segunda-feira, 10 de agosto de 2026

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Jesus em Êxodo 16: Tá chovendo Maná

As mesmas pessoas que foram poupadas das dez pragas do Egito, libertas da escravidão, que alguns dias atrás atravessaram o Mar vermelho, que foram guiadas por uma coluna de nuvem e de fogo… agora estavam murmurando que preferiam ter ficado no Egito e morrer junto às panelas de carne e pão do Egito, onde havia provisões, do que viver dependendo da alimentação dada por Deus.


Deus poderia ter dito: “Farei chover fogo e enxofre sobre estes rebeldes”, e seria justo. Mas, ao contrário, Ele promete uma chuva de pão sobre eles. Quando lemos Números 11, vemos que a carne (codornizes) foi uma concessão posterior, que foi parte do juízo de Deus contra os israelitas. Mas o pão é a verdadeira provisão de Deus para o seu povo.


Sendo o homem natural gerado da terra, o seu Criador lhe ordenou alimento da terra (Salmos 104.14). Mas ao povo de Israel, que representa os que nasceram do alto, representando a igreja dos primogênitos, dos inscritos no céu, estes também do céu recebem seu alimento. Conforme disse Jesus a respeito de si mesmo:


“Eu sou o pão da vida. Os seus antepassados comeram o maná no deserto, mas morreram. Todavia, aqui está o pão que desce do céu, para que não morra quem dele comer. Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. Este pão é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo" (João 6:48-51)


O próprio Cristo é o verdadeiro pão da vida, do qual o Maná do deserto era apenas uma referência. Em Moisés era o trailer, Cristo é o filme completo. Contemple a beleza dos símbolos:


O Maná é suficiente: Havia maná suficiente para todos, suficiente para cada um, e nenhum deles tinha maná em excesso. Também em Cristo, existe suficiência completa, e não existe nada desnecessário ou supérfluo Nele.

O Maná foi desprezado: O maná foi desprezado pelos que não eram do Senhor (Números 11:4–6). Eles o chamaram de maná, manhu. De forma pejorativa significa “Que é isto?” ou “Que coisinha é esta", como desprezando. Sobre Jesus foi dito que “Foi desprezado e rejeitado pelos homens” (Isaias 53:3). Os olhos cegos pelo pecado não veem beleza e pefeição em Cristo, nem sentem sua própria miséria, e por isso nem O buscam nem O desejam.


O Maná não é terreno: O maná não era um produto da terra; não foi fabricado por mãos humanas; tampouco era algo que Israel trouxera consigo do Egito. No Egito não havia maná. Em Canaã não havia maná. Era um presente dos céus. Assim também é Cristo. Jesus é a provisão divina para os escolhidos, aqueles que o Pai “deu ao Filho”.


O Maná é de graça: Nenhum preço foi cobrado. Não era salário a ser ganho, nem prêmio a ser conquistado. Não é uma recompensa para pessoas boas e justas, muito pelo contrário. Era o amor de Deus abençoando quem deveria ser amaldiçoado. O maior super mercado que já existiu neste mundo, mas sem dinheiro e sem preço.


O Maná foi entregue na escuridão: O maná foi dado à noite, foi durante a escuridão, o pão caía do céu. Enquanto Israel dormia, figura da impotência humana, Deus enviava o sustento. Assim também, Cristo veio a nós enquanto estávamos em trevas, “sem força”, incapazes de ajudar a nós mesmos (Romanos 5:6).


Não existe neutralidade: Pelo fato do maná estar ali, espalhado no chão, na porta de cada uma das tendas, os israelitas precisavam decidir o que fazer com ele. Ou o recolhiam, ou o pisoteavam. Semelhantemente é o Evangelho de nosso Senhor Jesus, ou os homens arrependidos dos seus pecados se apropriam de Cristo pela fé, ou se revoltaram contra Ele como cães raivosos. A rebelião pode ter muitas faces, mas é impossível ser neutro ao Evangelho e a Cristo. “Aquele que não está comigo é contra mim” (Mateus 12:30).


O Maná é puro: “Quando o orvalho caía de noite sobre o acampamento, o maná caía sobre ele.” (Números 11:9). O maná caiu sobre o orvalho, não sobre o pó da terra. Mesmo ele descendo ao nível do pó da terra, ele não se mistura com o pó da terra. Ele mantém-se incorruptivel, ele se mantém puro. Do mesmo modo, “O Verbo se fez carne” (João 1:14), mas não compartilhou da nossa natureza decaída. O corpo preparado para Ele (Hebreus 10:5) não procedia do pó amaldiçoado. O maná permanecia branco, sem mancha, sem defeito.


O Maná alimenta os anjos: O maná é chamado de “comida dos anjos”, “O homem comeu o pão dos anjos; enviou-lhes fartura de mantimento.” (Salmo 78:25) Os anjos também se deleitam em Cristo. Cristo é a alegria dos homens e dos anjos. Eles O adoram, O servem e proclamam Seus louvores. O maná celestial sacia não apenas os homens redimidos, mas os seres celestiais.


O Maná é acessível: Nenhum israelita precisava escalar montes ou atravessar o deserto para encontrá-lo; o sustento estava à porta de cada tenda. Assim também é com Cristo.

Não precisamos subir ao céu nem descer ao abismo para alcançá-Lo. Ele veio até nosso encontro, ele desceu do céu até o nosso deserto, à nossa miséria, ao nosso chão, para que sem esforço humano, tivéssemos acesso direto a Ele. Qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo está (no máximo) à uma oração de distância de Jesus.


O maná é doce: era doce ao paladar, como bolos de mel. (Êxodo 16:31). No Cântico dos Cânticos, a Igreja exclama sobre seu noivo: “Sentei-me à sua sombra com grande prazer, e o seu fruto era doce ao meu paladar.” (2:3)


O maná foi moído e assado: “O povo o recolhia, moía em moinhos ou pisava no almofariz, e o cozinhava em panelas.” (Números 11:8). Assim também, o verdadeiro Maná que desceu do céu foi moido e foi provado “no fogo”. Ele foi “Ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades.” (Isaías 53:5). “Ao SENHOR agradou o moê-lo” (Is 53:10). O maná moído, batido e passado pelo fogo é uma figura Daquele que sofreu a punição de Deus no nosso lugar.


O Maná precisava ser comido: é meio óbvio, mas o maná não foi dado para ser apenas admirado, mas para ser comido. Não bastava conhecê-lo intelectualmente, entender o que estava acontecendo teologicamente… Era preciso comer dele. Era necessário se apropriar dele. Assim também é com Cristo: não basta conhecê-Lo de longe, falar sobre Ele ou estudá-Lo como um objeto de fé. É preciso participar Dele, recebê-Lo em nosso interior, fazer Dele o alimento da alma. A vida eterna não é dada a quem admira Cristo, mas a quem se alimenta de Cristo. “Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre.” (João 6:51)


O Maná foi preservado no Sábado: “No sábado, o que guardaram não cheirou mal, nem criou bichos.” (Êxodo 16:24). O Maná que era guardado em qualquer dia da semana entrava em decomposição, no sábado isso não acontecia. Semelhante com Jesus, Ele foi guardado na tumba na sexta-feira ao cair da tarde. No sábado seu corpo estava ainda morto, mas não sofreu qualquer decomposição. No domingo de manhã ele ressuscitou.
Cristo foi preservado da decomposição na sua morte. O sábado simboliza o descanso da redenção consumada (leia meu comentário sobre Gênesis 2). Como profetizou Davi sobre Cristo: “O Senhor não permitirá que o Teu Santo sofra decomposição” (Salmo 16:10).


O maná entrou definitivamente no Santo dos Santos: “Disse Moisés a Arão: Toma um vaso e põe nele um ômer cheio de maná, e coloca-o diante do Senhor.” (Êxodo 16:33). O Maná foi colocado de forma definitiva diante da presença de Deus. Foi exatamente isso que aconteceu com Jesus: “Cristo não entrou em santuário feito por mãos humanas... mas no próprio céu, para agora comparecer por nós diante de Deus.” (Hebreus 9:24).

O Maná agora está escondido: “Ao que vencer darei do maná escondido.” (Apocalipse 2:17). Jesus é o verdadeiro maná, e hoje está oculto aos olhos humanos, no céu, até o dia em que será manifesto ao mundo inteiro. Na glória futura, O veremos e d’Ele nos alimentaremos novamente, com entendimento perfeito, saboreando eternamente a doçura de Sua graça e amor redentor. “A comida que permanece para a vida eterna.” (João 6:27).

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17:05 - No comments

Jesus em Êxodo 15: O cântico de Yeshua

 O Cântico de Moisés é a música mais antiga que a humanidade tem registro. Uma canção/poema de mais de 3500 anos. Os antigos rabinos já debatiam porque o cântico começa assim: אָז יָשִׁיר מֹשֶׁה (az yashir Moshe), que literalmente significa “Então cantará Moisés…”. Gramaticalmente, o verbo “yashir” está no futuro (imperfeito), e não no passado, o que já era motivo de comentário entre os rabinos: por que o texto não diz “az shar” (então cantou)? Os rabinos já entendiam que Moisés e Israel voltariam a cantar no futuro após a ressurreição dos mortos, nos dias do Messias. (Talmude Babilônico, Sanhedrin 91b). Por isso, rabinos como Rashi e Ramban explicam que esse cântico é um prenúncio da redenção final: a libertação messiânica.

Outro detalhe interessante, é que em hebraico, nos versiculo 14 a 17, Moisés usa verbos no “perfecto profético”, uma forma verbal em que coisas futuras são descritas como já cumpridas, para expressar a certeza absoluta do que Deus ainda fará. Isso claramente reforça o sentido profético da canção.


Em qualquer versão em português você encontrará:

“O SENHOR é a minha força e o meu cântico, e é a minha salvação. Ele é o meu Deus, e prepararei para ele uma habitação. Deus de meu pai, e eu o exaltarei.

O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome.” (Êxodo 15:2,3)


Neste trecho que Moisés está descrevendo Deus, usando o nome sagrado de Deus (YHWH = O SENHOR), ele o descreve como “Salvador”/“Salvação” e para isso ele usa justamente o nome de Jesus (Yeshua)’: 

יְהוָה עֹזִי וְזִמְרָת יָהּ וַיְהִי־לִי לִישׁוּעָה
YHWH ʿozî vezimrat Yah vayehî-lî liYeshua(h)

Sabendo disso, em hebraico fica assim:
“O SENHOR é a minha força e o meu cântico, Ele é o meu Yeshua (“Ele é o meu Jesus”). Ele é o meu Deus, e eu o louvarei. Deus de meu pai, e eu o exaltarei.

O SENHOR é homem de guerra; SENHOR é o seu nome.” (Êxodo 15:2,3)


O trecho seguinte indica que não é apenas uma mera coincidência, Moisés diz “O SENHOR é homem de guerra”. Se não estivesse escrito na Torá, certamente diriam que é uma blasfêmia. Moisés chama DEUS de seu Yeshua, e ainda diz que Deus é homem.


No versiculo 7 há uma idéia de punição com fogo (“consumir como palha”), o que não ocorreu na saída do Egito, mas é exatamente que o Apocalipse descreve a libertação final do povo de Deus. Os inimigos de Deus sendo “lançados nas profundezas” também é uma visão presente no Apocalipse.

No versiculo 8 diz “Com um sopro das tuas narinas as águas amontoaram-se. As correntes ergueram-se como um muro”, foi com o sopro de Deus que os israelitas foram salvos. Assim também é com o sopro de Deus (símbolo do Espírito Santo), o mesmo sopro que deu vida para Adão, é por meio Dele que é aberto o caminho para a salvação do povo liderado por Jesus: “Jesus soprou sobre eles e disse: ‘Recebei o Espírito Santo.’” (João 20:22).
No versiculo 10 Deus sopra outra vez, mas desta vez para trazer destruição sobre os egipcios: “Sopraste com o teu vento, o mar os cobriu; afundaram-se como chumbo nas águas impetuosas”. Nos profetas, esse mesmo “sopro divino” de punição é atribuído ao próprio Messias: “E ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro de seus lábios matará o ímpio” (Isaías 11:4). E é exatamente assim que Jesus destruirá o anticristo: “O Senhor Jesus aniquilará o ímpio com o sopro de sua boca” (2 Tessalonicenses 2:8).


Mesmo tendo acabado de sair do Egito, Moisés também louva a Deus que levará o povo para o Seu santuário. “Tu os farás entrar e os plantarás no monte da tua herança, no lugar, Senhor, que preparaste para a tua habitação, no santuário, Senhor, que as tuas mãos firmaram.” É evidente que isso não se cumpre no Monte Sinai, porque não foram “plantados” ali. Também não se cumpre no Tabernáculo de Moisés ou no Templo de Salomão, uma vez que foram construidos por mãos humanas e não por Deus. Ecoa a linguagem de Hebreus 8:2, sobre o próprio Cristo “Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo que o Senhor erigiu, e não o homem”. Jesus é o Santuário de Deus (João 2:19–21).

“Vi como que um mar de vidro misturado com fogo, e os que tinham vencido a besta, [...] estavam em pé junto ao mar de vidro, tendo as harpas de Deus.

E cantavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo:

‘Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus Todo-Poderoso!’” (Apocalipse 15:2–3)


Um dia cantaremos junto com Moisés:
“Ele é o meu Jesus. Ele é o meu Deus, e eu o louvarei”.


Depois de Israel celebrar ao Senhor, foram para o deserto de Sur. Caminharam por 3 dias e não encontraram água. Quando chegaram a Mara, não puderam beber as águas de Mara porque as águas eram amargas. O povo novamente murmurou contra Moisés. Deus mostra para Moisés um pedaço de madeira. Moisés joga a madeira sobre as águas e elas se tornaram doces. Assim como a madeira mudou a natureza da água, a cruz muda a natureza de nossas dores. O sofrimento, quando tocado pela cruz, deixa de ser veneno e se torna remédio. Cristo crucificado é o doce lenho que transforma o amargor da vida em bênção.
Coloque o madeiro da cruz nas suas aflições, e elas deixarão de ser amargas. As provações se tornam agradáveis quando vistas à luz da cruz.


“Então chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras; e acamparam junto das águas” (Êxodo 15:27)


Depois da provação em Mara, eles encontram um oásis no deserto. Mara representa as provas, e Elim mostra o consolo de Deus após as provações.


É curioso e extremamente simbólico os números 12 e 70. No Evangelho (Lucas 9) Jesus primeiro envia 12 apóstolos por toda a casa de Israel, que são os fundamentos da Nova Jerusalém. No capítulo seguinte (Lucas 10) Jesus envia 70 discipulos para outras nações e etnias. Isso vem de Gênesis 10, onde há uma lista de 70 povos descendentes de Noé, que naquele momento eram as “nações do mundo”. Ao enviar os 70, ele diz “Eu dei a vocês autoridade para pisarem sobre cobras e escorpiões” (Lucas 10:19) que são animais do deserto, do contexto que Israel enfrentava na jornada com Moisés.
Semelhantemente, João no Apocalipse vê uma multidão com palmeiras nas mãos no Santuário de Deus, provavelmente celebrando a Festa dos Tabernáculos e Deus promete que eles não terão mais sede, mas serão guiados até as fontes das águas vivas. Deus transforma o deserto em paraíso, e o amargor da cruz em alegria eterna:


“diante de mim estava uma grande multidão que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé, diante do trono e do Cordeiro. Eles estavam vestidos de vestes brancas e seguravam folhas de palmeira nas mãos [...] É por isso que eles estão diante do trono de Deus e o adoram dia e noite no seu Santuário. E aquele que está sentado no trono os protegerá com a sua presença. Nunca mais terão fome nem sede; o sol e o calor não os queimarão, porque o Cordeiro, que está no meio do trono, será o pastor deles e os guiará até as fontes das águas da vida” (Apocalipse 7:9-17)

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sexta-feira, 31 de julho de 2026

A BÍBLIA (COMPLETA) MAIS ANTIGA DO MUNDO - Codex Sinaiticus

Essa belezinha é do ano 330 dC (isso é anterior ao surgimento da Igreja Católica) e é uma prova rápida de que a Bíblia não foi adulterada, e que os livros da Bíblia já eram reconhecidos por comunidades cristãs independentes ao redor do mundo já séculos antes da Idade Média.

O Codex Sinaiticus só foi redescoberto em 1859. E quando os estudiosos compararam esse manuscrito do século IV com os manuscritos mais recentes que já possuíam, o resultado foi impressionante: o texto bíblico havia sido preservado de forma extraordinária ao longo de mais de mil anos. Sim, existem variantes textuais, mas a mensagem do texto foi totalmente preservada.

Quer uma prova simples? Entre em praticamente qualquer igreja no Brasil. Você encontrará pessoas lendo Bíblias traduzidas a partir do texto crítico (baseado nos manuscritos mais antigos, como o Codex Sinaiticus e outros manuscritos) e outras pessoas usando traduções baseadas no Textus Receptus (textos mais recentes). Ou ainda a partir de manuscritos em aramaico ao invés do grego… Mas apesar de pequenas diferenças, ao final do culto todos compreenderão a mesma mensagem, e ainda conseguem todos acompanhar a leitura do pastor em uma outra versão. É uma demonstração simples de como Deus preservou Sua Palavra ao longo dos séculos. 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

13:34 - No comments

Jesus em Êxodo 14: O Nascimento da Igreja Judaica

 


O milagre da abertura do Mar Vermelho ocupa lugar semelhante no Antigo Testamento ao que a morte e ressurreição do Senhor Jesus ocupa no Novo; ele é invocado como padrão de medida tanto na Lei de Moisés como nos livros dos profetas, é o padrão da suprema demonstração do poder de Deus. Sendo assim, precisamos investigar cuidadosamente o que este padrão da ação de Deus nos revela.


De um lado, estava Pi-Hairote, uma cordilheira de rochas escarpadas intransponível. Do outro lado estavam Migdol e Baal-Zefom, que alguns pensam que eram fortes e guarnições nas fronteiras do Egito. Diante deles, o mar. Atrás deles, os egípcios: de modo que não havia caminho para eles, exceto por cima, e dali veio a sua libertação. Israel foi colocado de tal forma que não havia meio humano de escape. Deus coloca seu povo em uma situação impossível, simplesmente para evidenciar o seu poder e evidenciar a incapacidade humana. Isso é uma síntese do Evangelho: 

O homem se encontra cercado, sem saída, sem mérito, sem força própria. À frente, um mar intransponível de juízo e de morte; atrás, o inimigo acusador; aos lados, a impossibilidade humana. Não há fuga, não há recurso terreno. Mas é nesse cenário de desespero que Deus abre o caminho da salvação, não pela força humana, mas pelo Seu braço poderoso. Assim como Israel atravessou o mar em terra seca, também o pecador atravessa da morte para a vida pela obra de Cristo na cruz. O Evangelho é Deus fazendo o impossível, abrindo um caminho onde não havia caminho, para que a glória seja somente d’Ele e a salvação seja unicamente pela fé.


Observe dentro do contexto maior: Deus desceu para libertar o seu povo do Egito (Êxodo 3:7-8). Considere que a Biblia vai tratar o Egito como simbolo de pecado e escravidão (Isaías 30:1-2). Os hebreus viram Deus exercer juizos contra os pecadores egipcios que resistiam à sua palavra. Israel era um povo fraco e pecador, não eram melhores que os egipcios. Deus escolheu esse povo sem que houvesse méritos neles. Este povo foi poupado do juízo de Deus por causa do sangue do Cordeiro, para só então participarem da festa dos pães sem fermento. Se o fermento representa o pecado nas Escrituras (Levítico 2:11/1 Coríntios 5:6-8), os pães sem fermento representam a vida do povo que foi poupado pelo sangue do cordeiro, uma vida livre do pecado e da escravidão. Eles celebram a festa dos pães sem fermento como homens livres, livres do pecado (mas não totalmente, porque ainda estão no Egito). A tensão teológica do “já, mas ainda não”. Libertos do pecado e da escravidão, mas ainda não totalmente. Então na caminhada para a saída do Egito rumo à terra prometida eles se deparam com uma situação de morte. E aquela situação de morte se torna a grande salvação do povo de Deus.

No comentário do capítulo 3 de Êxodo, eu expliquei por que eu entendo que o ‘Anjo do SENHOR’ (maVak YHWH) é o próprio Jesus. E agora é Ele mesmo que se coloca entre os egipcios e os hebreus para proteger seu povo. A coluna de nuvem que acompanhava os israelitas também ficou entre os egipcios e os hebreus. A nuvem era escuridão para os egipcios, mas iluminava o povo de Israel durante a noite. Muitas vezes o agir de Deus têm um aspecto duplo: escuro e obscuro contra o pecado e os pecadores, mas um lado brilhante e agradável para aqueles que desfrutam de sua Graça. Aquilo que é cheiro de vida para alguns, é cheiro de morte para outros. O profeta Isaías disse que Deus é para uns santuário, e para outros pedra de tropeço (Isaías 8:14). Mas havia algo espiritual nessa coluna de nuvem e fogo.


Os filhos de Israel foram batizados em Moisés nessa nuvem (1 Corintios 10.2), que alguns entendem que destilava orvalho sobre eles. Ao entrar embaixo dessa nuvem eles demonstravam a sua submissão à divina orientação e comando através do ministério de Moisés. Essa nuvem era o sinal da proteção de Deus, e assim se tornou o vínculo da lealdade deles. Dessa maneira eles foram iniciados e admitidos sob aquele comando, no momento em que estavam entrando no deserto. Alguns entendem que essa nuvem tipifica o Senhor Jesus Cristo. A nuvem de sua natureza humana era um véu para a luz e o fogo de sua natureza divina. Nós o encontramos (Ap 10.1) vestido com uma nuvem, tendo os pés como colunas de fogo. Cristo é o nosso caminho, a luz do nosso caminho, e aquele que nos guia pelo caminho. A nuvem indicava a orientação e a proteção especiais.


O povo de Israel duvidou e temeu diante do mar, se assemelhando bastante à atitude e ação dos discípulos no barco sacudido pela tempestade, quando despertaram o Mestre e disseram: “Não te importas que pereçamos?”. Em ambos os casos, depois da manifestação do poder de Deus, o povo de Deus comentava entre si “Quem é este que até o vento e o mar lhe obedecem?” (Marcos 4:35-41). Repare também que no verso 15, Deus repreende Moisés, mesmo que aparentemente ele não tenha dito nada errado, apenas o povo. Vemos no verso 10 que quem clamava era o povo, não Moisés. Aqui é uma hipótese: Será que o Mediador está tão unido ao povo, que Deus lhe atribuiu culpa no lugar do povo que ele representa, embora ele seja inocente? Diante da resposta de Moisés (verso 13 e 14), tudo indica que é este o caso.

O Senhor disse a Moisés “diga ao povo que marche”. Eles deviam caminhar sobre as águas pela fé. Moisés deveria erguer sua vara e as águas do mar se abririam. Aquela situação de morte se tornaria vida e libertação definitiva quando o mediador do pacto erguesse o cajado. O profeta Isaías nos diz que o cajado na mão de Moisés era “o braço do SENHOR” (Isaías 51:9–11). O cajado deixava claro para os hebreus que o poder não era de Moisés, mas de Deus. O cajado era a forma pela qual o Pastor (Deus) conduz as suas ovelhas. Era a própria força e autoridade invisível de Deus agindo por trás do cajado. Muitos milagres Deus fez por meio do cajado de Moisés. Mas o cajado era apenas um sinal visível do poder do Deus invisivel. Assim também é Jesus, ele é a demonstração visivel de tudo que podemos conhecer sobre o Deus invisivel, a imagem perfeita do Deus invisivel, a demonstração exata do Seu poder e autoridade. Jesus é o cajado pelo qual Deus Pai governa e conduz as suas ovelhas. E sabe quem disse isso? O próprio profeta Isaías quando começa o capítulo 53 que fala do Messias como servo sofredor e diz “Quem creu em nossa mensagem e a quem foi revelado o braço do Senhor? Ele cresceu diante dele como um broto tenro, e como uma raiz saída de uma terra seca. Ele não tinha qualquer beleza ou majestade que nos atraísse, nada em sua aparência para que o desejássemos [...] Mas ele foi transpassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniqüidades” (Isaías 53:1-5). Ou seja, Isaías diz que Jesus é o braço de Deus. O cajado no braço de Moisés representa esse braço, que é Cristo. Desde os tempos antigos, foi Cristo, o braço do Senhor que abriu um caminho para salvar o povo do Egito.

Incrivel, né? Mas vai ficar melhor… O profeta Ageu ao mencionar a saída do Egito diz “mais uma vez eu (Deus) farei tremer o céu” (Ag 2:6). O profeta Isaias no capitulo 51 recorda a travessia do mar vermelho, e diz que haverá um novo Êxodo, desta vez não será o mar que se abrirá, mas os céus se abrirão para os remidos. Desta vez os remidos, segundo Isaías, não chegarão ao monte Sinai, mas ao monte Sião. De Sião sairá a Palavra de Deus (Is 51:4 / Is 2:3), de Sião sairá o novo Pacto (Jr 31:33). Eles sobem aos céus, e lá está o Monte Sião. É evidente que texto está se referindo ao Monte Sião celestial, uma Nova Jerusalém. Mas o monte Sião terrreno é o local onde Jesus participou da última ceia com os seus discipulos, e é o local do derramar do Espirito Santo no Pentecostes. É o local de onde saiu a Nova Aliança.


Pelo batismo da nova aliança, somos batizados em Jesus, isto é, na morte e ressurreição de Jesus. O sangue de Cristo é o que nos abre o caminho da salvação. Israel atravessou pelo sangue tipificado no mar vermelho; nós atravessamos pelo sangue real derramado no Gólgota. Israel passou pelo mar e foi salvo, em Cristo passamos pela morte e entramos na vida. Em Moisés eles atravessaram o mar e chegaram no monte Sinai, em Jesus nós atravessamos as águas do batismo e chegamos na Nova Aliança, recebemos do Espírito Santo derramado no Monte Sião. Não é sem motivo que no batismo de Jesus “abriram-se os céus” (Mt 3:16); Na morte de Jesus o véu do templo se rasga, símbolo de acesso ao céu (Lc 23-:45); Na carta aos Hebreus, Cristo entra nos céus como Sumo Sacerdote para nos abrir o “novo e vivo caminho” (Hb 10:19-20). A inevitável morte nada mais pode fazer senão te levar direto para os braços Daquele que é a própria vida. Aquilo que parecia ser o nosso fim, se tornou a nossa salvação. Portanto, marchem!

“Nós, os que morremos para o pecado, como podemos continuar vivendo nele? Ou vocês não sabem que todos nós, que fomos batizados em Cristo Jesus, fomos batizados em sua morte? Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova. Se dessa forma fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, certamente o seremos também na semelhança da sua ressurreição” (Romanos 6:2-11)

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domingo, 26 de julho de 2026

15:06 - No comments

O cambista e a sua mulher (Matsys)

   

Está no TOP 3 das minhas pinturas favoritas e foi incrível vê-la pessoalmente no Museu do Louvre.  À primeira vista, parece apenas um cambista contando moedas ao lado de sua esposa. Uma simples cena do cotidiano. O quadro parece falar de dinheiro… mas, na verdade, fala sobre o coração. 

O pintor Quentin Massys viveu boa parte de sua vida em Antuérpia, uma cidade que, no início do século XVI, tornou-se um dos maiores centros comerciais da Europa e uma das cidades mais ricas do continente. Por seus mercados circulavam ouro, prata, especiarias, tecidos... Com esse crescimento, ganharam destaque figuras essenciais para o comércio, como cambistas, banqueiros e mercadores. Foi esse ambiente de intensa prosperidade que Massys observava todos os dias.

A mulher da pintura tem uma Bíblia em suas mãos. Ela estava em seu momento devocional. Por um instante, porém, seu olhar abandona as Escrituras e passa a acompanhar as moedas que o marido pesa. Esse olhar é o centro da obra. O dinheiro se torna o objeto da devoção. Massys não precisou pintar alguém roubando, mentindo ou cometendo um grande pecado. Bastou mostrar uma distração quase imperceptível.

O interessante é que ele não demoniza o comércio. Pelo contrário, o cambista da pintura parece honesto, pesando as moedas cuidadosamente. A crítica é mais profunda: quando a prosperidade começa a competir pela atenção que deveria estar voltada para Deus.

Há um espelho sobre a mesa. Alguns estudiosos afirmam que a função do espelho na obra é colocar você na obra. Assim, a pintura deixaria de falar apenas do casal e passa a questionar também quem a contempla.

No espelho é possível ver um homem indo no sentido oposto ao casal. Ele contempla a janela, que curiosamente forma uma cruz.

Há ainda uma hipótese fascinante: acredita-se que o homem refletido possa ser o próprio Quentin Massys. Se for verdade, o artista não apenas pintou uma advertência para os outros; ele se colocou dentro da própria obra, como alguém igualmente chamado a responder à mesma pergunta.

Afinal, essa pintura nunca foi sobre dinheiro.

Ela sempre foi sobre o coração.

“Porque onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração.” (Mateus 6:21) 



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Jesus em Êxodo 13: O Jumento e o Pão perfurado


Quem é resgatado pelo Senhor passa a ser propriedade d’Ele. No Novo Testamento, Deus nos lembra: “Vocês não pertencem a si mesmos, pois foram comprados por alto preço” (1 Co 6:19-20). O mesmo princípio já estava presente em Êxodo, quando o Senhor ordenou a Moisés: “Consagre-Me todo primogênito”. Assim, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, a redenção traz consigo o chamado para uma vida separada e dedicada ao Redentor. Essa ordem abrangia não apenas os homens de Israel, mas também os animais — cada primeiro nascido deveria ser apresentado diante do Senhor. E é justamente nesse ponto que aparece um detalhe singular: o caso do jumento.

Animais impuros existiam em Israel, mas não eram criados com a mesma intensidade. O jumento foi a grande exceção entre os impuros porque, apesar de não poder ser oferecido em sacrifício, tinha enorme utilidade prática e estava bem presente no dia a dia do povo.
O primogênito do jumento não poderia ser entregue ao SENHOR como os demais animais puros. Ele deveria ser resgatado com o sangue de um cordeiro - caso contrário, teria de ser desnucado, ou seja, morto sem derramamento de sangue (Êx 13:13).

O princípio por trás do resgate do jumento é o mesmo que se aplica aos seres humanos: Somos inapropriados aos olhos do Senhor para o sacrifício, então um cordeiro é entregue em nosso lugar. O jumento representa a nossa condição espiritual diante de Deus: carregados de pecado, trazendo cargas pesadas, incapazes de nos apresentar diante de Deus como minimamente aceitáveis. Assim como o jumento não poderia ser consagrado sem substituição, também nós não poderíamos ter vida sem que o Cordeiro morresse em nosso lugar.

O texto sagrado também determina que aqueles que foram salvos pelo sangue do Cordeiro agora são convocados a participar da festa dos pães sem fermento. A festa dos pães sem fermento (Êx 13:6-10) lembrava o povo de que saíram apressadamente do Egito, sem tempo para fermentar o pão. Mas o fermento também tem uma conotação negativa na Escritura, frequentemente é usado como imagem do pecado e da corrupção (1Co 5:6-8).
Em Levitico, por exemplo, o fermento é visto como algo que não deveria entrar em sacrifícios queimados, porque era símbolo de alteração, decomposição, impureza.

Cristo é o pão sem fermento, sem pecado, que se ofereceu em sacrifício perfeito. Ao celebrar essa festa, Israel estava antecipando. Aquele que seria o verdadeiro pão da vida (Jo 6:35), puro e sem pecado, e alimentando-se da sua vida santa.

O pão ázimo (matzá) usado na Páscoa judaica é feito sem fermento e, para evitar que a massa cresça, ele é perfurado durante o processo de cozimento. Essas perfurações ajudam o calor a penetrar rapidamente e impedem que o pão inche. Na última Ceia, Jesus tomou o pão e disse “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós” (1 Coríntios 11:24). Como não pensar que curiosamente o corpo de Jesus foi perfurado semelhante ao pão da Páscoa, conforme dizia a escrituras: “e olharão para mim, a quem traspassaram; e o prantearão como quem pranteia por um unigênito” (Zacarias 12:10).

Que também nós, tendo sido salvos pelo sangue do Cordeiro, vivamos livres do fermento do pecado e sigamos confiantes por aquele que nos guia em segurança pelo deserto desta vida. Cristo é o nosso Caminho seguro para a Terra prometida, o verdadeiro Pão sem fermento, a nuvem durante o dia e a coluna de fogo que nos protege nas noites escuras. Ele é tudo.

*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia


quarta-feira, 1 de julho de 2026

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Tabernáculo Metropolitano de Londres - A igreja de Charles Spurgeon


Sim, nós visitamos a igreja de Charles Spurgeon. Foi nesta igreja, a Metropolitan Tabernacle em Londres, onde ele pregou para milhares de pessoas ao longo de quatro décadas. Spurgeon dizia que uma igreja saudável não é construída sobre métodos inovadores, personalidades carismáticas ou entretenimento, mas sobre a fiel exposição das Escrituras e a proclamação de Cristo crucificado. Simples assim.


Sua igreja também era reconhecida por sua intensa vida de oração. Enquanto Spurgeon pregava, centenas de membros permaneciam reunidos em uma sala abaixo do púlpito, intercedendo para que o Espírito Santo aplicasse a mensagem aos corações. A oração era o motor invisível do ministério e a fonte da verdadeira eficácia da pregação. Em nossa passagem por Londres, nós participamos de um culto nesta igreja, e pra nossa alegria ouvimos a Bíblia sendo pregada com fidelidade. Fomos muito bem recebidos, foram extremamente receptivos e acolhedores. Uma comunidade que nasceu em 1650, e que mesmo depois de tanto tempo permaneceu fiel a mensagem do Evangelho.


Havia um grande letreiro acima do púlpito: “Olhai para mim e sereis salvos, vós todos, até os confins da terra” (Isaías 45:22). Não foi uma escolha aleatória. Esse foi o versículo que Deus usou para converter o jovem Charles Spurgeon. Talvez seja por isso que ele ocupa o lugar de maior destaque na igreja: para lembrar a cada pessoa que entra ali que a mensagem continua a mesma. O centro não é Spurgeon, não é a igreja, nem o pregador. O centro é Jesus, que ainda convida: “Olhai para mim e sereis salvos.”