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Jesus em Êxodo 11: A igreja dos Primogênitos
"Os estrangeiros vieram para o Egito [...] eles têm crescido e estão por toda a parte [...] o Nilo se tornou em sangue [...] as casas e as plantações estão em chamas [...] a casa real perdeu todos os seus escravos [...] os mortos estão sendo sepultados pelo rio [...] os pobres escravos estão se tornando os donos de tudo [...] os filhos dos nobres estão morrendo inesperadamente [...] o nosso ouro está no pescoço dos escravos [...] o povo do oásis está indo embora e levando as provisões para o seu festival".
Este é um trecho de um achado arqueológico, conhecido como Papiro de Ipuwer, é o relato de uma testemunha ocular egipcia que coincide com o relato biblico das 10 pragas sobre o Egito. Neste relato, menciona que o ouro dos egipcios está no pescoço dos escravos. Algo similar aconteceu com Abraão quando desceu ao Egito por causa da fome. Lá, por causa de Sara, Faraó dá a ele prata, ouro, gado e servos (Gn 12:16). Mas quando Faraó descobre que Sara era esposa de Abraão, ele o expulsa — e Abraão sai do Egito mais rico do que entrou. Com Moisés o dejavu se torna muito maior. E com Jesus se torna muito maior ainda. Em Colossenses 2:15, Paulo escreve:
“E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente ao desprezo, triunfando deles na cruz.”
Jesus, ao morrer e ressuscitar, dá um golpe fatal no império das trevas. Assim como Israel despojou o Egito, Jesus despojou os poderes malignos e libertou os cativos. “Subindo ao alto, levou cativo o cativeiro, e deu dons aos homens” (Ef 4:8). Assim como Israel no Egito, Jesus triunfa através do sofrimento, e não por força militar. No Êxodo, Deus julga o pecado dos egipcios e expõe ao ridículo os deuses do Egito (Êx 12:12). Na cruz, os pecados do mundo são julgados e os planos das forças espirituais do mal são expostos ao ridículo (João 12:31). Em ambos os casos, os que estavam oprimidos saem vitoriosos. Abraão saiu com alguns presentes, Israel com toda riqueza do Egito, e os crentes com os dons do Espírito Santo. Mas não parou aqui. Todos os dias, a igreja de Cristo continua despojando o inferno através do evangelismo (Lc 11:21).
Deus anuncia a condenação do Egito. Os egipcios haviam matado os filhos dos Israelitas, e agora Deus executará sua santa justiça de forma proporcional: matando o filho dos egipcios (Êxodo 4:22-23). É a justiça santa de Deus se manifestando de forma proporcional, solene e irreversível. Aquilo que os egípcios semearam, agora colherão. O que vemos aqui não é apenas uma tragédia histórica, mas um vislumbre antecipado do juízo eterno. Se Deus se vingou assim por matarem os filhos dos israelitas, o que Ele não fará para com aqueles que mataram, rejeitaram e cuspiram no Seu único Filho?
Deus diz que haverá um clamor em toda a terra do Egito à meia-noite. Curisosamente, na parábola das dez virgens, Jesus contou que, à meia noite, ouviu-se um grande clamor. O Noivo havia retornado e aquelas noivas que não estavam preparadas sofreram as consequências do Juizo de Deus. No contexto dos israelitas no Egito, a meia-noite era um ponto de não-retorno, para quem não se preparou não haveria mais tempo de comprar um cordeiro, matar, prepará-lo, conseguir as ervas amargas, passar o sangue do cordeiro nas portas. O comércio estava fechado e o seu vizinho crente certamente não abriria mais a porta por nada neste mundo. A porta da Graça havia se fechado, era o momento do Juízo de Deus.
O coração orgulhoso do rei do Egito não se renderia, nem para salvar todos os primogênitos de seu reino: A humanidade em sua rebelião contra Deus está cega, e nem mesmo o perigo óbvio e iminente lhes fazem temer. Moisés, depois disso, foi levado a uma santa indignação, sendo afligido pela dureza do coração do Faraó. Jesus, o Nosso Libertador, teve o mesmo sentimento de indignação diante da dureza do coração daqueles que governavam o povo de Israel: “E, olhando para eles em redor com indignação, condoendo-se da dureza do seu coração” (Marcos 3:5). A Escritura previu a incredulidade dos que ouviriam o Evangelho, para que isso não fosse uma surpresa para nós. (João 12.37,38)
Observe que embora o Faraó odiasse Moisés, ele tinha servos que respeitavam o homem de Deus. O mesmo aconteceu na casa de César, e na casa de Nero: ali havia alguns que tinham admiração e respeito pelos apóstolos de Cristo (Filipenses 1.13).
Mas porque o primogênito e não todos os filhos dos egipcios? A primeira resposta é por misericórdia, seria justo se Deus matasse todos os filhos dos egipcios. Até na Justiça de Deus encontramos a Sua Misericórdia. Mas uma segunda razão é a questão da representatividade. Na cultura antiga, especialmente no Egito, o primogênito era o herdeiro principal, símbolo da continuidade, força e bênção da família. Matar o primogênito era um golpe representativo — destruir a “esperança futura” da nação. “Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias do seu vigor” (Sl 78.51). Ao julgar os primogênitos, Deus atingiu diretamente o coração da identidade, orgulho e futuro do Egito, e demonstrou que toda a força humana é vã diante dEle.
O Deus da Bíblia leva muito a sério essa questão da representatividade. Se os primogênitos egipcios foram condenados por uma representatividade (conforme mostra o Salmo 78.51), qual a representatividade por trás da salvação dos primogênitos de Israel? Qual a representatividade do sangue do cordeiro?
Se formos atentos perceberemos o jeito que o Eterno age em todas as eras: um povo escravizado é liberto por meio do sangue de um cordeiro, triunfa pela fé, despoja os opressores e caminha rumo à terra prometida. Esse povo é chamado em Hebreus 12:23 de “a igreja dos primogênitos arrolados nos céus”. Se você crê em Jesus Cristo, você será como esses primogênitos dos hebreus que foram poupados pelo Sangue do Cordeiro.
O Egito já caiu. O Faraó já foi derrotado. Os deuses do mundo já foram expostos ao desprezo. A porta da graça ainda está aberta, mas à meia-noite ela se fechará. Até lá, a igreja dos primogênitos continuará anunciando o único meio de salvação, proclamando a libertação, despojando o inferno, com lombos cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão pois pouco tempo resta, e logo mais veremos com os nossos olhos, o Cordeiro que ressuscitou descendo do céus como Leão.
*Clique aqui para conhecer a revelação de Jesus em outros capítulos da Bíblia

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