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Jesus em Êxodo 18: Maravilhoso Conselheiro
Enquanto os próprios israelitas estavam murmurando, apesar de toda a bondade de Deus para com eles, aqui vemos um midianita que se alegrava pelas obras de Deus. Esta não foi a única vez em que a fé dos gentios envergonhou a incredulidade dos israelitas (Mateus 8.10). Jetro, um gentio, se alegra com tudo o que o Senhor havia feito. Ele reconhece a grandeza de Deus, bendiz o Seu nome e confessa o Senhor. Essa cena é marcante, porque mostra algo que se repetiria muitas vezes na história bíblica: gentios (não judeus) reconhecendo a ação de Deus com mais sensibilidade do que o próprio povo da aliança. Isso antecipa o caminho do Evangelho, no qual Jesus seria recebido por muitos de fora, enquanto era rejeitado pelo seu próprio povo.
A próxima cena é muito curiosa aos leitores do Novo Testamento: um gentio depois de reconhecer e confessar o nome do Senhor, senta-se à mesa com os israelitas na presença de Deus. Eles tinham comunhão entre si, porque tinham em comum um banquete e um mesmo sacrifício (v.12). Eles se unem em um banquete de alegria, um banquete sobre o sacrifício. Um gentio é aceito na comunhão com Moisés e os anciãos de Israel. Ele também era filho de Abraão. É interessante que foi Jetro que ofereceu holocaustos para Deus, pois era um sacerdote em Midiã, e o sacerdócio ainda não tinha sido instituído em Israel.
Eles comeram pão. Este pão, podemos supor, era o maná, Jetro devia ver e provar este pão do céu e, embora fosse gentio, era tão bem vindo a ele como qualquer israelita.
Assim é a mesa do Senhor Jesus: Todo gentio que de todo coração confessar o Nome do Senhor Jesus (Romanos 10:9-13) pode se assentar a mesa da comunhão com o povo de Deus, e pode oferecer adoração a Deus, pois está unido ao povo de Deus por meio do mesmo sacrifício do Calvário. Os gentios continuam sendo bem-vindos a mesa do Senhor, e convidados a se alimentar de Cristo que é o pão que desceu do céu:
“E maravilhou-se Jesus, ouvindo isto, e disse aos que o seguiam: Em verdade vos digo que nem mesmo em Israel encontrei tanta fé. Mas eu vos digo que muitos virão do oriente e do ocidente, e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no reino dos céus” (Mateus 8:10,11)
Jetro orienta Moisés a organizar o governo de Israel por meio da delegação. Moisés permanece como único mediador diante de Deus, função que ninguém poderia assumir, enquanto homens capacitados passam a julgar as questões cotidianas. Esse modelo revela que liderança não é acumular tarefas, mas delegar responsabilidades. Moisés continua como cabeça, e os demais cooperam como membros do corpo. De modo semelhante, Cristo é o cabeça da Igreja e o único mediador diante de Deus, mas delega autoridade e responsabilidade com os que lhe pertencem. Assim, Êxodo 18 já antecipa o Reino: um Rei soberano no centro e um governo compartilhado com os fiéis.
Imagine que Moisés estivesse atendendo na praça principal da sua cidade e você pudesse tirar dúvidas, buscar aconselhamento sobre seu casamento com ele, ou pedir dicas para a educar seus filhos no caminho do Senhor, ou talvez compreender melhor algum mandamento que não ficou tão claro… Seria incrível, né? Por mais incrível que possa parecer, esse texto nos mostra que o velho Moisés era bastante limitado. Talvez você daria sorte de encontrar com Moisés num dia bom e ele seria um professor dedicado, mas talvez você acabasse encontrando ele depois de um dia cansativo de trabalho, e ele já estivesse esgotado, e você teria uma resposta não tão dedicada assim. Além do que, dependendo do tema que você perguntasse a Ele, talvez ele não teria uma resposta para dar, por causa da sua própria limitação humana. Se ainda sim parece incrível buscar um conselho com Moisés, espere para conhecer um conselheiro ainda melhor: Jesus Cristo. O profeta Isaías disse que o Cristo seria um “Maravilhoso conselheiro” (Isaías 9:6). E de fato Ele é. Ele não se cansa, nem se fatiga. Você não precisa pegar uma imensa fila pra falar com ele alguns poucos minutos. Você não pega fila. Não tem intermediários. Pode passar o tempo que quiser com Ele. Diferente de Moisés, Jesus não está limitado ao espaço nem ao tempo. Você não depende de estar no “lugar certo” ou no “dia certo” para encontrá-lo. Ele está sempre acessível, sempre atento, sempre disposto a ouvir. Não há perguntas inconvenientes, não há horários de atendimento, não há cansaço do outro lado.
Além disso, Jesus não apenas aconselha, Ele conhece profundamente o coração humano. Moisés podia julgar causas externas; Cristo discerne intenções, medos, dores e pecados que nem sempre conseguimos expressar em palavras. Ele não responde apenas ao que dizemos, mas ao que realmente precisamos ouvir.
E há algo ainda mais extraordinário: Jesus não nos orienta de fora, como alguém que apenas observa. Ele caminha conosco. Ele habita em nós pelo Espírito Santo. O conselho de Cristo não é pontual, é contínuo. Não é uma conversa ocasional na praça; é uma presença constante no caminho.
Por isso, quando buscamos direção para o casamento, para a criação dos filhos, para decisões difíceis ou para compreender a vontade de Deus, não estamos recorrendo a um líder cansado ao fim do dia, mas ao Filho eterno, cheio de graça e verdade. Nele não há limitação, não há esgotamento, não há incerteza.
O maravilhoso conselheiro não apenas aponta o caminho, Ele é o próprio Caminho.
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