós. Ao adorar Jesus, você está adorando também Aquele que o enviou. Ao rejeitá-lo, você também rejeita Aquele que o enviou. Seja por natureza ou por comissionamento, Jesus é Deus pra nós. Fica evidente em todo o livro de Êxodo que Moisés, sendo o Mediador da primeira aliança, era apenas uma sombra do que seria o Mediador da Nova Aliança.

“E Jesus clamou, dizendo: — Quem crê em mim crê não em mim, mas naquele que me enviou. E quem vê a mim vê aquele que me enviou. [...] eu não falei por mim mesmo, mas o Pai, que me enviou, esse me ordenou o que dizer e o que anunciar. E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, as coisas que eu digo, digo exatamente assim como o Pai me falou.” (João 12:44-50)

As coisas pioram antes de melhorar porque Deus quer demonstrar seu poder e se manifestar ao povo. Deus disse a faraó que o seu julgamento viria e foi o que aconteceu. As pragas são um sinal de algo muito pior, o julgamento de Deus está vindo e é um julgamento real.

Mas precisamos notar que as pragas no Egito prenunciam as pragas que antecedem a Segunda vinda de Cristo. A história de Êxodo é um mini Apocalipse. Se foi terrível o juízo de Deus contra o Egito, pense quão pior será o Juízo de Deus contra a Grande Babilônia. E assim como da primeira vez, as pragas anunciam que Deus está sobrepondo o reino dos homens. O Juízo de Deus está chegando sobre aqueles que não se rendem ao Reino de Deus, mas para o povo da Aliança, a chegada deste reino significa a libertação dos seus opressores. “Ele humilha os soberbos, e exalta os humildes” (Lucas 1.51,52). Assim como Moisés e Arão pregam a Palavra de YHWH, em Apocalipse as duas testemunhas que representam a igreja de Jesus composta de judeus e gentios não são ouvidas pelo mundo:

“Estes homens têm poder para fechar o céu, de modo que não chova durante o tempo em que estiverem profetizando, e têm poder para transformar a água em sangue e ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes desejarem.”

Mas como o apóstolo Paulo nos alerta contra os falsos profetas dizendo, de que nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis, os homens seriam presunçosos, arrogantes, blasfemos, tendo aparência que imite a piedade, mas negando o poder do Evangelho. “Como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, esses também resistem à verdade. A mente deles é depravada; são reprovados na fé” (2Tm 2.8). Paulo está alertando que assim como os magos do Egito fizeram sinais para invalidar a mensagem de Moisés e Arão, assim também farão os falsos profetas nos últimos dias, mas com o objetivo de resistir à verdade da Palavra de Deus.

Em Êxodo 4, a vara de Arão se torna uma cobra (“Nachash”). E segundo os tradutores da Septuaginta, no capítulo 7, ao invés de Nachash (cobra/serpente), vemos escrito “Drákon” (dragão ou serpente grande). Curiosamente, tanto Faraó é chamado “dragão do mar” (Isaías 51.9/Ezequeiel 29:3/32.2), quanto o rei da babilônia Nabucodonosor, também é chamado de “dragão”. Em Apocalipse, a antiga serpente do jardim do Éden agora aparece como um grande dragão. “o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e Satanás, que engana todo o mundo” (Apocalipse 12:9).

No capítulo 13 de Apocalipse, dois terríveis aliados do dragão (Satanás) entram em cena, uma besta a emergir do mar (Anticristo), e a outra besta a emergir da terra (Falso Profeta). O poder de Deus está agindo por sinais e prodigios e das suas testemunhas (igreja), mas enquanto isso satanás está promovendo o engano por meio da falsa religião e a tirania de governantes impios, que visam nada além de suprimir a verdade de Deus.


“mas a vara de Arão tragou as varas deles” (Êx 7.12), esta é a certeza que temos, que assim como aconteceu antes, é segura a vitória divina sobre toda oposição. Embora o diabo possa criar uma falsificação e produzir um enxame de oponentes, a vara levantada por Deus no calvário engolirá todos os seus inimigos. Quando a graça de Deus se apodera de um homem, os mágicos deste mundo podem lançar todas as suas varas no chão, a vara de Jessé as vencerá. Satanás pode jogar todas as suas armadilhas, todas as doces atrações da cruz irão capturar o coração do homem, e aquele que só vivia para o Egito erguerá seus olhos e descobrirá no monte calvário que YHWH salva.


Por fim, vemos a primeira das dez pragas sendo anunciada contra o Egito, e as águas do Egito se tornam em sangue.
Os egipcios tinham manchado o rio com o sangue das crianças dos hebreus, e agora Deus tornara aquele rio completamente sangrento. Assim Ele lhes deu sangue para beber, porque disto eram merecedores. Em Apocalipse 16.6 vemos “Visto como derramaram o sangue dos santos e dos profetas, também tu lhes deste o sangue a beber; porque disto são merecedores.”
A famosa frase de Heródoto dizia que “o Egito é uma dádiva do Nilo”. Em um paralelo, poderíamos dizer “Israel é uma dádiva de Cristo”.

E, por fim, a primeira praga que Moisés realizou foi a transformação da água em sangue, um símbolo de morte e julgamento. Mas o primeiro milagre de Jesus foi a transformação da água em vinho, um símbolo de alegria e celebração. Isso ilustra uma transição poderosa:
Se o ministério de Moisés foi glorioso ao apontar a condenação do mundo e trazendo as más notícias do pecado, da justiça e do juízo contra os pecadores, quão maior em glória não é o ministério de Jesus Cristo ao nos anunciar as boas notícias de paz, perdão e transformação. Isto é alegria ao nosso coração: que Deus deixou o bom vinho pro final.


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sábado, 18 de outubro de 2025

19:45 - No comments

Jesus em Êxodo 6: O braço estendido de YHWH

Imagine que eu lhe diga em uma mensagem “Eu sou Lucas… para que toda cidade de São Paulo saiba que eu sou Lucas.. e todos saberão que eu sou Lucas..”. Imagine que eu repita isso 161 vezes. Isso não teria sentido nenhum. Não só pelo fato de eu não ser alguém realmente importante, mas também porque o meu nome não tem significado. Imagine agora, que um certo macedônico diga em seu discurso “Eu sou Alexandre o Grande… para que todas as ilhas gregas saibam que eu sou Grande.. e todos saberão que eu sou Grande.. Eu sou Grande”. Ainda soa exagerado por ser um simples ser humano, claro, mas faz muito mais sentido porque se trata de um “nome” (Grande) que tem um significado. Assim o nome de Deus (YHWH) deveria ser encarado, o nome de Deus não é uma “chave secreta” que uma vez dita podemos manipular a divindade, assim como os povos gentios faziam. Mas toda vez que clamamos por YHWH, deveríamos lembrar e refletir no significado do nome “EU SOU O QUE SOU”. Assim também acontece com o nome de Jesus, que alguns usam como uma “palavra mágica”, mas o nome de Jesus também tem um significado que é “YHWH Salvador”. O nome não nos foi dado como um amuleto, mas aponta para nós quem Deus É. O nome YHWH e o nome de Jesus servem para nos lembrar, por exemplo, com quem estamos falando quando oramos a Ele. Devemos considerar e refletir nesse nome. Porque tanto na antiga quanto na nova aliança, o nome revelado tem um significado. E mais importante que O Nome é a quem esse Nome se refere. O Nome de Deus/Jesus é uma dica de quem Deus/Jesus é.


Existe uma discussão em torno do verso 3, porque em Gênesis, Deus se revela aos patriarcas pelo nome YHWH. O idioma hebraico permite mais de uma interpretação neste verso. Mathew Henry, por exemplo, afirma que os patriarcas conheciam o nome de YHWH, mas neste caso não o conheciam por aquilo que este nome significa, até porque Deus revelou o significado apenas com Moisés na sarça ardente. Outra possível explicação seria que Moisés recontou a história de Gênesis em um idioma diferente do idioma que Deus falou com os patriarcas, e portanto YHWH em Gênesis teria sido uma tradução de Moisés. Outra possibilidade é defendida pelo doutor Augustus Nicodemus, de que a melhor tradução seria uma pergunta reflexiva “acaso pelo meu nome, YHWH, não me revelei a eles?”. Seja como for, o objetivo do texto é mostrar que Deus agora desejava ser conhecido pelo seu nome, YHWH, o SENHOR, como um Deus que realiza o que promete, e um Deus que aperfeiçoa o que começou, que termina o seu trabalho. Na história da criação, Deus é chamado de YHWH só após os céus e a terra estarem terminados (Gênesis 2.4). Assim como YHWH se revelou de uma nova maneira (mais completa) a Moisés, diferente da revelação anterior aos patriarcas, Jesus também se revela de forma plena e mais completa do que aconteceu em qualquer momento anterior.


Os israelitas estavam tão dominados pela opressão que não deram ouvidos ao mediador do Pacto. Isso também aconteceu com Jesus, o mediador do novo pacto. A opressão do império romano era tão alta que a expectativa de um libertador militar que vencesse as tropas romanas, contribuiu para uma rejeição de Jesus. Assim como Moisés, Jesus enfrenta rejeição e incredulidade por parte dos israelitas, apesar de seus ensinamentos e milagres.
Essas histórias compartilham um tema comum, os mensageiros divinos são rejeitados por aqueles a quem foram enviados para salvar, destacando a ideia de que a libertação e a redenção frequentemente encontram resistência, mesmo entre aqueles que mais se beneficiariam delas. O Evangelismo e o campo missionário muitas vezes parece essa missão impossível, parece impossível libertar as pessoas dos vicios, da imoralidade, das falsas religiões, conceitos errados sobre Deus, dos hábitos errados e pecados de uma vida inteira… parece impossível, e é mesmo. Só pelo braço do Senhor que serão libertos da escravidão do pecado. Quando saímos para evangelizar precisamos ter isso em mente, senão vamos desanimar como Moisés. "Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" (João 8:36).


Em Apocalipse um novo Êxodo é descrito. O mundo todo se tornou um grande Egito (ou uma grande Babilônia). O Cordeio abre os selos, e assim desenrola os planos de Deus para o mundo. Qual a consequência imediata? A perseguição dos santos. As testemunhas de Jesus, a sua igreja, tem saído pelo mundo dizendo “Assim diz YHWH: Arrependam-se dos seus pecados e creiam em Jesus e no Evangelho”. Mas não será por nossa força ou persuasão humana, mas pelo Poder do Senhor dos Exércitos.


“Portanto, dize aos filhos de Israel: eu sou o SENHOR, e vos tirarei de debaixo das cargas do Egito, e vos livrarei da sua servidão, e vos resgatarei com braço estendido e com grandes manifestações de julgamento.” (Êxodo 6:6)

Jesus resgatou-nos com seu braço estendido na cruz. A salvação do povo de Deus foi vista por todos quando o braço estendido e a mão forte de YHWH foram pregados no Calvário. Mas o povo da aliança só será totalmente livre da crueldade e de todos os seus efeitos, quando Cristo voltar e julgar o mundo, com pragas, ferindo a Terra e seus moradores com sinais e prodigios. O que lemos em Êxodo é um protótipo, uma amostra da realidade futura, um pequeno Apocalipse.


A genealogia de Moisés e Arão, nos é apresentada para não deixar dúvidas que, o profeta e o sacerdote, ambos eram israelitas, osso dos mesmos ossos e carne da mesma carne, nascidos entre seus próprios irmãos, como Cristo também seria, pois Ele também seria o profeta e o sacerdote do povo de Israel, e cuja árvore genealógica também seria, como esta, cuidadosamente preservada.


Note algo incomum na linhagem de Coate, de quem deriva a linhagem de Moisés e Arão e todos os sacerdotes: Ele era um filho, não primogênito, de Levi  (v. 16). Mais uma vez a benção de Deus não segue os padrões humanos, assim como a nova aliança em Cristo, que supera e se diferencia das antigas tradições, costumes e leis, apontando para uma nova ordem onde todos são convidados e podem receber a graça divina, independentemente de seu status ou nascimento.


Aquele que vai ser o sumo-sacerdote, Arão, casou-se com Eliseba. O interessante é que Eliseba é o mesmo nome da esposa de Zacarias (sacerdote descendente de Arão) no Novo Testamento. Isabel e Zacarias são parentes de Maria. Maria tem o mesmo nome de Miriã, parente de Arão. Eliseba é filha de Aminadabe, um dos chefes dos patriarcas da tribo de Judá (A mesma tribo da sua prima Maria, mãe de Jesus). O Evangelho de Lucas está nos contando de um novo Moisés, que é Cristo, e de um novo Êxodo que está em curso.


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Jesus em Êxodo 5: Sereis Açoitados

É bem comum que quando a polícia ou um determinado governo começa a fazer um bom trabalho no combate ao crime organizado e ao tráfico de drogas, as facções criminosas percebem que seus negócios estão sendo estrangulados, e reagem fazendo abordagens mais violentas para manter seu controle e resistir à pressão. Não é estranho que neste momento a população reclame. Às vezes precisa piorar por um momento para realmente melhorar.

Foi assim com Moisés e Arão, que foram até Faraó para pedir a libertação de Israel, mas Faraó respondeu com dureza, rejeitando o pedido e aumentando a opressão sobre os hebreus.


"Moisés e Arão foram falar com o faraó e disseram: Assim diz YAHWEH, o Deus de Israel: ‘Deixe o meu povo ir para celebrar-me uma festa no deserto’ ". O faraó respondeu: "Quem é YAHWEH, para que eu lhe obedeça e deixe Israel sair? Não conheço YAHWEH, e não deixarei Israel sair".


Como resposta ao pedido de Moisés, Faraó torna o trabalho dos hebreus ainda mais difícil, exigindo que produzam a mesma quantidade de tijolos sem fornecer palha.


Os israelitas reclamam com Moisés, pois a situação piorou depois de seu pedido a Faraó. Moisés, por sua vez, questiona a Deus sobre a aparente piora da situação.

Apesar da rejeição de Faraó e do sofrimento do povo, Deus tem um plano maior de libertação que passa inclusive pela rejeição e endurecimento dos impios.


Assim como no período de Moisés, nos tempos de Cristo o poder político e o poder religioso estavam ligados. Jesus confronta os líderes religiosos da sua época, especialmente os fariseus e os sacerdotes do templo, que rejeitam sua mensagem e endurecem seus corações contra Ele (Marcos 11:27-33). Os líderes religiosos, ao verem o impacto do ministério de Jesus, intensificam seus planos para prendê-lo e matá-lo (João 11:47-53). Da mesma forma que Faraó endurece seu coração contra Moisés, os fariseus e saduceus endurecem seus corações contra Jesus.


Muitos seguidores de Jesus esperavam uma libertação política imediata de Israel, e quando isso não aconteceu, alguns se frustraram (João 6:66). Até mesmo os discípulos ficaram desanimados com a crucificação de Jesus antes de entenderem sua ressurreição (Lucas 24:21). A crucificação de Jesus também parece uma derrota, mas é justamente o meio pelo qual Deus trará a redenção definitiva. O aumento da opressão no Egito precede a grande libertação do Êxodo, assim como a rejeição e a crucificação de Jesus precedem a vitória da ressurreição e a libertação do pecado.

Assim como Moisés, o mediador do antigo pacto, também participa do sofrimento do povo (Êxodo 5:4), se tornando um como eles. Jesus, o mediador do novo pacto, também participa da perseguição do seu povo, vemos isso quando Paulo perseguia a igreja e Jesus lhe diz “Saulo, Saulo, porque me persegues?” (Atos 9:4-5)


Respondendo a pergunta de Faraó; “Quem é Yahweh?:” Yahweh é Jesus de Nazaré. Ele é Yahweh. É certo que Faraó olhou aquele povo pobre, fraco e escravizado e pensou que poderia medir o poder de Deus baseado no poder do povo. Mas é um engano enorme se tratando de Yahweh. Pois um Deus tão misericordioso como Jesus de Nazaré, escolhe justamente o pobre, o aflito e o nescessitado para ser o seu Deus e eles serem o seu povo.


“Acautelai-vos; pois vos entregarão aos concílios e às sinagogas; sereis açoitados, e sereis postos à prova diante de governadores e reis, por minha causa, para lhes servir de testemunho. Mas importa que primeiro o evangelho seja pregado a todas as nações. Quando, pois, vos levarem para vos entregar, não vos preocupeis de antemão com o que haveis de falar; mas dizei o que vos for dado naquela hora; porque não sois vós os que falais, mas o Espírito Santo. E o irmão entregará à morte o irmão, e o pai ao filho; e os filhos se levantarão contra os pais e os matarão. E sereis odiados de todos por causa do meu nome; mas quem perseverar até o fim, esse será salvo.” (Marcos 13:9-13:)


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