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Jesus em Êxodo 8: Do Egito ao Emanuel
Eu tinha certa dificuldade de entender porque Deus disse “Deixe o meu povo ir para que me preste culto” (Êxodo 8:1). Por que Deus insistia tanto nisso? Por que o foco era o culto, e não simplesmente a liberdade? Por um tempo, minha mente de criança tentou buscar explicações. Cheguei a me perguntar se aquilo era apenas uma forma de convencer Faraó, quase como um pretexto para a libertação. Mas logo percebi que essa hipótese não fazia sentido. Deus não mente, e Seus propósitos nunca são enganosos. Naquele tempo, eu conseguia entender que Deus queria libertar Israel porque a escravidão era algo cruel e injusto. Fazia sentido que um Deus bom quisesse acabar com aquilo. Mas havia algo mais... algo que eu ainda não enxergava completamente. No Novo Testamento, que eu comecei a entender o verdadeiro motivo por trás daquela libertação: Deus não apenas liberta o Seu povo da escravidão… Ele os liberta para Si. A liberdade é o meio. A adoração é o fim.
O objetivo da libertação que Cristo promete nunca foi apenas liberdade em si, mas a adoração (Hebreus 9:14). Depois de libertar o povo escolhido da Grande Babilônia, o Apocalipse termina em um culto a Deus (Ap 21:22). Paralelamente, o Êxodo termina com a construção do Tabernáculo para cultuar. A frase “para que me preste culto” não é secundária — ela é o centro. O fim da opressão não é autonomia, mas relacionamento com Deus, centralizado no culto. O fim dessa libertação não é apenas “estar livre”, e sim ser feito adorador em espírito e em verdade (Jo 4:23). A salvação não tem como fim último o alívio pessoal, mas a glória de Deus na comunhão com Seu povo. Você só se torna realmente livre quando está vivendo em plena comunhão com o Criador, caso contrário ainda é escravo do pecado, dos idolos, da culpa, de outros senhores… A adoração não é um detalhe no plano de redenção — é o seu alvo. Se no Êxodo, a libertação do Egito visava a adoração no Monte Sinai (Êx 3:12; 7:16), no Novo Testamento, Jesus liberta para sermos sacerdotes e adoradores diante do Santo Monte de Deus (Ap 5:9-10).
Semelhante às pragas do Apocalipse, em cada uma das pragas do Egito, DEUS está punindo o pecado e desmascarando os falsos idolos daquela sociedade. A praga das rãs descredibiliza a deusa egípcia Heqet, a deusa com cabeça de rã, ela não pode controlar a praga nem proteger os egípcios. DEUS mostrou que só Ele tem domínio absoluto sobre a vida e a criação.
Na praga dos piolhos, a divindade Geb (deus da terra) é atacada por DEUS. A falsa divindade egípcia não pode impedir que o pó da terra se torne em piolhos. Os magos egípcios até este momento reproduziram os milagres (ainda que de forma limitada e estranha), mas neste milagre não conseguiram reproduzir e reconheceram que "Isto é o dedo de Deus". Ao compararmos o Evangelho de Lucas (11:20) e Mateus (12:28), percebemos que Jesus usa essa mesma expressão para se referir ao Espírito Santo. Jesus está conscientemente conectando sua ação ao Deus que agiu no Egito.
É muito curioso que justamente este milagre os magos do egito não conseguiram reproduzir e reconheceram o “dedo de Deus”. Satanás e os demônios podem realizar curas, sinais e prodígios (Ap 13:13–14; 2Ts 2:9), mas há uma obra que nenhum poder das trevas pode imitar: a verdadeira ação do Espírito Santo. Isso nos lembra que, embora o poder das trevas possa simular milagres, ele jamais poderá produzir a obra do Espirito Santo, isto é: arrependimento, fé salvadora em Jesus e regeneração no coração humano (Jo 16:8; 2Co 4:6; Ef 2:1–5). A obra de salvação é exclusiva do Espírito Santo. O milagre dos milagres. Nem homens, nem demonios podem reproduzir. É só o dedo de Deus.
Na praga das Moscas, a divindade Khepri (inseto voador) e Uatchit (deusa mosca ligada a proteção de Faraó), são ironicamente descredibilizados pelos insetos invadindo o cotidiano egípcio e a casa de Faraó. Mas Israel é protegido das moscas. O verdadeiro Deus não apenas controla toda a Terra, mas também protege o seu povo e habita no meio deles.
Até o momento do juízo de Deus, hebreus e egipcios, justos e impios, crentes e descrentes vivem juntos e misturados. Mas no momento das pragas e do Juizo de Deus,então veremos outra vez a diferença entre o justo e o ímpio (Ml 3.18), entre os bodes e as ovelhas (Mt 25.32; Ez 34.17), ainda que agora se misturem.No verso 22, Deus deixa claro que Ele habita junto com o seu povo. Toda essa dinâmica de Deus se fazendo presente “no meio de Israel” e reforçando constantemente isso (seja poupando Gósen, seja no tabernáculo, seja nas pragas) está construindo a expectativa que só atinge o ápice e se cumpre literalmente em Jesus como Emanuel (Deus entre nós).
*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia

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