sábado, 21 de fevereiro de 2026

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Jesus em Êxodo 9: Salvação por meio de Juízo

O texto sagrado mostra repetidas vezes que o coração de Faraó foi endurecido por Deus, impedindo-o de ouvir as advertências de Moisés e Arão. Muitos se perguntam: “Deus seria injusto ao endurecer o coração de um homem?”

A própria Torá nos mostra que Faraó já era arrogante, idólatra e opressor. Ele já estava inclinado ao mal. O endurecimento promovido por Deus foi, portanto, parte da punição, expondo o pecado já presente nele, e transformando-o em um meio para a revelação do poder divino (Êx 9:16). Deus puniu o pecado de Faraó entregando ele ao seu próprio coração para que ele pecasse ainda mais.

O livro de Provérbios confirma este princípio:

Provérbios 16:4 — “O Senhor fez todas as coisas para determinados fins, até o perverso para o dia do mal.”

Mas o problema óbvio disso é exposto por Davi: “Todos se extraviaram e juntamente se corromperam; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Salmo 14:3). Ou seja, não existe ninguém merecedor do favor de Deus; o Eterno tem todo o direito de escolher amolecer ou endurecer quem quiser, pois todos somos pecadores por natureza. Deus molda vasos para honra e vasos para juízo, segundo Seus propósitos. É exatamente essa a argumentação de Paulo em Romanos 9:17-21, quando cita Êxodo 9:16. Ele lembra que Deus não age de forma injusta, mas soberana e perfeitamente justa: se endurece, é para revelar Seu poder e justiça; se salva, é para revelar sua misericórdia e amor. Essa visão não fere a justiça divina; ao contrário, a exalta. Pois Deus jamais é injusto ao condenar o que já é pecador.


“Não nos trata segundo os nossos pecados, nem nos retribui segundo as nossas iniquidades” (Salmo 103:10). Se Ele não nos trata como merecemos, é pura graça. Mas se tratar alguém exatamente conforme merece — condenação — também será justiça perfeita.

Portanto: Se Deus endurece o pecador, Ele é justo, porque todos pecaram. Ele não está dando nada além do que a pessoa já merece (Salmo 143:2). Se Ele perdoa, é graça, porque ninguém merece. Logo, Deus é livre para fazer o que Ele quiser, com quem Ele quiser.


“Como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18:6)


Para uns Deus dá Justiça, para outros Deus dá graça, mas para ninguém Ele dá injustiça. O que me impressiona não é o fato de Deus endurecer Faraó, mas o de salvar Israel. O povo de Israel também não era justo aos olhos de Deus (Deuteronômio 9:4-6, Ezequiel 20:5-9), mas os hebreus foram alvos da misericórdia do Senhor.

Em Apocalipse, assim como nas pragas do Egito, pode-se observar que entre os juizos de Deus contra a Grande Babilônia, incluem úlceras e chuvas de pedras (granizo):

“Saiu, pois, o primeiro anjo e derramou a sua taça pela terra, e aos homens portadores da marca da besta e adoradores da sua imagem sobrevieram úlceras malignas e perniciosas.” (Apocalipse 16:2):

“E sobrevieram do céu sobre os homens grandes pedras de granizo, que pesavam cerca de um talento; e por causa da praga do granizo, blasfemaram os homens de Deus, porquanto o seu flagelo era sobremodo grande.” (Apocalipse 16:21)


No Êxodo, alguém pego em prostituição era condenado por apedrejamento (Deuteronômio 22:22-24), já em Apocalipse vemos o juízo da Grande Babilônia, que o texto chama de ‘a grande meretriz’, sendo atingidas por pedras vindas do céus.
A mensagem do Êxodo não perde sua forma no Novo Testamento: Deus continua salvando Seu povo por meio de juízo. Em Apocalipse, Deus salva o seu povo por meio da condenação do mundo. Mas sobretudo nos Evangelhos, a salvação da escravidão do pecado vem por meio do juízo de Deus caindo sobre Jesus na cruz. O Messias na cruz, para que todo aquele que nele crê seja livre, como Israel foi livre, e não tema as pragas do juízo final.

Em Êxodo 9, Israel precisou confiar na promessa de Deus e permanecer separado em Gósen, onde as pragas não os atingiram. Hoje, o convite de Jesus é semelhante: confiar nele como nosso refúgio. A Torá nos diz que entre os oficiais de Faraó, alguns temeram a palavra do Senhor (aparentemente foram amolecidos ao invés de endurecidos), e fizeram com que os seus servos e o seu gado se recolhessem às casas. A Graça de Deus já alcançava os gentios livrando-os dos juízos de Deus.

Na cruz, conhecemos o Libertador por meio do qual os pecados e endurecimento de muitos foram julgados, e o poder de Deus e o anúncio do Seu nome se tornaram conhecidos em toda a Terra — exatamente como prometido em Êxodo 9:16.


*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia


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