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Jesus em Êxodo 22: Quando a Restituição se Torna Impossível
À primeira vista, Êxodo 22 parece ser apenas uma coleção de leis civis. O capítulo fala sobre furtos, restituição, empréstimos, danos à propriedade, proteção dos pobres, das viúvas e dos órfãos, honestidade nos negócios e santidade diante de Deus. Cada uma dessas leis revela o caráter do Legislador. Deus é justo. Deus protege os vulneráveis. Deus exige responsabilidade pelos nossos atos. Deus não ignora o pecado, nem trata o mal como algo sem consequências. Aprendemos que a injustiça cria uma dívida e que toda dívida exige reparação. Um dos grandes temas do capítulo é a restituição. Quem roubava deveria devolver mais do que havia tomado. A verdadeira justiça não consiste apenas em interromper o erro, mas em restaurar aquilo que havia sido perdido.
Em Êxodo 22:3, lemos:
"O ladrão terá de restituir plenamente o que roubou; se, porém, não tiver nada com que pagar, será vendido para pagar o roubo."
Na prática, a Lei previa um limite: se a pessoa não tivesse bens para restituir, ele seria vendido como servo para trabalhar até quitar sua dívida. O objetivo não era apenas punir, mas garantir que a vítima fosse reparada. Mas e se a dívida fosse tão grande que jamais pudesse ser paga?
A Lei não descreve explicitamente esse cenário, provavelmente porque as restituições tratavam de bens concretos (animais, dinheiro, propriedades), que, em sua esmagadora maioria, podiam ser compensados com trabalho ao longo do tempo. Mas existem muitos casos em que a reparação é impossível: imagine alguém que roubou bilhões e já gastou o dinheiro, como ele devolveria 4 vezes mais como ordena a Lei? Não poderia. A dívida continuaria existindo, mesmo que ele jamais tivesse condições de quitá-la totalmente.
Poderíamos pensar em um motorista embriagado que mata uma família. Ele pode ser preso e indenizar os parentes, mas nunca poderá devolver a vida das vítimas.
Uma calúnia ou falso testemunho, que destrói a reputação de alguém. Mesmo que depois a verdade apareça, muitas vezes o emprego, os relacionamentos e a confiança nunca são completamente restaurados.
Pais que abandonam ou abusam dos filhos. Anos depois podem pedir perdão, mas não conseguem devolver a infância que foi perdida.
A própria Lei tratou de casos, em que o erro era irreparável e mudava de categoria. Por exemplo: Em caso de assassinato você não podia "restituir" uma vida. Êxodo 21:12: "Quem ferir alguém, e este morrer, certamente será morto." Ou seja, alguns danos simplesmente não é possivel restituição. A própria Lei começa a mostrar que existem pecados cuja dívida ultrapassa qualquer pagamento humano.
Algumas questões surgem diante disso:
1) Como Deus poderia perdoar alguém com uma dívida “impagável” se a restituição que a própria Lei de Deus determina não foi satisfeita?
2) A Lei de Deus parece não possibilitar que assassinos sejam perdoados diante de Deus. Embora haja casos no Antigo Testamento em que Deus perdoou assassinos arrependidos (por exemplo Manassés e Davi). Como Deus pode perdoar um pecado tão grave, sem deixar de ser Justo e sem contrariar sua Lei? Pois mesmo a Lei de Deus permitindo o sacrifício de animais como uma forma de perdoar pecados. Quem poderia ser oferecido e que fosse maior e mais valioso do que uma vida humana? Um animal por esse resgate não seria equivalente e a Lei não permitia sacrifício humano.
3) Quem teria tanto valor de modo que poderia se oferecer e sua entrega satisfizer pelo menos 4 vezes ou 5 vezes mais do que qualquer delito em aberto?
4) Se Deus perdoasse alguém com uma dívida não restituída, Ele não seria contraditório?
A resposta para essas questões só pode ser uma: O próprio Deus precisaria se oferecer como pagamento. Somente o Deus encarnado pode satisfazer o nível de justiça que a Lei de Deus exige. Êxodo 22 clama por Jesus. Êxodo 22 torna Jesus necessário.
A coisa se torna mais complicada quando percebemos que todo pecado é um ato de roubar de Deus a glória devida ao seu nome. Nós roubamos a glória de Deus. Quanto deveríamos restituir? Infinitamente. Mas ninguém consegue pagar uma dívida infinita. Se levar as últimas consequências (e a Justiça de Deus demanda que seja), tudo deverá ser pago até o último centavo (ou até a última gota).
Quando Zaqueu encontrou Jesus, sua primeira reação foi restituir 4 vezes mais aquilo que havia tomado injustamente. A graça produziu aquilo que a Lei nunca poderia produzir: um coração transformado que ama a justiça. Entretanto, nem mesmo Zaqueu poderia reparar todos os seus pecados diante de Deus. Sua restituição era um fruto do arrependimento, não o preço da sua salvação.
E isso nos conduz ao último versículo do capítulo. Deus ordena que Israel não comesse carne de um animal encontrado dilacerado no campo, mas poderia ser dado aos cães. A ideia é que o povo santo não deve participar da carne de um animal cuja morte ocorreu fora da ordem estabelecida por Deus. Era uma carne que continha sangue e não havia sido abatida conforme a Lei. Por outro lado, Cristo é a pérola que não deve ser dada aos cães (Mateus 7:6). Ele diz "Tomai, comei; isto é o meu corpo" (Mateus 26:26), isso nos mostra que Jesus não foi uma vítima qualquer da violência humana; Ele foi o sacrifício providenciado pelo próprio Deus, não num campo qualquer, mas no altar escolhido por Deus, conforme toda a ordem estabelecida na Lei. Sua morte satisfez plenamente a justiça que a Lei exigia e realizou a restituição que jamais poderíamos oferecer.
“Ninguém tira a minha vida; pelo contrário, eu espontaneamente a dou.” (João 10:18)
*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia

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