segunda-feira, 10 de agosto de 2026

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Jesus em Êxodo 17: A Rocha ferida

Mais uma vez o povo de Israel se queixa contra Moisés, dessa vez porque não havia água para beber. Sua maldade contra Moisés chegou a tal nível, que estavam quase prontos a apedrejá-lo (v.4). 1500 anos se passariam e os filhos de Israel novamente estavam prestes a apedrejar o novo Libertador: “Os judeus mais uma vez pegaram pedras com a intenção de apedrejá-lo. Mas Jesus lhes disse: Tenho mostrado a vocês muitas obras boas da parte do Pai. Por qual delas querem me apedrejar?” (João 10:31,32). Israel, Israel que desde sempre ‘mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados’ (Mateus 23:37).

O povo reclamou contra Moisés e, ao fazê-lo, colocava o próprio Deus à prova. Apesar das acusações injustas e do tumulto do povo, Moisés respondeu com mansidão. Assim como Cristo, que "quando foi insultado, não respondeu com insultos. Quando sofreu, não ameaçou, mas pôs a sua esperança em Deus, o justo Juiz” (1 Pedro 2:23). É isso que Moisés fez aqui. Em vez de responder com ira àqueles que o acusavam falsamente, ele buscou o Senhor.

Deus diz que Moisés deve levar consigo a sua vara. A mesma vara com que Deus puniu a rebeldia dos egipcios, a mesma vara que feriu o rio Nilo, agora com ela Deus dará uma resposta para para a rebeldia dos israelenses. Era de se esperar que Deus, com razão, ordenasse alguma praga para castigá-los pela sua falta de confiança e pelas suas reclamações. Mas ao invés de ferir os israelitas, Deus manda Moisés ferir a rocha, e da rocha sai água que sacia a sede do povo.

Desta maneira, Deus nos ensina através do seu exemplo, que se o nosso inimigo tiver fome, devemos dar-lhe de comer. E se tiver sede, como Israel agora, dar-lhe de beber (Romanos 12.20; Mateus 5.44,45). Se o Senhor exige algo de nós, Ele próprio já o fez.

Mas foi 700 anos antes de Jesus nascer, que Isaías profetizou que surgiria um homem que seria ao mesmo tempo uma rocha e uma fonte: "E será aquele homem como um esconderijo contra o vento e um refúgio contra a tempestade, como ribeiros de águas em lugares secos, como a sombra de uma grande rocha em terra sedenta." (Isaías 32:2).


Em 1 Coríntios 10:3-4, o Apóstolo Paulo nos diz que esse homem era Jesus: "todos comeram do mesmo alimento espiritual; e todos beberam da mesma bebida espiritual; porque bebiam da rocha espiritual que os seguia; e a rocha era Cristo".

Somente os "anciãos de Israel" testemunharam a ferida na rocha. Os anciãos não são apenas os representantes do povo, mas são também as testemunhas da Antiga Aliança. No Novo Testamento não foi diferente, Cristo aparece ressuscitado primeiro a testemunhas escolhidas (At 10:41). O sofrimento de Cristo na cruz (a ferida da rocha) e a vinda do Espírito Santo (a água que sai da Rocha) foram eventos vistos e revelados primeiramente a comunidade dos apóstolos, os líderes espirituais da Igreja. Nós somos assim como o povo de Israel que não viu a rocha sendo ferida, mas bebeu da água. Ecoando Romanos 10:17: “A fé vem pelo ouvir”, eles não precisavam ver o golpe; precisavam confiar no que Deus fez através do seu mediador, pela palavra das testemunhas do Antigo Pacto. Nós também não vimos Cristo sendo ferido e ressuscitado, mas recebemos a água viva do Espírito Santo. A igreja vive dos efeitos da cruz sem ter presenciado o golpe. Em Êxodo, Israel se apoiava no testemunho dos anciãos sobre a rocha ferida. A igreja se apoia no testemunho apostólico da cruz, ressurreição e pentecostes. 


Visualize a cena: Moisés está diante da Rocha. Deus está posicionado sobre a Rocha. O golpe é desferido na Rocha, na presença imediata de Deus, como se o próprio Deus estivesse recebendo o golpe no lugar do povo. Moisés obedeceu, e imediatamente dela saíram águas com grande abundância, que correram pelo campo em correntezas e rios (SI 78.15,16).

Vários profetas associaram a água como um símbolo do Espírito Santo (Isaías 44:3, Ezequiel 36:25–27, Joel 2:28). O manancial do Espírito Santo é jorrado a partir de Cristo, que é a rocha ferida pela lei de Moisés, pois Ele nasceu debaixo da lei. Quem poderia beber da Rocha antes dela ser ferida? Israel poderia contemplar a rocha e continuar com sede. Foi justamente a ferida que trouxe o refrigério das águas. Por isso o Espírito Santo só poderia vir a transformar o deserto em manancial depois que o Cristo fosse ferido. Não seria esta uma das razões pelas quais se diz que o Espírito Santo é "derramado" (Atos 2:18)?

Os prazeres do mundo são poças turvas e contaminadas; mas estas não, estas são águas que brotam da Rocha, puras, limpas, vivificantes. Não são cisternas rotas, mas rios de verdadeiro prazer, que saciam e renovam a alma. São as águas que fluíam de Jesus na cruz quando o soldado romano lhe perfurou o lado: “Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água” (João 19:34). Nada poderá satisfazer aos desejos mais profundos da alma humana, exceto a água saída desta Rocha.

Em 1 Coríntios 10:4 lemos: “E todos beberam da mesma bebida espiritual”. Repare que Paulo afirma, por símbolo, que todo o povo de Deus recebeu o Espírito Santo. Há quem diga que o recebimento do Espírito Santo (ou batismo no Espirito Santo) seria uma segunda obra da graça, mas isso é um grave equívoco. Assim como todos os filhos de Israel (o povo da aliança) beberam da água que jorrou da rocha ferida, assim também, todos os filhos de Deus se tornam participantes do Espírito Santo, o dom concedido por Cristo: “E, porque sois filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos vossos corações, o qual clama: Aba, Pai” (Gálatas 4:6). Não existe cristão verdadeiro que não tenha recebido o Espírito, pois está escrito: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Romanos 8:9).


O salmista declara: “Ele abriu a rocha, e as águas jorraram; correram pelos lugares secos como um rio. Pois Ele se lembrou da sua santa promessa a Abraão, seu servo” (Salmo 105:41–42). Assim, a provisão da água não foi mero ato de misericórdia momentânea, mas expressão fiel da aliança que Deus estabeleceu com Abraão. Da mesma forma, o Novo Testamento nos mostra que Deus prometeu a vida eterna aos seus eleitos “antes dos tempos eternos” (Tito 1:1–2), fundamento que repousa sobre a “aliança eterna” (Hebreus 13:20). A água da rocha assim como a cruz, apontam para a mesma fidelidade pactual que Deus estabeleceu com seu povo.


Não foi quando Israel estava prostrado em adoração diante do Senhor. Não foi quando eles estavam fazendo algo bom. Foi numa cena infeliz, foi enquanto o povo estava pecando contra Deus e o seu Mediador, que Deus fez a água sair da rocha. Assim foi na cruz, Israel estava pecando contra Deus e o Seu Mediador. Em ambos os casos, foi enquanto o povo pecava que Deus providenciou a salvação por amor da promessa, abençoando aqueles que deveriam ser amaldiçoados.

“Jesus se levantou e disse em voz alta: — Se alguém tem sede, venha a mim e beba. Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva. Isso ele disse a respeito do Espírito que os que nele cressem haviam de receber; pois o Espírito até aquele momento não tinha sido dado, porque Jesus ainda não havia sido glorificado. (João 7:37-39)


Logo após a descida do Espírito Santo, o que aconteceu na igreja? Perseguição. E no caso dos Israelitas no deserto, depois das águas de refidim eles foram atacados pelos amalequitas. Pelo menos duas cenas despertam minha atenção: A primeira é Josué (que em hebraico tem o mesmo nome do Senhor Jesus). Quem é enviado para enfrentar o inimigo e proteger o povo? Josué. E o nome hebraico Yehoshua/Yeshua nos faz enxergar imediatamente a sombra de Cristo. Josué é quem desce para o vale, quem suja as sandálias no pó do combate, quem enfrenta o inimigo corpo a corpo. Isso ecoa o que o próprio Jesus faz por sua igreja: Ele vai à frente, é o primeiro a entrar na batalha, e confronta os poderes espirituais que atacam o povo recém-liberto. Ele pode ser sempre econtrado na parte mais intensa da batalha. O lado mais pesado da cruz está sempre sobre os ombros Dele.
A segunda coisa para notarmos é Moisés no alto do monte. Moisés com as mãos levantadas é uma figura impressionante da intercessão de Cristo levando a vitória da Igreja adiante. Moisés disse: “Eu estarei no cume do outeiro, e a vara de Deus estará na minha mão” (v.9). A vara do juízo de Deus se levantava contra toda impiedade dos amalequitas, assim como ela já havia trazido juízo sobre os egipcios. Agora era a vez dos amalequitas receberem a punição do Deus vivo. No alto do monte os braços de Moisés são fixados para garantir a vitória do povo de Deus. Na cruz, a vara do juízo de Deus estava nas mãos do Mediador do Novo Pacto, as mãos de Jesus foram fixadas com os pregos. E foram aquelas cansadas mãos estendidas que garantiram a vitória do povo de Deus.
Os amalequitas não tinham feito nada contra Deus, a luta era contra Israel. Mas Deus tomou as dores do seu povo. A luta do seu povo tomou sobre si, por isso o texto diz “O Senhor guerreará contra Amaleque...” (Êx 17:16). O que foi a cruz senão justamente isso? O Deus Eterno tomando para si a batalha do seu povo. Ele foi erguido como uma bandeira na cruz do calvário, com seu braços fixados. Olhamos para cima da montanha e vemos a nossa bandeira, que é o SENHOR, o próprio YHWH. Nada nos garante a vitória senão Cristo hasteado. Jesus é a minha bandeira!

*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia


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